ERU O ESCRAVO

 

 

Eró, Iroko eró..

Apesar do ranço histórico que essa palavra carrega o termo “escravo” é amplamente utilizado na cultura africana. As ewé érú (também chamadas ewé òfá) são conhecidas como folhas escrava ou substitutas. Nesse caso a conotação não é pejorativa, mas sim que essa folha está intimamente ligada a principal, são parentes.

Durante a Asà Òsányìn dizemos o tempo todo: Eru aje!

Uma das traduções possíveis é “escravo das feiticeiras”. Estamos falando de Eleyé, as Senhoras do Pássaro, ao qual Osányìn está ligado. Eyé é a ave que está subordinada a Òsányin, a ele conta tudo. Eyé também presta serviços as Iya Mí Agbá, dizem que as mesmas se transformam em um. O opéré é uma ave, relacionada ao mito de Òsányin, voa alto, mas sempre retorna para o seu senhor, pousando em sua ferramenta ou se aninhando dentro da cabaça (ado). Logo é seu escravo, mesmo sendo livre.

Existe um mito (itan) que Òsányìn costuma ser acompanhado por outra entidade muito pequenina, e que às vezes também é descrita com uma só perna. Essa entidade seria Aronì. Os mesmos mitos citam Aroní como sendo escravo de Osányìn.. Em iorubá poderíamos, de repente chama-lo “Òsányìn sí kékeré”.. O pequeno filho de Ossaim..

 

 

Existe uma korin ewé que nos remete a essa divindade: O igi igi otá Aronì o/ Igi igi otá Aronì/ Ewé bo igi igi/ Ni a oró oògun man/Igi igi otá Aronì (A árvore é a pedra de Aronì, as folhas e a árvore conhecem os segredos da medicina e da mágia, a árvore é onde Aronì está assentado).

A palavra erú significa escravo, servo ou mensageiro, mas dependendo de como for escrita (e acentuada) pode ganhar vários significados: carga, peso, medo.. Vamos imaginar um rei, que não pode estar presente em um evento, manda a quem representá-lo? Seu mensageiro, que muitas vezes é um escravo.. Quando não conseguimos determinada folha, utilizamos a sua escrava (mensageira).

Embora a escravidão no Brasil tenha assumido um dos seus piores aspectos, já existia entre os povos africanos. A diferença crucial é que na África um escravo era respeitado.. Vários mitos contam como Xangô conquistava reinos e possuía diversos escravos. Pensar nessa palavra (escravo) sem pensar em seu contexto é o mesmo que pensar em Exú sem levar em conta o seu caráter ambíguo..

 

“Amor é fogo que arde sem se ver;/É ferida que dói e não se sente;/É um contentamento descontente;/É dor que desatina sem doer”.

 

“Ler significa reler e compreender, interpretar. Cada um lê com os olhos que tem. E interpreta a partir de onde os pés pisam.”

 

Uma coisa fantástica de se conviver em comunidade é que cada um tem a sua forma de pensar e agir, ninguém precisa concordar o tempo todo com o que outro diz. Essa é uma das nossas maiores riquezas, conseguimos discordar e mesmo assim nos respeitar. Concordo totalmente que a escravidão sempre será uma coisa horrorosa e triste. Também concordo que as traduções são formas de interpretação dos fatos, que muitas vezes vão favorecer a visão daquele que interpreta..

 

Só discordo totalmente quando alguém afirma que é contra o uso, “interpretação” ou tradução da palavra escravo. Não acho que deixando de utilizar uma palavra iremos apagar o seu significado. A História nos ensina isso.. Em 14 de Dezembro de 1890 todos os papéis, livros de registros fiscais e de matrículas do período da escravidão no país foram queimados, por ordem de Rui Barbosa (Ministro da Fazenda). Embora existam outras explicações menos nobres, se diz que foi para que esse período tenebroso de nossa História fosse esquecido. Será que conseguimos esquecer? Claro que não, pelo contrário, a escravidão está mais viva do que nunca.

 

Por outro lado, essa tentativa de esquecimento gerou um problema muito sério.. Com a perda desses documentos foram perdidos os registros de procedência desses homens e mulheres que chegaram aqui na condição de escravos.. Embora trouxessem em sua alma todas as lembranças, não tinham mais como provar de onde vieram.. Isso faz com que atualmente seja muito difícil, quase impossível, para algum afro-descendente tentar provar legalmente que seu avô (ou bisavô) tenha sido escravo, ou ainda qual era a sua origem: Angola, Zambia, Nigéria, Benin, Savalu.. Gostaria muito de comprovar legalmente minha(s) origem(ns) africanas, adquirir dupla nacionalidade, mas como? Foi tudo queimado..

 

No meu axé (Engenho Velho) costumamos realizar, no dia seguinte a festa do nome, a cerimônia do Panan, onde será feita as quebras das kizilas do iyawo. Uma das etapas dessa cerimônia é a compra do Iyawo, que é apresentado a todos como um escravo.. É feito uma espécie de leilão e aquele que der o maior lance fica com o iyawo. Para uma pessoa mais desavisada o ritual pode parecer um ato de violência e sem sentido. Expor alguém, como escravo, que absurdo.. Mas me recordo bem, meu pai sempre explicava a todos ao final do ritual: “um filho de santo (iyawo) não se vende e nem se compra, o valor de cada um é único e não há dinheiro que pague.” Aquele ritual nos fazia recordar de todo o sofrimento de nossos ancestrais, mas ao mesmo tempo também nos fazia mais fortes. Sabíamos que a partir daquele momento não estávamos mais sozinhos, tínhamos um orixá a nos proteger, fazíamos parte de toda uma comunidade, estávamos novamente ligados aos nossos ancestrais, sabíamos o nosso valor. Teríamos que continuar resistindo..

 

Embora saiba que a escravidão não ocorreu exclusivamente com os povos africanos, escrevo principalmente pensando nesse povo, já que são meus ancestrais mais próximos. Não gosto da palavra “matar” ou “sacrificar”, entretanto sei que sempre farão parte do culto, nas Casas de Candomblé, embora já existam pessoas querendo modificar isso também. Como oferecer determinadas oferendas a Ogún sem cantar; “èjè s’orò ‘ro Ògún pa o”? Quando uso a palavra eru como escravo, tenho o mesmo pensamento. Embora possam carregar uma simbologia difícil de ser entendida para alguns, faz parte da cultura que herdamos (que não é a cultura ocidental). E outra coisa, sabemos o porquê e quando as utilizamos..

 

Com relação à frase “O pássaro, é escravo de Ossain, ainda que seja livre”, estava apenas utilizando uma linguagem poética. Sou filho de Ogún, mas aprendi que não devemos levar tudo na ponta da faca. Existem várias formas de prisão, que não necessariamente acontecerão com correntes ou grades..

 

Como nos diria Luiz Vaz de Camões: É querer estar preso por vontade;/É servir a quem vence, o vencedor;/É ter com quem nos mata lealdade./ Mas como causar pode seu favor/Nos corações humanos amizade,/se tão contrário a si é o mesmo Amor?

 

TEXTO ESCRITO POR JONATAS GUNFAREMIM (PLÁGIO É CRIME-CITE A REFERÊNCIA)

 

 

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WORKSHOP FOLHAS SAGRADAS

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PÈRÈGÚN

Babá Olonon- Ogun

 

“Pèrègún níí pè irúnmolè l’át’òde òrun w’áyé”
(Pèrègún que chama as divindades do céu para a terra).

Ewe peregun (Dracaena fragrans)

 

“Pèrègún l’óní ki Ogun ó gùn mi/ Ní gbà ti mobá fé níookàn mi”

(Pèrègún diz que Ogun deve me possuir/ Sempre que eu deseje na minha mente).

 

Mariwo Ogun

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REGISTRO: Mãe Tieta de Iemanjá, do terreiro da Casa Branca

Morre aos 84 anos Mãe Tieta de Iemanjá, do terreiro da Casa Branca

 

Mãe Tieta de Iyemanjá, Iyá Kekere do Asé Iyá Nassô Oká

O candomblé baiano perdeu uma de suas ilustres representantes. A mãe pequena do terreiro de candomblé Ilê Axé Iyá Nassô – a Casa Branca do Engenho Velho -, Antonieta de Anunciação Matos, faleceu no final da noite deste sábado (8). Mãe Tieta de Iemanjá, como era conhecida, era Ya Kekere do terreiro da Casa Branca, o mais antigo de tradição kêtu do Brasil.

Mãe Tieta tinha 84 anos e foi vítima de uma pneumonia. Ela tinha mais de 70 anos de iniciação no candomblé, onde chegou pelas mãos da mãe de santo Maximiana Maria da Conceição, a Tia Massi. Natural de Salvador, Mãe Tieta tinha uma filha de sangue, mas era conhecida no Brasil, sobretudo pela quantidade de filhos espirituais.

Além disso, a mãe pequena também era conhecida por ser uma das grandes intérpretes de cantigas do candomblé e por contar histórias da religião.

TEXTO EXTRAÍDO DA PÁGINA: http://www.correio24horas.com.br/detalhe/salvador/noticia/morre-aos-84-anos-mae-tieta-de-iemanja-do-terreiro-de-casa-branca/?cHash=5cd92ebf7948a861573895930916b9e1

OBS: PERDEMOS NOSSA IYA KEKERE NA NOITE DE 08 DE ABRIL DE 20017, AS 21 HORAS.

 

 

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PALESTRA “AS FOLHAS E OSSAYIN”

Gostaria de agradecer imensamente ao meu pai Mario J. Reis Souto pelo convite e pelo carinho de sempre. Agradeço imensamente também ao Ogan Jacana Oga Goncalves. Fiquei extremamente feliz em poder falar sobre um assunto que me traz grande prazer e satisfação. Foi muito bom poder levar adiante um pouco daquilo que aprendi com os meus mais velhos, em especial com o meu saudoso zelador, que era um Olossayin, Pai José Flávio Pessoa de Barros. Levarei seu nome sempre onde estiver. Também agradeço ao meu querido Babalorixá Eduardo Abiodun Ayoola, com quem aprendo cada dia mais sobre as folhas e sobre essa religião fantástica, que nossos Ancestrais nos deixaram. Penso que a Academia precisa de mais pessoas de axé, que consigam reafirmar para todos que o conhecimento produzido em uma comunidade terreiro é grande, e deve ser muito respeitado. Sei que essa caminhada ainda é longa, mas devagarinho vamos indo cada vez mais adiante. Que o Senhor das Folhas permita que as nossas Tradições não se apaguem e nem sejam esquecidas. Adupé Grupo de Estudos Braulio Goffman! Agradeço imensamente a presença de todos.

 

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PALESTRA GUNFAREMIM

ESTÃO TODOS CONVIDADOS!

 



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RELIGIÃO – ÁRVORES SAGRADAS RESISTEM À DESTRUIÇÃO

RELATO HISTÓRICO PRIMOROSO. VALE MUITO A PENA LER!

RELIGIÃO – ÁRVORES SAGRADAS RESISTEM À DESTRUIÇÃO

A Tarde , quarta-feira, 31 de janeiro de 1979

Texto de Reynivaldo Brito
Fotos Louriel Barbosa

 

Na foto a árvore sagrada no Terreiro da Casa Branca,na Vasco da Gama. Há diversas árvores sagradas, segundo o ritual do candomblé.

Arredios ao comportamento místico do povo baiano, engenheiros e arquitetos responsáveis pela abertura de avenidas nos vales de Salvador estão destruindo um patrimônio de grande significado para os descendentes dos africanos, e mesmo para todas àquelas pessoas ligadas ao candomblé. São as árvores sagradas que vieram da África e que representam verdadeiros templos, onde são feitas obrigações da seita. Elas somavam quase duas centenas e, hoje, poucas conseguiram sobreviver.Como afirma o ogã do candomblé do Bogum, Jehová de Carvalho , “assistimos , impotentes e indefesos, a esta profanação. São os babalaôs , yalorixás, obomins, okedes, ogãs e obas que mais sofrem com a dilapidação desses elementos importantes e integrados a nosso culto. Cada árvore sagrada desta tem uma história e muitas chegaram até à Bahia trazidas com muita fé e assim cresceram, e debaixo de suas copas foram feitas e depositadas, no decorrer dos anos, preces e outras formas de manifestação do candomblé.”
Na foto ao lado fita branca amarrada em seu tronco,a árvore do Terreiro de Menininha do Gantois

 

Somente na Avenida Mário Leal Ferreira, mais conhecida como a Avenida Bonocô em homenagem a um candomblé que funcionava nas imediações, foram derrubadas mais de dez árvores sagradas. Existiam, ali, dez terreiros de candomblés das nações Ketu e Angola, que tiveram que sair devido à presença dos tratores e caçambas na época da construção da referida avenida. Ali viviam muitas árvores de looku, as conhecidas gameleiras nativas que dominavam a paisagem dos morros e vales, hoje transformados em cortes que mais parecem chagas feitas na terra pelas navalhas dos tratores . Dessas restaram, apenas, a do condomblé da yalorixá Emília, na Baixa da Torre, à beira do Bonocô , e a do babalorixá Walter, que cumpria suas obrigações para Oxalufã.

 

Na foto ao lado fita branca amarrada em seu tronco,a árvore do Terreiro de Menininha do Gantois

 

ACIDENTES
Contam os freqüentadores do terreiros baianos que muitos acidentes ocorreram e continuarão a ocorrer todas às vezes que essas árvores forem destruídas.Vários operários da prefeitura de Salvador chegaram a recusar-se a derruba-las, e os jovens engenheiros, alheios à mística de seus subordinados , quase sempre os puniam. Mas, eles mantinham o firme propósito e não cortavam as árvores, porque acreditavam que estariam destruindo um bem sagrado. Porém, outros, desconhecendo talvez o valor espiritual daquelas árvores, apressaram-se em executar as ordens dos engenheiros e alguns sofreram acidentes.

 

Conta a yalorixá Yeneci, do candomblé de Angola, localizado no Alto da Torre, no bairro de Brotas, que conheceu três deles que foram castigados quando deram início ao corte da árvore de Looku , que existia na ladeira da rua Machado de Assis, a poucos metros da Bonocô. Um deles morreu devido a corte da perna provocado por uma serra elétrica, e dois sofreram ferimentos sem muita gravidade.
Na foto a árvore sagrada no Terreiro da Casa Branca,na Vasco da Gama. Há diversas árvores sagradas, segundo o ritual do candomblé.
BOGUM

Na foto ao lado fita branca amarrada em seu tronco,a árvore do Terreiro de Menininha do Gantois

Lebram os mais velhos integrantes do candomblé do Bogum que os antigos gêges , vindo do atual Dahomé, residiam nos baixios, em palhoças afastadas da casa principal do terreiro.Era uma comunidade isolada, que ocupava o atual bairro do Engenho Velho da Federação. Cada orixá tinha sua árvore, mas a de Azanná Odô era a mais alta e ali foram feitas centenas de obrigações.

Informa o ogã Jehová de Carvalho que, no sincretismo religioso, esta árvore representava o componente branco do trio dos reis magos que foram à manjedoura de Belém levar suas oferendas ao Cristo recém nascido. Por isto, todos os anos, no dia 6 de janeiro – Dia de reis – eram feitas muitas obrigações.Mas, para surpresa de todos, a velha árvore poderá sobreviver porque do seu tronco caído estão surgindo alguns brotos. Os mesmo aconteceu com a árvore sagrada do terreiro de Mãe Menininha do Gantois, onde do centro de seu tronco, também destruído, nasceu outra árvore que tem uma estranha formação, lembrado uma criança nascendo e, do outro lado, a cara de um tigre.
Na foto ao lado fita branca amarrada em seu tronco,a árvore do Terreiro de Menininha do Gantois

Em todos os candomblés de Salvador existem árvore sagradas, que representam verdadeiros templos. Quando esteve na África , o professor Estácio de Lima, antropólogo baiano, constatou a relação entre essas árvores existentes na Bahia com as do Continente Negro, onde algumas são utilizadas até como urnas mortuárias em determinadas tribos.

PLÁGIO É CRIME! CITE SUAS FONTES

TEXTO E FOTOS EXTRAÍDOS DO SITE: http://reynivaldobrito.blogspot.com.br/2010/08/arvores-sagradas-resistem-destruicao.html

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FOLHAS ENCANTADAS

Publicado em 17 de mai de 2016
Participação: Mãe Stella Oxossi, Obá Terê, Iyá Lanã, Ogúm Eyindê, Doudou Rose Thioune.
Direção: Antonello Veneri e Stefano Barbi.
Roteiro: Graziela Domini Peixoto (Iyá Iberê).
Produção: Alessandra Caramori.
Fotografia: Antonello Veneri.
Montagem: Stefano Barbi Cinti.
Som: Diego Orrico.
Locução: Graziela Domini Peixoto (Iyá Iberê) e Maria Regina Moura Dórea.
Música: Doudou Rose Thioune.
Designer Gráfico: Rose Carvalho.

Agradecimentos ao Ministério da Cultura, à CAPES e à Universidade Federal de Pernambuco pelo Edital Afro-Brasileiro.

 

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FOLHAS E REZAS II- O SANGUE DE OSSANHA

Publicado em 29 de jun de 2015
‘Folhas e Rezas II – O Sangue de Ossanha’ / Documentário da Cia BELUNA de Arte

O segundo vídeo da série documental ‘Folhas e Rezas’, explora a liturgia das ervas sobre a ótica do candomblé, com foco nos banhos sagrados. Para isso a equipe BELUNA visitou e entrevistou o terreiro do Pai Dari, que não só falou sobre o tema como proporcionou uma vivência aos presentes, numa bela festa no barracão…

SOBRE A SÉRIE DOCUMENTAL…

A ideia é explora a liturgia das ervas, tão presente ainda hoje no dia a dia de nossas cidades e lugarejos . A documentação deste processo em imagens, por cada uma de suas futuras etapas, tem o propósito claro de conservação, mas também pretende levar ao público, numa concepção arrojada, informações sobre estes ritos que fazem parte da identidade do brasileiro e devem permanecer vivos ao longo dos tempos.

CURRÍCULO
Lançado em 2011, em evento solene, na sala Walter da Silveira, biblioteca central, Salvador-Ba. O evento contou com realização de mesa redonda que discutiu o uso das ervas na cultura popular e na medicina homeopática.

FICHA
Roteiro e Concepção: Alec Saramago
Direção: Natan Duarte
Realização: Cia BELUNA de Arte

 

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O VERDE NO CANDOMBLÉ- JOSÉ FLAVIO PESSOA DE BARROS

SEGUEM ALGUNS VÍDEOS QUE SÃO IMPORTANTES REGISTROS DO CULTO A OSSAYIN E DAS FOLHAS. PEQUENOS FRAGMENTOS DE UM TEMPO EM QUE O RESPEITO AO CONHECIMENTO DE NOSSOS ANCESTRAIS ERA LEVADO A SÉRIO.. UM DELES REALIZADO POR MEU SAUDOSO PAI, FLÁVIO DE OGUIAN.. AFINAL: KO SÍ EWE, KO SÍ ORISÁ!

O VERDE NO CANDOMBLÉ
Publicado em 26 de dez de 2014

Uma homenagem singela às religiões de origem africana.
Um pouco das plantas, dos cânticos, das danças.

Depoimento de Hélcio Soares dos Santos – Olossãe.

Coleta de folhas: Rubens de Oliveira – Tatá Mesu Ku Nzambe.

Cantos e toques Nagô: Nile Ashe Obaluaye.

Cantos e toques Angola: Ilê de Ozoane da Gebi da Roméia.

Cantos de Ossãe Jeje-Nagô: Lucinha de Oxum.

Locução: Angélica Carvalho.
Edição: Luiz Souza.

Direção: Luiz Fernando Sarmento, José Flávio Pessoa de Barros & Raul Lody.

Realizado em1990.
No total, aproximadamente 20 minutos.

 

 

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LÉSÈ ÒRÌSÀ..

 

Raízes de Iroko- Cachoeiras de Macacú (RJ)

Orisá ajebè oní o

Ae ae ae

Ajebè lésè òrìsà

 

Ògún ajebè oní o

Ae ae ae

Ajebè lésè òrìsà

 

Òsóòsì ajebè oní o

Ae ae ae

Ajebè lésè òrìsà

 

Òsànyìn ajebè oní o

Ae ae ae

Ajebè lésè òrìsà

 

Iroko ajebè oní o

Ae ae ae

Ajebè lésè òrìsà


(Suplicamos e pedimos a orixá, Suplicamos aos pés do orixá)

A tí me prostarei.. Sempre!

 

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Candomblé e Meio Ambiente (REPOSTAGEM-29/09/2009)

Com o crescimento da nossa religião e o surgimento de novas casas de candomblé e umbanda a utilização das áreas verdes remanescente se reflete muitas vezes em um problema ambiental, o dilema está em como continuar utilizando esses espaços sem aumentar ainda mais a sua degradação.

Nessa hora devemos recorrer ao conhecimento deixado por nossos mais velhos, e também ao bom censo. Antes de sair de sua casa se pergunte: Será que essa oferenda não pode ser depositada junto ao igbá do orixá que se quer agradar, no próprio Ilé Asé? Alguns filhos ou clientes podem não possuir um assentamento individual, nesse momento deve-se relembrar o conceito que os nossos ancestrais africanos tinham de EGBÉ, ou seja comunidade. Para eles a energia era entendida de forma coletiva, ou seja “um por todos e todos por um”. Exemplificando, quando o Ogun da casa (do Egbé) era cultuado o axé desse orixá seria dividido para todos os membros da comunidade.

Esse conceito é bem interessante, uma vez que diminui os custos financeiros e ambientais, e consequentemente a quantidade de resíduos produzidos é bem menor. Por outro lado o asé, quando compartilhado, tende a ser bem maior pois a união nos torna muito mais fortes.
Caso Ifá (o jogo) determine que a oferenda PRECISA ser levada para fora do Ilé Asé devemos tomar os cuidados necessários para que ao final da obrigação o meio ambiente esteja o mínimo degrado possível. Assim evite deixar garrafas, copos e vasilhas. Esú adora um otin (bebida), entretanto a garrafa não precisa permanecer no local. Osun adora espelhos e pentes, mas será que ela iria ficar feliz em ver o seu rio todo poluído, com os seus peixes morrendo contaminados? PENSE e REFLITA! Os elementos utilizados nos ebós sempre (ou quase sempre) poderão ser substituídos por outros menos impactantes ao meio ambiente.

 

Podemos fazer muito para contribuir com a preservação do Meio Ambiente, mesmo em atitudes muito simples, como cultivo de algumas plantas em nossa casa. Tradicionalmente algumas ervas só podem ser retiradas para o culto, quando as mesmas crescem espontaneamente. Entretanto nada impede que você tenha um pé de odundun (folha da costa), um peregún(pau-dágua) ou um igi opé (dendezeiro). Dentro desse aspecto é importantíssimo que preservemos as nossas árvores sagradas dentro de nossas casas de culto. São elas que servirão de morada para diversos espíritos (iwin e abikú), assim como orixás (Apaoká Iroko) e Voduns (Atin sá). Quando uma planta cresce ela retira gás carbônico da atmosfera, isso reduz o aquecimento do planeta. Vamos plantar mais árvores, principalmente as nativas da nossa região. Toda folha tem uma aplicação, todas elas têm um(a) dono(a), é só descobrir. ERÚ EJÉ! ASSA!

Omi ro ara wa ara wa omi ro..

TEXTO ESCRITO POR JONATAS GUNFAREMIM (PLÁGIO É CRIME-CITE A REFERÊNCIA)

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Nete Bekü -A MÃE DA MATA

“Senhora do Verde, Senhora da Magia
Venha trazer sua sabedoria, com os elementais verdes
Abençoada seja, Senhora da Magia!”

 

Senhora do Verde, é a Deusa portadora da sabedoria do reino vegetal. Se conecta com Ela quando se precisa do poder de cura do verde ou quando se deseja obter sucesso nas plantações ou conhecimentos de herbologia. Invocar Nete Bekü, que superou a cegueira, para transpor os obstáculos que não deixam ver claramente. Deusa dos vegetais, Nete Bekü também é Senhora da Visão e Criadora, porque formou seu povo de uma cabaça e abelhas.


Mito
Nete Bekü era uma mulher cega. Houve uma inundação e alagou tudo, a água carregou também Nete Bekü, que não teve como escapar. Quando estava sendo arrastada, ela conseguiu subir em um tronco bem grosso e esperou as águas baixarem. Mas a terra continuava toda molhada e não havia onde andar. Sozinha, ela chorou muito, todos os seus parentes haviam morrido. Enquanto isso, juntavam muitas abelhas em volta da mulher. Ela achou duas cabaças, furou, botou as abelhas dentro e tapou. Depois de uma semana, ela espocou a cabaça e dela saíram dois meninos. Ela os amamentou, e eles foram crescendo. Um dia, acharam um pé de mudubim e trouxeram para a mãe, perguntando o que era. Ela disse que aquilo podia ser comido e devia ser plantado. Depois, trouxeram outra folha, e ela identificou a macaxeira. Depois, foi a vez do milho. E assim foi, até que ela transmitiu o que sabia sobre o uso dos vegetais aos Kaninawás.

 

 

 

 

Amendoim, de nome indígena mudubim ou Mondubim (Arachis hypogaea L)

 

maka'xera, mandioca ou aipim (Manihot esculenta, Manihot palmata)

Milho (Zea mays)

 

Fonte: Deusas Brasileiras – Mavesper Cy Ceridwen

http://cantinhodosdeuses.blogspot.com.br/2011/05/deusa-nete-beku.html

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IYÁ OMÍ IMÓLÈ

Iyá Omi Imólè n’ile (ní ewe) awo

Iyá Omi Imólè aseke b’ewe

Iyá Omi Imólè n’ile (ní ewe) awo

Iyá Omi Imólè aseke omo

Oju odo aseke oju orò

Osibata oro oloke omi

Iyá Omi Imólè aseke omo

 

“A mãe dos espíritos das águas tem folhas para o culto,

A mãe dos espíritos das águas preparou uma grossa sopa de folhas

A mãe dos espíritos das águas tem folhas para o culto,

A mãe dos espíritos das águas preparou uma grossa sopa para os seus filhos

Dentro d‘água preparou a sopa com ojú odo (aguapé), ojú oro (alface-d’água) e osibatá (flor-de-lótus),

Senhora das águas altas (cachoeiras), Senhora das águas da vida preparou uma grossa sopa de folhas para os seus filhos”

 

 

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