Itan Osogyian

Motumbá amigos, acabei de ler essa história em um blog e achei muito legal.

“Oxaguiã, também é conhecido como Ajagunã, é o conflito que antecede a paz; a revolução que antecede as transformações profunda

Bambusa vulgaris (Bambu) Dankó- Planta ligada ao culto de Idankó Ezó

s; a instabilidade necessária ao dinamismo da vida e da sociedade e a busca do conhecimento. Por isso é compreendido como Oxalá moço, enquanto a paz, a tranqüilidade, a estabilidade, a sabedoria são compreendidos como Oxalá velho, Oxalufã. Ele é também guerreiro, e sente prazer em destruir para que o novo se estabeleça.

 

Um dos mitos diz que Oxaguiã nasceu apenas de Obatalá. Não teve mãe. Nasceu dentro de uma concha de caramujo. E quando nasceu, não tinha cabeça, por isso perambulava pelo mundo, sem sentido. Um dia encontrou Ori numa estrada e este lhe deu uma cabeça feita de inhame pilado, branca. Apesar de feliz com sua cabeça, ela esquentava muito, e quando esquentava Oxaguiã criava mais conflitos. E sofria muito. Foi quando um dia encontrou Iku (a morte), que lhe ofereceu uma cabeça fria. Apesar do medo que sentia, o calor era insuportável, e ele acabou aceitando a cabeça preta que a morte lhe deu. Mas essa cabeça era dolorida e fria demais. Oxaguiã ficou triste, porque a morte, com sua frieza, estava o tempo todo acompanhando o orixá. Foi então que Ogum apareceu e deu sua espada para Oxaguiã, que espantou Iku. Ogum também tentou arrancar a cabeça preta de cima da cabeça de inhame, mas tanto apertou que as duas se fundiram e Oxaguiã ficou com a cabeça azul, agora equilibrada e sem problemas.

A partir deste dia ele e Ogum andam juntos transformando o mundo. Oxaguiã depositando o conflito de idéias e valores que mudam o mundo e Ogum fornecendo os meios para a transformação, seja a tecnologia ou a guerra.”

FONTE: http://catiacmam-tuosobreanaonag.blogspot.com/2009_09_01_archive.html

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“Mesmo que a árvore caia, se a raiz estiver viva, com certeza brotará”


Bryophyllum sp. ( Kalanchoe Laetivirens ) Folha da Fortuna/ orelha de burro

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Folhas e Iya Mí Eleyé

Atioró- Tockus fasciatus (sin. Buceros fasciatus)

Um itan, revelado por um dos Odú-Ifá demonstra bem a natureza de Iya Mi e sua relação com as árvores, nos lembrando que ela não deve ser encarada como uma figura maligna. Em três árvores que elas pousaram trouxeram infortúnios, entretanto em outras três trouxeram coisas boas. Apenas uma dessas sete árvores traz consigo infortúnio e alegria juntos. Esse itan deixa bem claro que Iya Mi apresenta ambos os lados, a visualização vai depender do que cada um de nós traz em seu coração. Os membros das Sociedades Gueledé, Ogboni e da Irmandade da Boa Morte sabiam (sabem) muito bem disso.

Quando falamos de folhas utilizadas para Iya Mi, não podemos esquecer que, na verdade, toda Iyagbá (orisá obirin) é considerada uma Iya Mi, representação coletiva do poder feminino, e por isso não devemos nos assustar quando determinada folha de Osun é utilizada no culto a Iya Mi, por exemplo. Verger em seu livro Ewé, cita uma infinidade de ervas utilizadas para incitar e apaziguar Iyá Mi (Minha Mãe), não gosto de utilizar o termo Ajé (bruxa), pois tem um tom pejorativo.

Acho muito importante ressaltar a relação entre Iyá Mi e Osanyìn. Elas são chamadas Eleyé (Portadoras do Pássaro), pois se transformam em aves (Agbibgó, Elúlú, Atioro, Osoronga). Ora, o grande símbolo do poder de Osanyìn é Eyé, seu pássaro, presente em todas as suas ferramentas. Não é à toa que sem folha não se faz filho de santo. O poder de Iyá Mi está presente em cada uma das folhas que utilizamos, mesmo aquelas que não são diretamente ligadas a elas. Iyá Mi é o grande útero que povoa a Terra, toda mulher é considerada uma Iyá Mi em potencial. Imaginem se todas as mulheres se recusassem a ter filhos, a humanidade acabaria e os orixás não teriam mais quem os cultuassem.

Atioró - Calau preto, Bico de Serra preto. Encontrada desde a Nigéria, Angola, Zaire até Uganda.

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O pássaro Òpèré

Assim cantamos:

Òsanyín

Òpeèré Òsányìn ìn s’ibú

Kúrú ìde akàkà

Òpeèré Òsányìn ìn s’ibú Bàbá

Kúrú ìde akàkà

Operé de Ossanhe voa profundo

O pequeno não muda a natureza

Operé de Ossanhe voa profundo, Pai

O pequeno não muda a natureza

 

 

Pycnonotus barbatus – Pássaro Operé

Ave da família Pycnonotidae, predominantemente encontrada em território africano, sendo abundante em Marrocos. É considerada a ave símbolo da Libéria, sendo chamada de engole malagueta ou pimentinha. A Libéria (ex Costa da Pimenta) foi o primeiro país africano a instituir uma República e também o primeiro a ter um chefe de Estado Feminino. É uma ave onívora, se alimentando de frutas, grãos, néctar de flores e de insetos. Costuma voar por cima das copas de árvores e arbustos. Que Operé voe cada vez mais alto e nos traga a vitória sempre! Nós saudamos Eyé, o Pássaro!!! Ewé O!!!

Pycnonotus barbatus - Pimentinha, Tuta Negra

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SALVE AS FOLHAS – Maria Bethania e Sandra de Sá

Ferramenta de Òsanyín

A nossa MPB também saúda o Pai das Folhas. Eu gosto muito dessa interpretação, nas vozes de Bethania e Sandra de Sá. Preste atenção no vídeo, ele trás um dos maiores símbolos de Òsányìn: Eye, seu mensageiro e representante de seu poder. Ele está presente em sua ferramenta, cercado por diversas hastes de ferro, em formato de leque.

 

 

 

 

 

 

 

Salve As Folhas

(Gerônimo / Ildásio Tavares)

Sem folha não tem sonho

Sem folha não tem vida

Sem folha não tem nada

Quem é você e o que faz por aqui

Eu guardo a luz das estrelas

A alma de cada folha

Sou Aroni

Kosi euê

Kosi orixá

Euê ô

Euê ô orixá

Sem folha não tem sonho

Sem folha não tem festa

Sem folha não tem vida

Sem folha não tem nada

Eu guardo a luz das estrelas

A alma de cada folha

Sou aroni

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=xenjkUG8FkQ]

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Dica de Leitura (O SEGREDO DAS FOLHAS- JOSÉ FLAVIO PESSOA DE BARROS)

José Flávio Pessoa de Barros

Para quem se interessa pelo assunto indico a leitura do livro de meu pai Flávio: O segredo das folhas- Sistema de classificação de vegetais no Candomblé Jêje-Nagô do Brasil. José Flávio Pessoa de Barros. Editora Pallas. O autor é filho de nossa saudosa Iya Nitinha de Osún (Engenho Velho) e também Òlósányn. Motumbá irmãos!

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Folhas Sagradas, há espaço para inovações? Parte II

 

Ceiba pentendra- Àràbà (Ioruba), Gédé hunsu (Mahí)/ sumaúna

 

Devemos lembrar que muitos desses nomes tem origem Ioruba e acabaram se tornando aceitos por outros grupos aqui instalados, como os, genericamente denominados, Jeje e Angola. Entretanto muitos de seus componentes ainda guardam suas nomenclaturas nativas, a exemplo: 1-Àràbà (Ioruba), Gédé hunsu (Mahí)- Ceiba pentendra, de nome popular sumaúna; 2-Akòko (Ioruba), Ahoho (Mahí) e Hunmatin (Mina)- Newboldia l aevis, de nome popular akokô; 3- Obì (Ioruba), Ví (Fon)- Cola acuminata, de nome popular noz de cola. Daí surge a pergunta. Será que todos esses nomes foram trazidos realmente da África? Acredito eu que não. Isso porque muitas dessas espécies não existiam em território africano, seus nomes surgiram aqui, no Brasil. Como esses nomes surgiram? Provavelmente a partir da observação atenta dessas plantas e utilizando como ferramentas alguns dos critérios apresentados aqui. Devemos nos lembrar também que embora essa religião possua matriz africana, o conjunto de suas práticas foi moldado a partir da releitura desses povos em solo brasileiro. Isso possibilitou a modificação e criação de novas formas de linguagem, alguns nomes se preservaram, outros foram reformulados e outros simplesmente esquecidos. Embora o Candomblé seja baseado na preservação das tradições, não sendo muito permitido grandes modificações, a língua, assim como o asé, é um elemento dinâmico, que sofre alterações constantes e vai sendo moldada de acordo com as diferentes situações apresentadas. Isso explica porque hoje em dia podemos ouvir tantos nomes de folhas novos e até orin orisá que antes não existiam. O Candomblé não é uma religião de improvisos e nem de invenções, daí a importância de se ter uma origem, ter a referência de um mais velho, alguém que recebeu o conhecimento acumulado pelos nossos ancestrais. Quando utilizamos uma determinada folha em um ritual, não a utilizamos simplesmente pela nossa intuição, esse conhecimento nos foi transmitido a partir de nossa vivência e merecimento. Entretanto, esse “conhecimento ancestral” pode ser resgatado, a partir de um sonho ou através de uma determinada entidade, incorporada ou não. Por exemplo, quem dá o orúko do iyawo? Sabemos que existem algumas formas de se chegar a esse nome, porém a mais freqüente é que o próprio orisá o revele. E quem ensinou ao iyawo???

 

Cola acuminata- Obì (Ioruba), Ví (Fon)/ noz de cola

 

Outro aspecto que deve ser levado em consideração, quando falamos em nomenclatura de folhas sagradas: o que é mais importante, o nome que damos à folha ou como fazemos uso da mesma? Se eu quiser agradar, Osalá pedindo saúde e paz, utilizando a folha da costa e denominar a mesma por ewé eró, e não por òdúndún, será que o meu pedido não vai ser entendido pelo orisá? Esse fato demonstra como é importante conhecer a natureza da folha e a partir daí se chegar ao seu nome, que pode ser mais de um. Desvelar essa natureza que se esconde por detrás de cada folha não é tarefa das mais fáceis. Segundo Paracelso, muitas vezes essa “assinatura” deixada pela natureza é invisível aos nossos olhos. Para enxergar é necessário um olhar especial, o de um iniciado. Os Ioruba possuem um ditado que vai de encontro ao pensamento de Paracelso: “Ògbèri nko mo màriwò”. Ou seja, aquele que não passou pela iniciação jamais irá entender o segredo que se esconde por detrás do Màrìwo (folha nova do dendezeiro/ Elaeis guineensis). Nesse ponto cabe ressaltar um fato: Quando falamos em folhas sagradas nos reportamos automaticamente a Ósányn, e ser iniciado no culto a orisá, somente, não é condição que garanta a qualquer um entender a natureza de Babá Igbo, o Pai das Folhas. Para tal, é necessário ter nascido portador de um Oye (cargo) que permita ter acesso, por direito, a esse conhecimento. Esse cargo é representado pela figura do Bàbálósányn ou Òlósányn, aquele a quem Orunmilá permitiu ver o que para muitos está invisível. Segundo relatos de mais velhos, essa figura era fundamental nas casas de Candomblé antigas, nada se fazia sem ele. Com o tempo, e o aumento exagerado das casas de culto, seu posto foi sendo exercido pelo Babalorisá e pela Iyalorisá. Isso levou a uma perda considerável em relação ao saber ligado as folhas, já que os mesmos não foram preparados para assumirem essa função. Será que não vem daí também uma das explicações para termos tantos nomes novos para as folhas? Para o Òlósányn conhecer o nome correto da folha é fundamental, pois esse nome muitas vezes está ligado ao ofó (encantamento) que deve ser pronunciado junto com a mesma. Recitar o nome corretamente é o que irá garantir a liberação da magia contida nesse ewé. O poder da palavra detona o asé. Consciente disso tudo, eu acredito que inovações irão continuar surgindo dentro da nossa religião, porém também acredito que o respeito às tradições herdadas de nossos ancestrais deve ser preservado ao máximo. Muitos morreram e foram massacrados para manterem viva essa cultura, não acho que a religião tenha que se adaptar as minhas vontades. Nossos ancestrais plantaram as sementes, ela germinou, cresceu, deu frutos saborosos, será que deixaremos a árvore secar por falta de zelo e amor?

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Folhas Sagradas, há espaço para inovações? Parte I

Realmente o assunto é bem controverso e gera alguns questionamentos.


Urera baccifera- Ewé ájòfà/ urtiga

É fato que de

sde os primórdios da humanidade o homem utiliza as plantas com fins não apenas alimentares, mas também

curativos e religiosos. Em cada local

essas plantas receberam den

ominações diferentes, o que muitas vezes gerava dificuldades na sua identificação e utilização por outros grupos. Com o intuito de facilitar esse processo fo

ram criados diversos sistemas de classificação botânica. Por exemplo: Aristóteles, Teofrastus e Plinius dividiram o reino vegetal em três grandes grupos: ervas, arbustos e árvores. Este sistema foi aceito amplamente durante a maior parte da Idade Média.

Paracelso, médico suíço e grande alquimista, difundiu a “

Teoria dos Sinais” ou “Doutrina das Assinaturas”. Segundo Paracelso, tudo o que é criado pela natureza reproduz a imagem da virtude a que lhe é atribuída trazendo consigo traços visíveis ou invisíveis de similitude. É interessante ressaltar que essa teoria baseava-se em um antigo provérbio: “similia similibus curantur“, ou seja, “o semelhante cura o semelhante”. Dentro dessa perspectiva um fruto com formato semelhante a um fígado traria consigo a “assinatura” de sua utilidade para problemas hepáticos, assim como outro com a aparência de um coração seria indicado para doenças cardíacas. Por exemplo, as nozes, cuja aparência lembraria um cérebro, seriam empregadas em doenças do sistema nervoso. Embora esse sistema de classificação não seja mais amplamente aceito, ainda podemos observar sua utilização por partes de alguns naturalistas, até porque Paracelso é considerado o Pai da Medicina Naturalista.

Atualmente, o sistema oficial de classificação botânica é o criado pelo também naturalista sueco Carolus Linnaeus. Cada vegetal é identificado de forma binominal, onde o primeiro nome indica uma característica geral (gênero) enquanto o segundo identifica o seu aspecto específico (espécie). Desta forma podemos citar: Citrus aurantium (laranja), Citrus limonia (limão) e Citrus nobilis (tangerina).

Sabemos que cada orixá, vodun, inkicie, guia ou encantado pode estar associado a um conjunto de determinadas folhas que poderão ser utilizadas no seu culto. Essas folhas, entretanto, não são escolhidas ao acaso, existem critérios ligados à crença religiosa de cada um desses grupos que compõem as religiões de matriz africana.

O sistema de classificação Jeje-Nago se baseia em diversos aspectos, como seu caráter elemental (Terra-Ewé Ilè, Fogo-Ewé Inon, Água-Ewé Omí e Ar-Ewé Aféfé), sua natureza (Macho-Ewé Okunrin/Fêmea-Ewé Obirin) e seu porte (Igi- árvores; Kekere- plantas rasteiras ou arbustivos; Afomã- trepadeiras e parasitas). Dessa forma, quando dizemos que Esú aprecia ewé ájòfà (urtiga/ Urera baccifera) estamos nos rementendo à ligação que este orisá tem com o elemento fogo, uma vez que essa folha tem a capacidade de provocar queimaduras na pele. Da mesma forma ewé òdúndún () é usada para Osalá, pois é uma folha úmida (elemento água), quando passada na pele queimada refresca.

Kalanchoe brasiliensis- ewé òdúndún/ folha da costa (saião)

A nomenclatura dessas plantas pelos povos de origem ioruba também se baseia nesse critério de classificação. Existem nomes que podem ser utilizados de forma genérica ou específica, de acordo com as características apresentadas: Há folhas que qualificam alguma ação (Akoko = a que dá saúde e inteligência ; Banjoko = vigia o caminho ); que trazem o nome de animais, invocando assim as suas qualidades (Ejá omodé – peixe criança; Ewé akunkó – crista de galo); que nos remetem aos sentidos (Ewé kukunduku = folha doce ate morrer; Ewé nilá = perfume bom) e ainda que se referem a algo que procuramos obter (Amújé = estanca sangue , são folhas que tem ação anti coagulante; Dágunró = são todas as folhas que tem espinhos e podem ser utilizadas para vencer os inimigos).

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VODUN AGUE

Tillandsia usneoides

Tillandsia usneoides

Os voduns costumam ser divididos em famílias, de acordo com o grau de descendência que os mesmos guardam entre si. Assim fazem parte da Família de Ágüe os seguintes voduns: Aguê, Aroní, Lôko, Ekún Walê, Neossum, Gága Otolu e Igbó. Todos são considerados vodúns dos encantos, possuindo estreita ligação com as folhas e matas. Segundo a cultura Jeje, esses voduns costumam trazer muita fartura consigo. É interessante observar que, embora alguns desses voduns carreguem diversas semelhanças com algumas divindades iorubas (principalmente na sua denominação), a forma com que são cultuados dentro do Kwe (Ilê) pode diferir bastante das casas de culto aos orixás.

Ágüe é o vodun das matas, florestas e dos segredos das folhas, por isso confundido com Ossayin. Por ser um excelente caçador também pode ser confundido com a figura de Odé. Entretanto Ágüe não é Ossayin e nem tão pouco Odé. É um vodun que guarda muitos mistérios, sendo por isso considerado encantado. Ágüe é tido como o chefe de todos os aziza, espíritos das florestas. Seu dia de culto é a quinta-feira, as suas cores são o azul turquesa, o verde e também o branco. Trás consigo grande ligação com seu pai Lissa, devendo por isso os seus filhos sempre se vestirem com roupas claras. Agué possui uma dança muito bonita e cadenciada, com movimentos lentos. Também aprecia bastante a Vamunha, na sua vestimenta jamais pode faltar iko (palha da costa) e vários búzios..

Hounxê Aguê Mí!!! Àrobô bô yi!!!

Cantigas de Agué

Ki tipo alé riko
Para ki sodan ki tipo

Nito Kossun
Arrunsejé
Nito kossun,
Agué run derè

Agué benadô e um ô
ê ê ê e um ô
ê ê ê e um ô
Di mina ê

Sobojô

Aê Sogbó jo,

Aê Sogbó jò,

Aê Sogbó  jò, Ague

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FOLHA É VIDA

Cabaça Esú

Motumbá irmãos de fé. Acho extremamente oportuno esse tópico, uma vez que nada mais ligado à Ossayin e suas folhas sagradas que a preservação da Natureza. Nossa religião nos ensina que devemos respeitar tudo aquilo que Olorun nos forneceu, de graça. Todo orixá está ligado a pelo menos um aspecto da Natureza. Temos os orixá Igbo (das matas), os orixás Omim/Odo (das águas), Aféfe (ar, ventos), Inan (fogo) e os Onilé (Senhores da terra). Observamos assim que cada elemento primordial está devidamente representado e deve ser reverenciado por nós, omo orixá. Quando jogamos uma garrafa de vidro ou plástico nas águas dos rios ou mares, estamos desrespeitando as grandes Senhoras (Mães das Águas). Ao provocarmos um incêndio nas matas pela falta de cuidado ao acendermos nossas velas, enfraquecemos o asé de Ossayin, consequentemente enfraquecendo o nosso asé individual, uma vez que nada se faz no nosso culto sem essa energia.
Sou extremamente a favor da substituição de vasilhas de louça, e outros materiais não biodegradáveis, por folhas. Uma folha ótima é a ewe lara funfun (mamona) que pode ser utilizado por todos os orixás e naturalmente irá se decompor. Lembre-se cada orixá possui o seu conjunto de folhas sagradas, utilize-as. Folha não é só pra ser posta no agbó orixá ou para omim eró. Sua presença é fundamental em todas as situações.
Ossayin nos ensina que quando for colher folhas no igbo nunca retire todas que encontrar, sempre deixe algumas, assim sempre haverá mais. Podemos chamar isso de SUSTENTABILIDADE, conceito moderno, mas que nossos antigos há muito já conhecem e utilizam.

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Iroko, aquele que me ouve e sempre me indica o caminho certo a seguir..

Nossa amada Gameleira
Iroko Africano
Éspécies onde Iroko é cultuado
Erò Irokò izò

Erò Irokò esín ilè


A calma é de iroko que quebra o vento

A calma é de iroko que cultuamos em nossa casa
Na minha casa..  Ile Asé Omim

Jovem Iroko..
Que seus galhos cresçam e nos carreguem cada vez mais alto!
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Lenda Ejionile

ACABEI DE LER ESSA HISTÓRIA E ACHEI MUITO LEGAL! NÃO SEI A AUTORIA MAS VOU POSTAR AQUI, SE ALGUÉM SOUBER QUEM ESCREVEU, MANDA UM RECADO!

Um dia, Olufã, Rei de Efá, teve que se ausentar de seu reino deixando seu filho caçula (que atendia pelo nome de Kabiesí) no trono. Este que era muito ambicioso sentia-se incomodado com a presença dos Orixás Funfuns, por impedirem todas as novas leis e determinações criadas pelo filho do Rei.
Kabiesé sentia-se constrangido e incomodado com os Obás e começou a jogar uns contra os outros fazendo intrigas, inventando historias e armando ciladas, criando assim uma grande guerra e levando a cidade de Efá à ruína.
Quando não sabia mais o que fazer pela grande situação que causou, Kabiesí procurou seu amigo que era Babalawô de nome Ojise Bó Iká ou Orô Jinse e que costumava chamar Kabiesi de Orixá Iyan que significa “Orixá Comedor de Inhame”.
O Babalawô penalizou Kabiesí:
- Todas as intrigas que criastes voltarão contra ti, pois seu pai é sábio e saberá apurar os fatos de todo o acontecido.
- Vá e reúna-se com todos os ministros que hoje estão separados.
Kabiesí se viu preocupado, mas sentia-se seguro. Ele acreditava que nunca mais os ministros se reuniriam pelo tamanho da intriga que ele mesmo havia causado.
E disse mais o Babalawô:
- O pai que tens é o Senhor da Verdade e sua cor é o branco. Por menor que seja a sujeira ela sempre aparecerá sobre o branco.
Kabiesí perguntou:
- O que devo fazer?
Babalawô respondeu:
- Faça oferendas para Ejíonilé porque este é o Odú da intriga, mas tratando-o de maneira correta poderá alcançar sucesso e prestígio.
Kabiesi perguntou:
- Como faço estas oferendas?
Babalawô respondeu:
- Deverá abrir um alá funfun e colocar sobre ele 08 pratos brancos e dentro de cada prato você deverá colocar uma vara de atorí, uma moeda prateada, uma folha da costa, uma bolinha de algodão, um acaçá e um igbin. Convidará cada ministro de seu pai e dará um prato com tudo o que colocou dentro para cada um e pedirá a todos eles “agô” por tudo que causou. Você seguirá em procissão levando em sua mão direita um pombo branco e na esquerda um pombo preto que pintarás com efun escondendo assim a sujeira que tem e deixará que Oxalufã escolha o pombo que quiser.
Todos aguardavam a chegada de Oxalufã. Kabiesí sentia-se seguro porque tinha conseguido reunir todos os ministros.
Oxalufã chegou a seu reino muito cansado, com ar de tristeza e decepção.
Junto dele tinha um distinto homem muito carinhoso e atencioso com o Rei, ele se chamava Ayrá. Toda família funfun estranhou o apego do Rei com aquele estranho homem. Em todos os locais da aldeia que ele ia, este homem estava junto. todas as comidas e bebidas ofertadas ao rei Lufã eram passadas ao estranho primeiro e este sentava-se na cadeira ao lado do Oní.
As vestes que não eram permitidas a nenhum Orixá que não fizesse parte da família funfun era permitido a Ayrá.

Este Orixá tornou-se mais íntimo do que os próprios familiares.
Após o Rei trocar de roupa e alimentar-se, caminhou até o poste central da aldeia, sentou-se em seu trono para receber os presentes dos amigos, parentes e vizinhos.
kabiesi aproximou-se do pai.
Oxalufã o olhou e disse:
- Meu filho querido, cujo meus excessos de carinho transformaram o direito em poder, não respeitando mais o direito de outras pessoas e deixando assim que só o seu desejo prevalecesse. Soltarás o pombo verdadeiramente branco e
guardarás para si o pombo preto que pintaste e terás que mantê-lo sempre branco para que as pessoas nunca descubram a verdadeira negatividade que você traz. Darei uma terra seca onde nada nasce e terás que fazer esta terra produzir e lá criarás seu próprio reino. O que vai fazer seus descendentes crescerem é a dificuldade que passarão até construir seu próprio reino. Pois será essa dificuldade que fará de ti um grande Orixá e seus filhos terão orgulho do pai que tem.
Kabiesi sentiu-se entristecido, mas ao mesmo tempo contente, pois esperava um castigo muito maior de seu pai.
Kabiesí teve ajuda de seu grande amigoOjinse que com as mãos da magia conseguiu transformar a terra seca em terra fértil. Construiu um palácio um mercado e todos os anos na colheita dos novos inhames ele levava todo o carregamento para o Ilé Ifan onde residia seu pai.
Após muito tempo, Oxalufã resolveu perdoar o filho por todos os maus atos cometidos, dando a ele o direito de vestir o branco novamente e o título de Elejibó, nome que recebeu a aldeia de Kabiesi.

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Orin Oye Ogun

E wá jale
Mo gbo ure o
Ago bo oro oro
Ajale o
Ori le
Osi nile
A ogun Alakoro
Mo bo ure
Ajale mo bo ure
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Sankofa – De olho na Memória

Sankofa é um pássaro africano de duas cabeças e segundo a filosofia africana significa aproximadamente voltar ao passado para resignificar o presente.
O pássaro tem uma cabeça voltada para o passado e outra cabeça voltada para o futuro.
Resgatar a memória para continuar fazendo história no presente.
Significado: “nunca é tarde para voltar e apanhar aquilo que ficou atrás”, ou seja, voltar às suas raízes e construir sobre elas, o progresso e a prosperidade.

Sankofa é um pássaro africano de duas cabeças e segundo a filosofia africana significa aproximadamente voltar ao passado para resignificar o presente.  O pássaro tem uma cabeça voltada para o passado e outra cabeça voltada para o futuro. Resgatar a memória para continuar fazendo história no presente.
Ou seja: “Nunca é tarde para voltar e apanhar aquilo que ficou atrás”, não só podemos como devemos retornar as nossas raízes e construir a nossa felicidade sobre elas.
Saiba mais sobre adinkra lendo o livro: 
 ADINKRA, SABEDORIA EM SIMBOLOS AFRICANOS NASCIMENTO, ELISA LARKIN – Organizador

Editora: Pallas
Numero de páginas: 204
Formato: BROCHURA
Tamanho: 13.00 x 19.00 cm.

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Ewé Òrìsà- Uso litúrgico e terapêutico dos vegetais nas casas de candomblé jêje-nagô

Ewé Òrìsà- Uso litúrgico e terapêutico dos vegetais nas casas de candomblé jêje-nagô


Autores: José Flávio Pessoa de Barros e Eduardo Napoleão
Editora: Bertrand Brasil
Nùmero de páginas: 514
Contém diversas ilustrações botânicas.
Conteúdo: Excelente livro que aborda a utilização de plantas pelas comunidades de Candomblé. Observamos não só o uso litúrgico e ritualístico, mas também sua função fitoterapêutica.  Os autores nos presenteiam também com inúmeros korin ewé (cânticos de folhas), traduzidos para o português. Leitura indispensável para quem deseja saber mais sobre as folhas e seus segredos.

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