UM ANO SEM PAI FLÁVIO DE OGUIAN..

Posted by Gunfaremim on 1 de junho de 2012

 

Babá mi, má sùn o –Meu pai, não durma, vigie todos os seus filhos!

Quando o orixá Ikú se aproxima, e abraça alguém com seu hálito frio, Ele não torna essa pessoa melhor nem pior, apenas restitui a terra o que dela saiu. Após a passagem de Ikú, seremos lembrados pelas ações que tivemos quando vivos, sejam elas boas ou más.

Por outro lado, aqueles que observam a passagem de Ikú têm a possibilidade de se modificarem. De aprender que o orgulho, a vaidade e os pequenos ressentimentos de nada nos servem, pelo contrário só nos atrasam e nos impedem de caminhar, de sermos felizes..

Aprendi no Candomblé muita coisa boa, uma delas foi o sentimento de comunidade, de espírito coletivo. Tudo que fazemos, realizamos junto com alguém, por isso aprendemos a contar sempre com o outro. Ninguém toca um Candomblé sozinho. Quando nascemos, somos cortejados pelos nossos mais velhos, que nos ajudam a caminhar e alegremente cantam: Ikodidé, adupé ìyawó. Ofé re jé! Momento único nas nossas vidas.

Aprendi que, assim como, quando nascemos não estamos sozinhos, quando partimos também não ficamos solitários. Um iniciado nunca será apenas mais um, um número frio e sem valor. Ele pertence a uma comunidade, a comunidade o acolheu e ele a escolheu. Por isso a comunidade estará presente no momento em que o ará retornar para a terra. Não é uma questão pessoal, mas espiritual.

 

PAI FLÁVIO DE OGUIAN

Aprendi que todo aquele que recebeu o “awo”, deverá ter o direito de retornar as suas origens, de romper os laços que o ligam a comunidade e assim poder seguir o seu caminho..
Também aprendi que o elo que nos une é muito maior do que podemos imaginar. O elo espiritual, forjado pelos orixás, materializado em todos os dias de nossas vidas. É nessa força que aprendi a acreditar e respeitar.
Aprendi a acreditar na Tradição. Que quando ela não mais ditar as regras, quando cada qual seguir seus interesses momentâneos, a essência terá se perdido, a memória será esquecida.

Aprendi que quando enfraquecemos a Tradição, estamos enfraquecendo a memória de nossos ancestrais, fazendo com que nossas origens sejam esquecidas. O Ásèsé nos ensina, se não pudermos retornar a nossas origens, como poderemos sustentar nossa religião?

 

TEXTO ESCRITO POR JONATAS GUNFAREMIM

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