ÒSÍBÀTÁ- NYMPHAEA sp./ FLOR DE LÓTUS

Posted by Gunfaremim on 12 de fevereiro de 2013

A palavra iyaba ou aiyaba pode ter diversos significados na língua iorubá: ìyá àgbà é a grande anciã (senhora), se referindo aí a todas as Iyámi Eleye, as grandes feiticeiras. Iyaba também significa mãe (ìyá àgbà= mãe ancestral/antiga) ou ainda rainha (vem da contração de “àyà oba”). De forma geral, usamos a palavra iyagba para nos referirmos a todos os orixá obìnrin (femininos).

Uma das folhas preferidas de nossas Grandes e Veneradas Mães é a folha de òsíbàtá (oxibatá), também muito conhecida popularmente como ninféia, folha de lótus, lírio d’água ou golfo d’água.

 

Seu nome botânico é Nymphaea sp., que tem como origem a palavra em latim nympha (divindade feminina das águas, bosques e dos montes). Outra variação seria do termo grego nympha, tendo nesse caso o significado de virgem. Existem diversas espécies de ninféias, sendo que a maioria é originária da África, Europa e Ásia, embora algumas até sejam encontradas no Brasil. Suas flores podem possuir diversas tonalidades como o branco (N. alba), azul (N. caerulea), vermelho (N. rubra), e amarelo (N. luteum).

A ninféia azul é nativa do Nilo (Egito), e segundo relatos era uma das plantas consagradas a uma divindade muito antiga, conhecida como Nefertem ou Nefertum. A flor era muito apreciada pelos antigos egípcios, não apenas pelo seu odor inebriante como também por suas propriedades curativas. Segundo alguns mitos, Nefertem utilizou essa flor como oferenda ao deus do Sol, Ra, para que as dores do seu corpo envelhecido o deixassem.

 

 

Outra lenda relata que Isis, deusa da maternidade, fertilidade, protetora das crianças e também associada aos mortos foi quem ensinou aos homens a utilização de seus rizomas na alimentação. Foram encontrados vestígios de grandes buques de ninféia ofertados no túmulo de Ramsés II, que as cultivava em seu palácio, assim como Amenófis IV. Suas flores serviam como adorno nos festivais religiosos e também como oferendas aos deuses e os mortos, podendo também ser ofertadas como presentes a pessoas importantes ou como sinal de amizade.

Assim como as iabás estão associadas ao elemento água as ninféias são classificadas como plantas emersas, ou seja, parte de seu corpo fica enraizado no lodo e outra parte fica acima da água. Costumam ser encontradas em rios de águas calmas ou em lagos. Suas folhas são grandes, coriáceas, de coloração verde brilhante em cima e avermelhadas por baixo. Suas flores surgem solitárias, apresentando ambos os órgãos sexuais (hermafroditas). Elas se abrem bem cedo e se fecham por volta do meio dia, realizando esse movimento por até três a quatro dias, quando se fecham (submergindo) e dão origem as sementes.

 

A planta possui propriedades calmantes, anti-espasmódicas, sedativas e psicoativas devido provavelmente à presença de alcalóides como apomorfinas e a nuciferina, presentes principalmente na espécie caerulea. Doses de 5 a 10 gramas das flores podem alterar o grau de consciência, assim como a percepção visual. Uma de suas propriedades mais conhecidas, tanto pelos gregos como pelos egípicos era o seu poder anafrodisíaco, em especial a espécie alba. Podia ser utilizada sobre os órgãos genitais em casos de compulsão sexual obsessiva e ninfomania. Segundo sugerem Pessoa de Barros & Napoleão (1999) a planta poderia possuir ainda propriedades abortivas.

No campo da aromaterapia a flor de lótus do Egito traria harmonia e expansão da consciência, purificando os chacras e promovendo um bem estar sistêmico.

 

 

No culto aos orixás costuma ser associado a todas as iabás: Oxum, Iyemanjá, Oyá, Obá, Nana e Ewá. Uma vez que é uma planta ligada a água também é consagrada a Oxalá (niféia branca), que é um orixá úmido por natureza. Uma observação interessante é que embora possua propriedades calmantes e sedativas não é considerada uma ewé eró e sim um ewé gun (Pessoa de Barros, 2011).Seu nome em iorubá (òsíbàtá) significa “não se submete”, nos lembrando que é uma planta de grande axé e que deve ser utilizada com cuidado. Por sua ligação estreita com a grande Mãe Oxum (Mãe do primeiro iyawo) e também com Oxalá (Pai de Todos os Oris), é indispensável em determinados rituais, como o odu igé. Esse momento marca o final do processo de iniciação e o início de uma caminhada independente.

 

REFERENCIAS:

BARROS, José Flávio Pessoa de; NAPOLEÃO, Eduardo. Ewé òrisà: uso litúrgico e terapêutico dos vegetais nas casas de candomblé jeje-nagô. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999.

BARROS, José Flávio Pessoa de; A floresta sagrada de Ossaim: o segredo das folhas. Rio de Janeiro: Pallas, 2011.

 

TEXTO ESCRITO POR  JONATAS GUNFAREMIM

 

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