Amúnimúyè (Centratherum punctatum)Balainho-de-velho, perpétua-roxa, perpétua-do-mato (REPOSTAGEM 10/01/12)

Conta a lenda que “Oxóssi, o grande caçador e rei da nação Ketu, foi avisado do perigo que corria ao percorrer todos os dias os domínios de Ossain. Este orixá, dono das “folhas” costumava prender junto a si aqueles que se aventuravam em suas matas. Certo dia, deu-se o encontro e Oxóssi bebeu da poção que Ossain lhe ofereceu, permanecendo junto a ele sem consciência de quem era, esquecendo sua família e seus afazeres. Havia tomado amúnimúyè, a “folha do esquecimento” ou “a que tira a consciência”” (PESSOA DE BARROS, 1994).

 

Balainho de velho (amúnimúyè)

A folha que nos referimos é conhecida nas casas de Candomblé como amúnimúyè, que significa “aquela que se apossa de uma pessoa e de sua inteligência”. Devido a suas propriedades mágicas é considerada importantíssima nos rituais de iniciação, onde, associada a outros componentes, irá facilitar o transe e permitir que o orixá se aproxime de seu filho. Embora esteja ligada ao transe, é considerada uma folha eró e não gún. Seu principal aspecto é masculino e seu elemento é o ar.

No Brasil o amúnimúyè é também conhecido pelos nomes balainho-de-velho, perpétua-roxa ou perpétua-do-mato. Em terras tupiniquins, a espécie original (Senecio abyssinicus) foi substituída pelo Centratherum punctatum, ambas pertencentes à família botânica Compositae, segundo nos informa Eduardo Abiodun.

 

 

 

Centratherum punctatum (Jardim Botânico do Rio de Janeiro)

Estudos das folhas de balainho-de-velho, baseados em análises fitoquímicas, revelaram a presença de, pelo menos 49 componentes, entre flavonóides, taninos e glicosídeos, dos quais os flavonóides apresentaram comprovada atividade antibacteriana. Outras substâncias abundantes nesses extratos vegetais foram os sesquiterpenos, presentes em diversos óleos essenciais. Além da ação antimicrobiana, o extrato de balainho-de-velho também apresentaria propriedades antioxidantes.

 

 

 

 

 

 

Senecio abyssinicus

Um fato interessante dessa planta é que ela se destaca como uma das principais flores visitadas pelas abelhas da espécie Apis mellifera, sendo excelente fornecedora de néctar, ajudando assim no aumento da produção de mel. Segundo é bem conhecido por todos no Candomblé, o mel é uma das principais kizilas (ewó/interdito) de Oxóssi.. Dizem que quando ele come mel, fica completamente perdido, sendo facilmente dominado.. Igual a Barú quando come ilá (quiabo).. Lembram da lenda que contamos? Ossain não era bobo e sempre carregava amúnimúyè em sua grande cabaça (igbá) do mistério.

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SAIBA MAIS LENDO:

PESSOA DE BARROS, J. F. . Aspectos Simbólicos da Possessão Afro-Americana. In: Maria Teresa Toríbio Brittes Lemos; José Flávio Pessoa de Barros. (Org.). Reflexões sobre José Marti. Rio de Janeiro: PROEALC / CCS / UERJ, 1994, v. 1, p. 25-38.

Composition of the Leaf Oil of Centratherum punctatum Cass. Growing in Nigeria. ISIAKA A. OGUNWANDE ET AL.

Journal of Essential Oil Research/497 Vol. 17, September/October 2005.

Leaf extract of Centratherum punctatum exhibits antimicrobial, antioxidant and anti proliferative properties. NAVEEN KUMAR PAWAR & NEELAKANTAN ARUMUGAM

Asian Journal Pharm Clin Res, Vol 4, Issue 3, 2011.

TEXTO ESCRITO POR  JONATAS GUNFAREMIM

 

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Owérenjèjé, Ewé Jejé, Ewé Àse, Mísínmisìn (Abrus precatorius) (REPOSTAGEM DE 12/01/2010)

Jequiriti, olho-de-pombo, tento-miúdo, olho de saci, olho- de-exú.

Trepadeira nativa da Mata Atlântica e de Florestas do Caribe, essa folha possui imenso prestígio entre os adeptos do Candomblé, pois é uma das principais folhas de Esú e Osaiyn. Algumas pessoas costumam brincar que enquanto Ogún se veste com o mariwo, Ossaiyn se veste com o owérenjèjé. Outro nome que recebe é Ewé Àse (folha do poder), denotando assim sua grande força e motivo pelo qual merece destaque. Embora seja considerada a primeira folha do orò, durante o ritual da Asà Òsányìn é a folha que deixamos para cantar por último, momento em que, logo após, se canta para Esú Odara. O tento miúdo guarda muitos mistérios consigo pois, ao mesmo tempo que permite que o Esú individual (Bara) dê caminhos aos homens também pode trazer muita confusão e discórdia, quando empregada de forma incorreta.

É muito usado dentro da Santeria na forma de Omí eró, os negros cabinda a chamam pelo nome de Nfingu e utilizam suas folhas para acalmar a tosse, maceradas com vinho de palma ou simplesmente mastigando-as. Entretanto, o jequiriti é extremamente tóxico, uma vez que de suas sementes é extraída uma grande quantidade de proteínas venenosas, entre elas a abrina, que possui ação parecida com o veneno da víbora. Por isso está incluída entre as plantas mais venenosas do mundo. Suas propriedades toxicológicas e fisiológicas são capazes de aglutinar hemácias impedindo assim a circulação do sangue, sendo altamente letais em pequenas quantidades. Essa planta ficou muito conhecida no filme “A Lagoa Azul”, pois teria sido a “planta proibida” que após ser ingerida pelo casal de amantes levou os mesmos a morte.

Na fitoterapia, suas folhas costumam ser aplicadas em solução sobre a pele, em caso de eczemas cutâneos e para tratar conjuntivite (1 mL de líquido da semente em 100 mL de água). As sementes servem como contraceptivo oral, misturadas com outros ingredientes. É importante observar que a ingestão de suas sementes cruas pode causar dor abdominal, náusea, vômito, diarréia, calafrios, vertigem, desmaios e sangramento retal. Alguns estudos revelaram que a abrina quando aplicada na forma de injeção subcutânea pode causar convulsão e morte devido à paralisia cardíaca. Por isso devemos ter muito cuidado com a utilização desse poderoso ewe, que é extremamente quente (gún).

 

Abrus precatorius

Owérenjèjé Owérenjèjé

Ewé pákún obarìsà

Ìbà ni bàbá

Ìbà ní yèyé

Ìbà ‘ba mi s’omo

S’omo mà ‘rò

A fi ipa nla d’à

K’orò ko ba

Ògún Akóro Oba Aláyé

Òdé Àrólé Oba Aláyé

Òsun Èwùjí Ìyá Aláyé

Yemojá Àòyó Ìyá Aláyé

Oba Alado Oba Aláyé

Bàbá Àjàlé Oba Aláyé

Òrìsà gbogbo Oba Aláyé

 

 

Owérenjèjé Owérenjèjé

Folha poderosa do orixá

A benção é do pai

A benção é da mãe

A benção, pai que acolhe o filho

Que os filhos façam devidamente o ritual

Aquele que usa grande força para ordenar

Que o ritual não falhe

Saudamos Ogum, Rei do Mundo

Saudamos Oxossi, Rei do Mundo

Saudamos Oxum, a Mãe do Mundo

Saudamos Iemanjá, a Mãe do Mundo

Saudamos Xangô, Rei do Mundo

Saudamos Oxalá, Rei do Mundo

Saudamos todos os orixás, Reis do Mundo

 

 

 

Ewêronjejê, ewêronjejê

Maladiorixá Baracobatalá

Igbare babá igbá ô

Igbá Yeyê igbá ô

Iyá moro abewá gbogbo orisá

Tum tum tum ô tum Tum

Menem indá ke ninjô ki feromá

Da ki ninjô labo ejé

Omon ikú ô lesse babá

Ewe si ewápegi, Ewe si ewápegi

Orolufan Ganjú laê

Ewe si ewapegi

 

Oni sebewá, Oni sebewá

Babá Igbô Oni sebewá

 

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Ewe Ábèbè Òsún- Erva capitão (Hydrocotyle bonariensis) REPOSTAGEM (30/07/09)

 

Foto tirada em Janeiro de 2011 na Praia da Barra da Tijuca (RJ).

Folha muito apreciada pela Senhora das Águas, Òsún. Erva de muito asé e que traz muita prosperidade. Sua aparência lembra o abebe de Òsún (e também Iyemonjá) sempre traz consigo, e que utiliza tanto para se admirar, como para se proteger dos seus inimigos. Outros nomes que recebe são: erva-tostão e folha-de-dez-réis, sugerindo que suas folhas lembram moedas, dinheiro. É interessante observarmos que essa denominação vai de encontro a sua utilização nas casas de candomblé, que a utilizam para atrair a prosperidade dessa iyagbá, que ama o ouro. Ainda chamamos o abebê de acariçoba, lodagem, erva-capitão e em Portugal é conhecida como chupa-chupas (pirulitos).

O nome grego Hydrocotyle refere-se à afinidade de muitas destas plantas pela água (Hydro significa água) e ao formato das folhas (kotyle= significa pequena xícara). Existem diversas espécies pertencentes a gênero Hydrocotyle, entretanto podemos destacar duas: a H. vulgaris, que gosta de lugares alagados e possui folhas na posição horizontal (viradas para cima) e a H. bonariensis, que vive em solo arenoso perto da praia com folhas que ficam na vertical (em pé).

 

Folha de abebê de Oxum.Segundo os antigos, o abebê utilizado para Òsún seria aquele que nasce na beira d’água, enquanto aquele que nasce em locais secos seria atribuído ao orixá Sango, sendo inclusive uma de suas maiores folhas de fundamento. A Hydrocotyle bonariensis é uma espécie pioneira, típica de restingas litorâneas, formada por um caule comprido, rastejante, que se subdivide várias vezes e que, a intervalos irregulares, vai lançando hastes verticais, ora com folhas ora com flores. Como o caule está soterrado na areia, só as folhas e inflorescências ficam visíveis. Na praia da Barra da Tijuca essa espécie é vista em abundância vegetando próxima dos quiosques.

 

Na fitoterapia costuma-se fazer uma espécie de creme com as folhas para aplicar na pele, com o intuito de acabar com manchas e sardas. A ingestão das folhas é contra-indicado, devido às mesmas serem consideradas tóxicas, entretanto suas raízes costumam ser utilizadas em decoctos, tida como diurética e desobstruente do fígado, porém é emética (provoca vômito) em doses fortes. Sua função diurética também faz com que seja utilizada no tratamento de hipertensão arterial. Seu uso durante a gestação deve ser evitado. Pessoa de Barros e Eduardo Napoleão em sua obra Ewé Òrìsà (1999) citam que suas folhas teriam ação calmante e tonificante cerebral, quando ingeridas com leite.

 

 

Por isso cantamos para essa folha, que dá poder para quem canta:

Ábèbè ni gbo wa Ábèbè ni n’bó

Ewe ábèbè Ábèbè ni gbo wa Ábèbè ni n’bó

Ewe ábèbè

Tradução livre: É a folha de Abebe que iremos ouvir Folha que cultuamos sobre a ení, Folha do Abebeemails de pessoas juridicas de rio de janeiro.

 

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Flores do abebê da praia

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Estudo revela que árvores gigantes cariocas foram preservadas por razões religiosas e práticas

ESTÃO DESCOBRINDO AQUILO QUE NÓS, RELIGIOSOS DE MATRIZ AFRICANA E INDÍGENA, JÁ ESTAMOS CANSADOS DE SABER..

LEIAM ESSA REPORTAGEM! FONTE: http://oglobo.globo.com/sociedade/sustentabilidade/estudo-revela-que-arvores-gigantes-cariocas-foram-preservadas-por-razoes-religiosas-praticas-16503328

Levantamento do Departamento de Geografia da PUC-Rio indica como figueiras, jequitibás e jatobás foram capazes de resistir ao tempo

POR ANA LÚCIA AZEVEDO 

20/06/2015 6:00

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/sociedade/sustentabilidade/estudo-revela-que-arvores-gigantes-cariocas-foram-preservadas-por-razoes-religiosas-praticas-16503328#ixzz3dk7Bhb1F
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RIO — Elas são imensas majestades. Visões do passado. E representam esperança para o futuro. Sobreviventes da Floresta Atlântica original em todo o luxo, poder e glória, as grandes árvores se destacam em meio à multidão de vizinhas de dimensões acanhadas, típica das matas secundárias, replantadas. As gigantes estão logo ali nas urbanas florestas da Tijuca e da Pedra Branca, assim como nas demais remanescentes do bioma. Acessíveis a qualquer um que queira vê-las, tocá-las, apreciá-las.

 

Estudos recentes sobre a Mata Atlântica traçam um cenário de céu e inferno. Descobriu-se que, uma vez destruída, a mata leva até dois mil impossíveis anos em escala de vida humana para recuperar a biodiversidade. Porém, a plenitude de algumas dessas gigantes aponta caminhos para restaurar aquele que é considerado um dos mais ricos biomas do mundo, essencial para a existência da água que abastece Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e outros tantos estados do Brasil. Uma floresta que integra o sistema de controle do clima regional e, mesmo reduzida a menos de 8% do tamanho pré-Descobrimento, fornece ativos com aplicação farmacêutica e biotecnológica.

 

A sobrevivência das gigantes das florestas cariocas resulta da peculiar combinação de tradições religiosas, superstição e, no fim das contas, uma mistura de pragmatismo com certa dose de preguiça. Estudo do grupo de Rogério Ribeiro, pesquisador do Departamento de Geografia da PUC-Rio, revela a mão do acaso na salvação de figueiras, jequitibás, jatobás que ainda vivem em lugares como as matas junto à Vista Chinesa e ao Cristo Redentor. Árvores com fôlego para superar os 30 metros de altura e séculos de frondosa resistência.

 

UM CASO EXEMPLAR

O caso da Floresta da Tijuca é exemplar. Notoriamente replantada no trabalho do major Manoel Gomes Archer que beirou o heroísmo, ela também abriga gigantes nascidas antes de o major vir ao mundo e D. Pedro II mandar a recuperar a floresta para salvar o Rio da falta d’água nos anos 1860. De fato, pelos cálculos de Ribeiro, Archer e os escravos que trabalharam com ele plantaram 105 hectares — o que não é pouco. Mas a natureza fez a maior parte do restante, mesmo se forem levados em conta os esforços de sucessores de Archer, como o Barão d’Escragnolle. E a natureza pôde cobrir suas cicatrizes, em parte, porque árvores nativas como as figueiras ainda estavam lá.

A salvação das figueiras é obra do Divino. As figueiras estão na tradição religiosa cristã e africana, explica Rogério Ribeiro. Daí que cortá-las era um passo para a danação.

— No Evangelho de São Marcos há um trecho que menciona o fato de Jesus ter secado as figueiras que não davam frutos — diz ele. — Por muito tempo, se considerou péssima idéia tocar em figueiras; na verdade, tocá-las era um passo para a maldição. Fazendeiros e carvoeiros derrubavam vastas áreas, mas muitas vezes poupavam as figueiras.

 

Já na tradição religiosa trazida pelos africanos, a figueira não é temida, mas querida. É associada a Iroko, um orixá muito antigo no candomblé ketu. Segundo algumas tradições, seria a primeira árvore a ter sido plantada. Em outras, ele habitaria a árvore que no Brasil seria a gameleira ou figueira-branca. Há várias concepções. Em todas, a presença do sagrado.

As árvores de origem de todas essas crenças são de espécies africanas ou do Oriente Médio e Europa. Mas isso não fez muita diferença por aqui.

 

— Claro que se tratam de figueiras de espécies distintas das que existem aqui. Mas essa diversidade botânica nunca interessou aos colonos e fazendeiros de origem portuguesa e tampouco aos escravos africanos. Figueira era figueira e ponto. A maioria é muito parecida — explica Ribeiro.

Os escravos africanos foram ainda os responsáveis pela proliferação de plantas bem menores, mas muito conhecidas, como as espadas-de-São-Jorge (e de Iansã), comigo-ninguém-pode e bastões-de-Xangô. Todas plantas africanas com mudas trazidas da África pelos escravos.

— Eram vistas como sagradas e se adaptaram muito bem à Floresta Atlântica. Hoje, são tão comuns que muita gente as imagina como nativas. Na verdade, são estrangeiras que se sentem em casa. E é errado tratá-las como invasoras, porque não fazem mal algum à mata e estão em equilíbrio — observa Ribeiro.

 

 

Jequitibá na Floresta da Tijuca resistência ao tempo: Ana Lúcia Azevedo/ Agência O Globo

 

TAMANHO PROTEGEU JATOBÁS E JEQUITIBÁS

 

Outras árvores de grande porte, como jequitibás e jatobás centenários, foram salvas pelo próprio tamanho.

 

— Muito do desmatamento não foi feito apenas para a lavoura. A fabricação de carvão vegetal, que fornecia considerável parte da energia do Rio, dependia do abate das árvores das florestas dos maciços da Tijuca e da Pedra Branca. Porém, para queimar a lenha e fazer carvão era melhor usar árvores menores, fáceis de abater, em vez de uma gigante, principalmente se esta ficasse nas partes mais elevadas das encostas — explica o pesquisador.

 

Derrubar um jequitibá de 20, 30 metros implicava em cortar as toras e trazer tudo para as partes mais baixas, onde ficavam as carvoarias. Estas eram estruturas rudimentares, arredondadas e insalubres, cujos vestígios são encontrados em triste profusão logo abaixo do subsolo das florestas do Rio. Estão por toda parte. Uma carvoaria descoberta recentemente fica na trilha que leva o nome de um jequitibá milenar e morto há alguns de velhice, a cerca de um quilômetro da estrada para a Vista Chinesa.

 

— Havia muitas carvoarias. Foram essenciais para a cidade por séculos. Descobrir seus restos, porém, não é nada fácil. Os carvoeiros que trabalharam nessas florestas até mais ou menos a reforma de Pereira Passos (na primeira década do século XX) tinham uma vida miserável e deixaram poucos vestígios — conta Ribeiro.

 

A análise do carvão encontrado nesses sítios arqueológicos, todavia, tem contribuído para reconstituir a paisagem da floresta do passado e descobrir que árvores menores, hoje desaparecidas, foram torradas para fornecer energia à cidade.

 

Nem todas as gigantes são sobreviventes da velha floresta. Algumas são pioneiras dos primeiros tempos da restauração e hoje exibem copas quase tão frondosas quanto suas vizinhas mais antigas. Dentre essas espécies estão o jacatirão e a carrapeta, importantes para o estabelecimento do que a ciência chama de floresta secundária, uma mata sem a riqueza biológica da antecessora, mas já capaz prestar serviços ambientais essenciais, como a manutenção de mananciais.

 

— Todas têm um papel relevante. O papel das figueiras para a fauna é imenso. Mas as pioneiras criam condições para a volta de outras espécies — frisa Ribeiro.

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Odundun, Teté, Rinrin

 

..”At’òjò àteèrùn kì í re òdúndún

At’òjò àtrùn kì í re tètè

At’òjò àtrùn kì í re rinrin..”

 

..”Odundun nunca está doente, nem na estação chuvosa nem na seca

Teté nunca está doente, nem na estação chuvosa nem na seca

Rinrin nunca está doente, nem na estação chuvosa nem na seca..”

 

 

Que a saúde e a paz sejam sempre presentes

 

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Não devemos quebrar promessas feitas aos voduns

 

Iroko Africano

Esta é a história de um homem pobre que se chamava Kakpo. Esse fato aconteceu em Tendji.

Há muito tempo, Loko era uma árvore sagrada. Havia um homem pobre que trabalhava com o machado. Ele cortava árvores para conseguir madeira. Um dia, encontrou uma árvore boa para cortar. Ele foi cortar Loko.

Loko lhe disse: -Não me corte. Nenhum homem deve me cortar. Há três voduns que vivem na árvore de Loko: Dan, Dangbe e Tohwivo, do clã de Ayato, uma vila em Abomey. Loko tem sete tipos de pequenas cabaças duplas. Loko disse ao homem:

- Vire-se para mim. Se eu lhe der riquezas, você fará tudo que eu mandar?

O homem lhe respondeu: -Sim!

Loko deu-lhe sete das pequenas cabaças duplas e disse-lhe: Encontre um bom lugar e quebre uma na terra. Se eu der as riquezas você me dará um boi anualmente?

-Sim, respondeu o homem.

Aquele lugar onde o pobre homem quebrou a primeira cabaça tinha se tornado sagrado. Quebrou então a segunda.

Muitas casas apareceram.

Quando quebrou a terceira cabaça as casas foram cercadas por paredes.

Com a quarta, redes, bancos e almofadas apareceram, tudo que era necessário à um rei.

Quebrou a quinta cabaça e viu muitas pessoas nas casas. Com a sexta surgiram cavalos. Montou um cavalo. Quand quebrou a sétima cabaça encontrou Fa e Legba, e não apenas as coisas para adorá-los.

Mas Kakpo não deu a Loko o boi que lhe tinha prometido.

Loko se transforma em um homem pobre, usando roupas de ráfia, e vai pedir água a Kakpo.

Encontrou o Minga de Kapo, que se tornou rei.

O minga disse: – Saia daqui! Que tipo de homem é você que veste-se com roupa de ráfia?

E Loko foi afastado. Voltou uma segunda vez. O minga surrou-o com um chicote. Loko foi embora. Voltou uma terceira vez. Os aldeões estavam ocupados em cultivar para o chefe. Bateram em Loko novamente.

Desta vez, Loko começou a cantar uma canção:

-”Ponham aqui as sementes, venham aqui e dancem para mim, seus dançarinos que dançam bem”.

Loko cantava assim e, enquanto cantou, todas as pessoas que cultivavam desapareceram.

Kakpo ficou pobre outra vez. Loko deixou-o somente com um pano de ráfia. Fa retornou ao seu reino.

Kakpo foi outra vez à Loko. Diante dele, encostou sua testa na terra e implorou que Loko o perdoasse. Disse: -Eu lhe darei o boi que havia prometido. Mas Loko recusou.

Kakpo e sua vila viveram o resto de suas vidas pobremente.

FONTE: WWW.KWECEJANEJI.ORG

Árvores associadas a Loko

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Iròko berè kwe sató, Dabió Dabió

Loko hamunya hungebe, hungebe ahoboboy!!!

Folha de Iroko- Bosque da Freguesia (Jacarepaguá (RJ))

 

Dizem os antigos que uma súplica aos pés do atinsá de Loko possui uma força inacreditável:

Loko ajebè oní o, Ae ae ae Ajebè lésè vodun.

Ali reside toda a força desse vodun, cujas raízes atravessam a terra e os galhos chegam aos céus. Seu tronco não deve ser magoado com facão, nem machado. Suas folhas devem ser colhidas com cuidado.. Deve-se ter o cuidado de catá-las ao chão, observando-se a posição de sua caída.. Depende do que se deseja, se não souber o que quer e nem como fazer, melhor não colher.

Evitamos esse atinsá à noite, lá moram muitos espíritos.. Não se deve falar alto, Loko é rabugento e não gosta.

Para esse vodun me prosto ao chão e presto minha reverência:

“Ala deja tomahin

Azon viete

Azon ilewaiye!”

TEXTO ESCRITO POR JONATAS GUNFAREMIM (PLÁGIO É CRIME- CITE A REFERÊNCIA)queima de 48

 

Gunfaremim e Jequitibá (Cariniana legalis). Exemplar estimado em mil anos de vida. Parque dos Três Picos (Cachoeiras de Macacú(RJ))

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Teté, Oriri e Odundun.. Oogun awure

Èta owó èta omo

Três é dinheiro, três são filhos

Três vezes eu cantei

Três vezes eu fui ouvido


Ogum abriu os meus caminhos

Ele ouviu Teté e a guerra mandou parar

Me deu força e muita coragem

Para que a paz eu pudesse encontrar


Se o orixá você quer buscar

É para Oriri que deve cantar

Assim como úmida é a casa do caramujo

O fogo, jamais o meu ori alcançará


Quem a paz espalha

A calma terá como companhia

Eró, eró! O Alá é nosso acalanto

Oxalá será sempre nosso Guia


A pata, o pombo, o cágado e a d’angola choraram

Mas Odundun suas lágrimas apaziguou

É funfum, é Babá

Com Teté e Orirí toda a Terra acalmou


Que o encanto aconteça

E as folhas consigam nos ouvir

Quer que seus olhos enxerguem

Omim eró é o caminho a seguir..

 

TEXTO ESCRITO POR JONATAS GUNFAREMIM (PLÁGIO É CRIME- CITE A REFERÊNCIA)queima de 48

 

Ewé Tètè (Amaranthus viridis) Caruru.

Tètè kó mó tèé o

Awa ni ‘jo n’ilé

Tètè kó mó tèé o

Awa ni ‘jo n’ilé

 

Teté nunca perde a primazia

Nós temos o conhecimento da terra

Por isso teté continuará se espalhando

Quem pode mais que o Dono da Terra?

 

 

Rinrin (Peperomia pellucida) Oriri

Iyì rinrin àtòrì ó

Iyì rinrin àtòrì

Ba iyin se ìmólè

Ba iyin si mo ba’ri ba’ro

Báísà ba Bàbá S’Òrun

Atá kò ro oju àlà fori kan

Iyì rinrin àtòrì

Bàbá ko’yé tún (E nji/ E Ajale)

 

Oriri é forte como um atori

Valorizamos oriri como a um atori

Glorificamos o Grande Espírito

Que abençoa e protege nossas cabeças

Pai dos Orixás, Pai do Céu infinito

A pimenta não é mais forte que o Alá que cobre nossas cabeças

Valorizamos oriri como um atori

Pai que faz o mundo continuamente

 

 

Odundun (Kalanchoe brasiliensis) Saião

Òdúndún Bàbá t’èrò ‘le

Òdúndún Bàbá t’èrò ‘le

Bàbá t’èrò‘le

Imólè t’èrò ‘le

Òdúndún Bàbá t’èrò ‘le

 

Odundun, Pai, espalhe a calma sobre a terra

Irunmalé, espalhe a calma sobre a terra

 

TEXTO ESCRITO POR JONATAS GUNFAREMIM

 

 

 

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DICAS DE LEITURA- ETNOBOTÂNICA

Aqui vão duas dicas importantes para aqueles que se interessam por etnobotânica, e buscam entender melhor essa área do conhecimento, onde os valores tradicionais merecem um destaque todo especial.

O primeiro livro é sugerido para os iniciantes na área, o segundo já é indicado para aqueles que buscam um maior aprofundamento nessa disciplina fantástica. Boa leitura!

 

 

Introdução à Etnobotânica – Ulysses Paulino de Albuquerque

  • Gênero: Ciências Biológicas
  • Subgênero: Biologia,  Botânica
  • Autor: Ulysses Paulino de Albuquerque
  • 2a. edição , 2005
    Formato: 14x21cmBrochura80 páginas
  • Editora: INTERCIÊNCIA

O livro levanta algumas das principais questões com que o neófito se depara ao estudar qualquer área de especialização da ciência.  Vários conceitos são apresentados ao longo dos capítulos, que refletem a orientação e o entendimento do autor sobre o assunto.  O livro levará o leitor por um caminho claro, cativante e objetivo, sendo um ponto de partida seguro para o pesquisador iniciante.

INTRODUÇÃO A ETNOBOTÂNICA

 

Métodos e técnicas na pesquisa etnobiológica e etnoecológica / organizadores Ulysses Paulino de Albuquerque, Reinaldo Farias Paiva de Lucena, Luiz Vital Fernandes Cruz da Cunha

Este livro representa a natural evolução do Métodos e Técnicas na Pesquisa Etnobotânica. Percebemos que o livro anterior era consultado não só por pesquisadores e estudantes interessados em etnobotânica, mas por pessoas de diferentes áreas. Tal qual o anterior, este livro foi escrito para ajudar as pessoas a lidarem com os métodos: pensar sobre os dados que coletam, escolher os procedimentos mais apropriados para a coleta desses dados, refletir sobre a sua prática, o seu fazer científico. Ao longo dos anos procuramos aperfeiçoar o texto, envolver novos colaboradores, enriquecer os capítulos, oferecer uma visão mais ampla o possível da diversidade de instrumentos que podem ser usados em uma pesquisa Etnobiológica ou Etnoecológica. Estamos seguros de que o texto não está isento de falhas, mas também estamos certos que, tal qual aconteceu com o livro anterior, receberemos sugestões e comentários do leitor para o aperfeiçoamento da obra a cada nova edição. Neste livro, o leitor encontrará 24 capítulos que abordam diferentes aspectos de uma pesquisa qualitativa e/ou quantitativa. Temos diversas obras brasileiras sobre métodos de pesquisa, e cada ano o mercado editorial ganha textos cada vez mais práticos e completos. Todavia, a intenção deste Métodos e Técnicas na Pesquisa Etnobiológica e Etnoecológica, é ser um manual de cabeceira, para ajudar você leitor a tomar decisões. Grande parte deste livro resulta da experiência dos autores com as temáticas que descrevem, de modo que seus exemplos dêem substância a ideias e procedimentos muitas vezes abstratos. Por isso, somos gratos ao comprometimento e envolvimento de todos os autores, pois tornaram esta obra possível.

Organizadores: Ullysses Paulino de Albuquerque; Reinaldo Farias Paiva de Lucena; Luiz Vital Fernandes Cruz da Cunha.

Ano: 2010 (1ªEdição)

Número de páginas: 559

Editora: NUPEEA

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Gloria Bomfim – Gameleira Branca

 

Gameleira branca de 350 anos da Lagoa dos Negros na Serra da Barriga em Maceió no Quilombo dos Palmares. Fonte: http://aranel-ithil-dior.blogspot.com.br/2014_08_01_archive.html

 

 

Iroko, Orixá-Árvore. Fonte: http://blogdovaldikim.com.br/orixa-tempo-tudo-no-tempo-tem-tempo-mitos-e-lendas-do-candomble/

 

É de xoroquê a porteira de entrada de Olorum de dê
É de xorocô a madeira sagrada de Xangô (bis)

Pra quem tem licença a porteira do mundo nunca tranca
Pra quem tem a bença do dono da gameleira branca (bis)

Bate na porteira, Pará vai abrir
Foi na gameleira, Coral e tauí
Já deu na peneira de mãe Maceline e pai Aurélio

É cajá de espada, ninguém passa ali
Essa é a minha estrada
Eu sei porque eu que vi
Que ela foi riscada na árvore do Xangô mais velho

 

Gameleira

 

Um exemplar da divindade Loko, cultuada no Bogum. Foto: Xando Pereira. FONTE: http://mundoafro.atarde.uol.com.br/tag/terreiro-do-bogum/

Gloria Bomfim- Gameleira Branca

 

 

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KANKANESIN- JEQUITIRANA (CENTROSEMA BRASILIANUM)

Nome Científico: Centrosema brasilianum (Leguminosae)

Nome Popular: Jequitirana, patinho-roxo

Nome africano: Kankanesin

Orixá: Obaluaye

 

Centrosema brasilianum

 

Centrosema brasilianum

 

 

Sàsàrà gbá’lè

Gbá’lè gbá’lè

 

Com o xaxará

Varremos as doenças pra longe

 

Centrosema brasilianum

Centrosema brasilianum

 

 

Kankanesin (Bosque da Freguesia- Jacarepaguá (RJ))

Centrosema sp. (Bosque da Freguesia- Jacarepaguá (RJ))

Folha ligada a Obaluaye (Bosque da Freguesia- Jacarepaguá (RJ))

Semente (Bosque da Freguesia- Jacarepaguá (RJ))

Semente (Bosque da Freguesia- Jacarepaguá (RJ))

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ÀFÓN- ESPELINA FALSA (CLITORIA GUIANENSIS)

Nome Científico: Clitoria guyanensis (Leguminosae)

Nome Popular: Espelina falsa, bocetinha

Nome Iorubano: Àfón

Orixás associados: Obaluayé e Nana

 

Folha ligada a mais antiga das iyagbás, Nanan, nossa Grande Avó..

Clitoria mariana

Clitoria ternatea

 

Nàná e kú’re

Omo nílé kò ràjò

Kò ràjò kò ràjò

Omo nílé kò ràjò

Nàná e kú’re

 

Nanan chegou saudando

Os filhos da casa

Ela não estava ausente

Não se ausentou

Os filhos também não se ausentaram

Por isso ela está nos saudando

 

Um dos nomes que essa grande Iyá Agbá recebe é Ikúre, ou seja, a própria morte.  Ikú é um dos filhos de Nana, dizem que são inseparáveis.. A Iku, Nana permitiu a retirada de amò, o barro sagrado que serviu para moldar os seres humanos. Mas com a garantia que amò a Ela retornasse, cada vez que o sopro divino (emí) deixasse o corpo moldado por Babá Ajalá, único momento em que  Iku poderia tomar a cabeça de qualquer um. Que Nanan permita que Ikú não nos enxergue antes do momento certo.

Saluba Nana, saluba!

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Clitoria sp.

Clitoria ternatea

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JÓKÓNIJÉ- CIPÓ-DE-COBRA (Cissampelos owariensis)

 

Cissampelos owariensis flor

O Cissampelos owariensis é uma planta medicinal pertencente a família das Menispermaceas que costuma ser conhecida no Brasil por diversos nomes: abuta, cipó-de-cobra, parreira-brava e videira-do-mato. O nome cipó-de-cobra pode ser associado ao habito da planta, que se enrola nos galhos de outros vegetais e forma grandes cipós parecidos com uma serpente. Já a denominação videira se deve ao fato de diversas espécies dessa família possuírem frutos em cachos, parecidos com uvas. A abuta, além de possuir um hábito de trepadeira é uma planta dióica, ou seja, possui indivíduos masculinos e femininos. Uma forma realizar a identificação seria a através da observação das flores, que nascem em cachos, bem pequenas e de coloração amarelada. As flores femininas possuiriam uma pétala e uma sépala apenas, enquanto as masculinas teriam quatro pétalas e quatro sépalas.

 

 

 

Cissampelos pareira

A espécie Cissampelos pareira variedade: owariensis teria origem no Continente Africano, na Serra Leoa, Uganda, Angola, Zâmbia e Moçambique. Em Gana recebe o nome de folha de veludo e orelha de rato (Akan-asante akuraso) devido a textura e ao formato de suas folhas. Os povos do sul da Nigéria, Ukwuani e que guardam uma proximidade cultural grande com os Igbo, a chamam de ebubueka enwe. Na Nigéria Ocidental recebe o nome de jokoje, que na língua Yorubá significaria “hora de parar com abortos”. O nome se deve ao fato da mesma ser uma planta extremamente conhecida na Nigéria para o tratamento local de gravidez difícil e para evitar ameaça de aborto.

 

 

 

 

Cissampelos pareira

No campo da fitoterapia o cipó-de-cobra é uma espécie extremamente utilizada no continente africano. Na Nigéria, a seiva das folhas é usada para curar a dor de cabeça e o rizoma é por vezes utilizado na preparação de flecha envenenada. No Congo, a decocção de suas hastes misturada com as folhas de outras plantas é usada como uma lavagem para o tratamento de feridas. Ainda no Congo, a seiva folha é aplicada a inchaços, e é tomada como um estomacal. No sudeste da Tanzânia o rizoma ralado é aplicado para picadas de cobra. As partes aéreas são usadas para tratar amnésia e psicoses e na preparação de medicamentos tônicos. Em Uganda, foi utilizada para o tratamento de dor de estômago em crianças, os ramos e as folhas também têm sido utilizados na cura de queimaduras.

 

 

 

 

 

 

Uma infusão de rizoma amargo, folhas ou caule de Cissampelos owariensis é usado para curar queixas gastrointestinais, como diarreia, disenteria, cólicas, e vermes intestinais. Folhas e rizomas ou seu cinzas são amplamente utilizados em várias formas para tratar abscessos, úlceras e a sarna.

Diferentes partes da planta são utilizadas no tratamento de problemas menstruais, infertilidade e doenças venéreas. Ele é utilizado para induzir a contração do útero e iniciar o trabalho de parto, e também para causar aborto e para expulsar a placenta. Mulheres do povo Bini, na Nigéria, utilizam as folhas para promover o crescimento fetal durante a gestação.

 

 

Quando as folhas são esmagadas, maceradas ou cozidas podem ser tomadas internamente para a diarreia, para promover o fluxo menstrual e durante a menstruação dolorosa ou irregular. A raiz é muito amarga e tem muitos usos medicinais. Ela ajuda na infertilidade, ajudar na gravidez difícil e evitar ameaça de aborto. Quando mastigada (raiz) com nozes do tigre (rizoma de Cyperus esculentus) passa a ter função afrodisíaca. No Brasil a noz do tigre é conhecida pelo nome de dandá.

 

Embora seja uma planta de origem africana e amplamente utilizada nesse continente o cipó-de-cobra também é muito conhecido nas Américas, principalmente pelas diversas tribos indígenas amazônicas que utilizam suas raízes, folhas e cascas para estancar hemorragias, curar dores pré e pós-natal e problemas menstruais. Outra função seria de analgésico oral e febre a partir da decocção das folhas (Tribo Waiãpi). O chá das raízes é usado como diurético, febrífugo, expectorante e para prevenir risco de aborto. Os índios Palikur, das Guianas, a utilizam como anestésico tópico. Em uma receita para agilizar o parto, as folhas devem ser trituradas e colocadas em uma pílula que deverá ser inserida no interior da vagina. Os Quíchuas, do Equador, preparam uma decocção com as folhas para curar infecção nos olhos, picada cobra e também no preparo do curare.

 

Jókónijé

A análise fitoquímica do extrato de etanol obtido das folhas de C. owariensis mostra que ele contém em alta concentração diversos fitoquímicos como: saponinas, taninos, flavonóides, e também alcaloides.

 

 

Akónijé

Nas casas de Candomblé a espécie C. owariensis costuma ser chamada de Kassahe (Jeje Mina) e akónijé, jókónijé ou jókójé (Iorubá). Dentro das casas de Ketu costuma-se dizer que seu nome significa “sentar para comer”, sendo por isso muito utilizada durante o processo de iniciação. É considerada uma folha eró indispensável para uma boa feitura, guardando consigo vários segredos, como por exemplo, o mistério da fala e do “aquietamento” dos filhos de santo.. Costuma ser associada aos orixás Oxum, Ossaiyn e Oxóssi. É interessante ressaltar que o jókónijé costuma ser confundido com uma outra folha muito parecida, conhecida pelo nome africano de tolu tolu ou em português jarrinha/ cipó-mil-homens (Aristolochia cymbifera). Embora até costumem ser utilizadas com finalidades parecidas se tratam de plantas diferentes. Pode-se dizer que o tolu tolu está para o jókónijé assim como o abamodá está para o odundun, uma espécie de ewé erú (folha escrava/substituta).

 

 

TEXTO ESCRITO POR JONATAS GUNFAREMIM

TEXTO ESCRITO POR JONATAS GUNFAREMIM (PLÁGIO É CRIME- CITE A REFERÊNCIA)queima de 48

 

Algumas Referências:

Cissampelos owariensis: Experimental review Erhirhie O. Earnest, Moke E. Goodies and Chinwuba Paul. The Pharma Innovation Journal 2015; 3(11): 75-77

Anti-diabetic effect of ethanol leaf extract of Cissampelos owariensis (lungwort) on alloxan induced diabetic rats Ekeanyanwu, R. C. *, Udeme, A. A. , Onuigbo, A. O. and Etienajirhevwe O. F. African Journal of Biotechnology Vol. 11(25), pp. 6758-6762, 27 March, 2012

 

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FOLHAS E GESTAÇÃO

 

Gunfaremim

Quando falamos em receitas para engravidar devemos ser muito cuidadosos… Primeiro temos que saber a causa pelo qual não se engravida: É espiritual apenas ou é de origem orgânica? Nós vivemos no aye (mundo dos vivos), por isso nem tudo deve ser resolvido só pelo lado espiritual. Às vezes é bom combinar os dois lados…

Toda planta possui um princípio mágico e também um princípio ativo, ou seja, a substância química que vai agir no nosso corpo e que pode intervir de formas variadas, dependendo do seu metabolismo individual, condição de saúde, idade, etc. Existem diversas ervas utilizadas para auxiliar na concepção e gestação. O seu uso deve ser feito com precaução, nunca devemos esquecer que as plantas são remédio, e o que pode separar o remédio do veneno pode ser, por exemplo, a dose. Por isso muito cuidado na sua utilização, principalmente se for ingerir através de chás.

 

Existem muitas plantas que são utilizadas pela medicina popular brasileira como abortivas. Dentre estas, destacam-se as espécies de Ruta graveolens L. (arruda), Salvia officinalis L. (sálvia), Punica gravatum L. (romã),Datura suaveolens Willd. (beladona), Allium sativum L. (alho), Aloe ferox Miller. (aloe), Angelica archangelica L. (angélica), Arnica montana L. (arnica), Cinnamomum canphora L. (cânfora), Symphitum officinale L. (confrei),Eucaliptus globulus Labill. (eucalipto), Rosmarinus officinalis L. (alecrim), Zingiber officinalis (Willd.) Roscoe. (gengibre), Cassia angustifolia M. Vahl., C. acutifolia (Delile) Batka (sene), Hibiscus rosa-sinensis L. (hibiscus),Baccharis genistelloides Pers. ou B. trimera (Less.) DC. (carqueja), Peumus boldus Molina (boldo), Luffa operculata Cogn. (buchinha do norte), Artemisia vulgaris L. (Artemísia), Hibiscus sabdariffa L. (hisbiscus) (Moreira, 2001; Basu, 1946; Suttisri, 1994; Mengue et al., 1997; Veiga Jr., 2005; Nácul et al., 2001; Frimpong, 2008). LER ARTIGO CITADO ABAIXO.


Por exemplo, existem folhas que quando ingeridas afinam o endométrio (tecido que reveste a parede interna do útero e onde o embrião vai se fixar e se desenvolver durante a gestação). Uma mulher que faço uso contínuo desse tipo de erva vai ter dificuldade para engravidar, pois o embrião não vai conseguir se implantar. Outras ervas tem efeito citotóxico, ou seja podem intoxicar e afetar negativamente o feto em desenvolvimento. Ainda existem aquelas que aumentam a contração da parede do útero, levando ao aborto, a exemplo do nosso tolu tolu (cipó-mil-homens/jarrinha- Aristolochia sp.).

Bom, mas também existem as folhas que nos auxiliam… uma que costuma ser bem utilizada é o Ìyèye (aperta ruão- Piper mollicomum), folha da Senhora da Gestação, Osun. Seu uso é feito na forma de banhos e sacudimentos em casos de dificuldade em engravidar, não devendo ser ingerido, pois é abortivo. Outras folhas utilizadas em banhos, também de Osún, são o gbági (pata de galinha- Eleusine indica), o òrúru (tulipa africana- Spathodea campanulata) e a flor de Èsá pupa de cor amarela (mimo de vênus- Hibiscus sinensis).

Obs: Antes de utilizar qualquer folha procure o auxílio de alguém de sua confiança, um sacerdote (sacerdotiza) que conheça os ewe (nsabas) e seus segredos, ou até mesmo um fitoterapeuta sério. Lembre-se que uma erva pode servir para mim e não ser indicada para você. O poder das folhas é grande, uma folha bem empregada pode levantar uma vida, mas também pode causar sérios problemas.

 

Plantas medicinais abortivas utilizadas por mulheres de UBS: etnofarmacologia e análises cromatográficas por CCD e CLAE. Souza Maria, N.C.V.; Tangerina, M.M.P.; Silva, V.C..; Vilegas, W.; Sannomiya, M.

Rev. bras. plantas med. vol.15 no.4 supl.1 Botucatu  2013.

 

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ERÓ IGBIN- ERVA-DE-BICHO (BRILLANTAISIA LAMIUM)

Èrò ìròkò iso èrò

Ai rokò isi’lé..”

 

Folha ligada ao culto de Osalá e dos demais orixás funfun. Pode ser encontrada em locais úmidos, próximo de fontes d’água e beira de rios. Dizem que por seu um dos alimentos preferidos do igbin recebeu o nome de eró igbin, ou seja, calma do caracol (ou mistério do caracol).

 

Horto do Jardim Botânico (RJ)

Horto do Jardim Botânico (RJ)

 

 

 

 

 

 

Um dos nomes africanos que também pode ser conhecida é ewé omi tútù (folha da água fresca, que apazigua). Dizem que algumas folhas quando maceradas e postas no casco de um caracol são capazes de acalmar e trazer paz a qualquer ori.

Conta uma lenda que existiam três irmãos, filhos de Oxalá e que nasceram do casco do ìgbín: Já, Jagun e Ajagunan. Com o tempo os três se tornaram grandes guerreiros inseparáveis. Em uma de suas aventuras os três tentaram invadir as terras de Osun,  a grande Senhora das Águas. Mas Osún não era boba e por ser grande feiticeira utilizando de seus poderes de Iyámí preparou um atin (pó) com a casca de ìgbín. Quando os guerreiros chegaram para conquistar o seu reino foram cegados com o pó. Nesse momento os três se separaram: Já foi parar nas terras de Ogun, Jagun nas de Omolú e só Ajaguna conseguiu retornar para junto de Oxalá. A partir desse dia Osún deixou de utilizar o ìgbín em seu culto, evitando inclusive que suas filhas pronunciassem esse nome. Dizem que ela prefere chama-lo por aginiso.

É interessante observar que o casco do ìgbín guarda forte ligação com Èsù, sendo também um elemento de seu culto. O Òkòtò é uma variedade de caracol, como o ìgbín, de concha cônica, aberta no topo. Òkòtò demonstra que Èsù, embora se multiplique em infinitas formas, possui uma única origem. Isso pode ser constatado em um pequeno fragmento do odu Ògbè Ìretè: “Béé ló sì n fi esè kan gogogo, pòòyì rányìnrànyìn kálè”Òkòtò, com uma perna só rodopia por toda a terra”.

Quem não tiver um Èsù em seu corpo não existe, tampouco sabe que está vivo, uma vez que obrigatoriamente cada um deve ter seu próprio Èsù e o próprio Olorum em seu corpo. Motivo pelo qual todo iniciado no Candomblé tem assentado Bara e Òlá.

O igbin  é considerado uma das maiores oferendas para Osalá sendo também chamado de “boi  de Oxalá”, devido a sua importância.

Para ele cantamos: “Bàbá ìgbín, Ìgbín ta ni rere”.

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