NOSSO PAI.. FLÁVIO DE OGUIAN

Nosso Pai e seus filhos

É com muita dor e tristeza que escrevo esse post. Perdemos, no dia 30 de Maio de 2011, um grande homem, que dedicou sua vida e sua obra ao legado de nossos ancestrais africanos. Seu nome: José Flávio Pessoa de Barros, ou para nós, os seus filhos, Papai Flávio. Aquele que não foi apenas um pai, mas também um grande amigo. Sempre atento e pronto a nos auxiliar. Com seu jeito tranqüilo e sempre sereno nos ensinou a amar e respeitar essa religião.

Realmente a perda é simplesmente imensa, a dor e o sentimento de solidão ainda são muito fortes e presentes. Pai Flávio foi muito além de apenas um Babalorixá, ele foi um grande conselheiro, um grande amigo. Sempre atento e cuidadoso, nada escapava ao seu olhar. Ele tinha a formidável capacidade de agregar, de dizer a coisa certa no momento exato. Muitas vezes me senti perdido e sem ter noção de como me posicionar diante das dificuldades que a vida me apresentava. Nesses momentos sempre obtive dele as respostas que precisava e a certeza de estar bem amparado. E agora ele nos deixa, assim, de forma tão abrupta.. É, vai ser muito difícil superar..

Papai Flávio, agora o senhor é um essá, nosso ancestral, que continuará olhando e nos protegendo. Sua lembrança e seus ensinamentos estarão sempre no coração de cada um de nós, seus filhos e amigos.

Que Ogiyan nos cubra, Xangô nos defenda e Oxossi nos fortaleça sempre! Asé! Asé! Asé!

“Ásèsè mo juba, Ode Arolé lo bí wa”

(Origem das origens, nós lhe apresentamos nosso humilde respeito).

Sua cadeira, aos pés de Idanko..

Peço a Ikú, e ao Senhor do Alá, que nos permita ter o tempo necessário para que possamos fazer crescer as sementes que nosso pai plantou nos corações de cada um de nós. Que esse tempo seja longo, e que essas sementes possam gerar árvores fortes, com raízes profundas e com frutos sadios. Asé!

 

Ìkú són a lè

Níbi Bàbá Alápáàlà.

Ìkú don ohun bàbá

Ó kí s’àlà ojú wa

Ní ìfé agà to ní gbè

Osó Ìkú a fó a wé to

Ìkú á lè, ìkú á lè, Ìkú àjò!

Morte, fique amarrada na terra

Aqui, Pai que tem o àlà (o pano branco) ao seu lado

Contra feitiços, a Morte e outras coisas.

Pai, ponha o àlà e o olhar sobre nós.

Tenha amor e que estejamos aptos à proteção

Contra os feitiços da Morte, eleve-nos e envolva-nos bastante.

Morte na terra, Morte na terra, Morte viaje (vá embora)!

Pai Flávio e Vó Nitinha, momento inesquecível em Miguel Couto

 

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Awùrépépé (Spilanthes acmella – Jambú/treme treme)

Jambú (Blainvillea acmella) - Jardim Botânico do Rio de Janeiro

Hoje vou falar sobre uma folha muito importante dentro do culto aos orixás, o jambú. Nas casas de Candomblé Ketú recebe os nomes de awùrépépé, éurépepe ou ainda oripépe. Pela sua importância é tida como uma planta de oro, ou seja, de fundamento. Folha ligada aos mistérios da Deusa da Fertilidade, Oxum. Às vezes é confundida com o bánjókó (Acmella brasiliensis), erva também consagrada a Senhora dos Rios. Suas flores são consagradas a Exú, orixá da procriação, aquele que promove as uniões. O jambú costuma crescer em regiões úmidas, estando também, de certa forma, associado a Oxalá, o Senhor da Criação. Quando observamos esses três aspectos ligados a essa planta (Fertilidade/Procriação/Criação) conseguimos entender porque ela é tão importante no processo de iniciação de um iyawo. Oxum é o grande útero que povoa o mundo. Exú é aquele que faz o possível (e o impossível) para que esse útero seja fecundado, cabendo a Oxalá permitir que possamos ser criados no mundo espiritual (orun) e assumir o nosso papel no ayé (mundo dos vivos). Podemos dizer que essa folha carrega em si essa força, que permitirá o nascimento do iyawo dentro do culto aos orixás.

Jambú (Blainvillea acmella) - Jardim Botânico do Rio de Janeiro

O jambú é uma planta tipicamente brasileira, sendo conhecido por vários nomes dentro da cultura popular: abecedária, agrião-bravo, agrião-do-brasil, agrião-do-norte, agrião-do-pará, botão-de-ouro, erva-maluca, jabuaçú, jaburama, jambu-açú, jamaburana, mastruço, nhambu. Dentro do mundo científico são conhecidas diversas espécies que recebem a denominação de jambú, as principais são: Spilanthes acmella e Blainvillea acmella. Dentro da medicina popular costuma ser utilizada para diversos fins, como: antifúngico, anti-séptico, antibacteriano, anestésico, antigripal. É comum entre alguns povos da Amazônia a mastigação das folhas e flores do jambú para aliviar dores nos dentes.

É interessante notar que esse conhecimento, acumulado principalmente pelas populações tradicionais como ribeirinhos, grupos indígenas e quilombolas, vem sendo comprovado por diversos estudos científicos. Alguns desses estudos indicam a presença de alcalóides com propriedades inseticidas, podendo ser utilizados no combate do Aedes aegypti. Um dos principais compostos químicos presentes no jambú é o espilantol. Infelizmente para nós, brasileiros, essa substância (espilantol) já foi patenteada por Norte Americanos e Europeus. Com isso, se quisermos produzir e comercializar remédios e cosméticos a base do nosso jambú teremos que pedir permissão e pagar a esses países. Por exemplo, já existem laboratórios estrangeiros trabalhando na produção de cosméticos anti-rugas a base de espilantol. Esse produto seria aplicado na musculatura subcutânea do rosto, inibindo as contrações musculares de forma muito semelhante ao botox. Porém teria a vantagem de apresentar um grau de toxicidade menor. É realmente uma situação lastimável, principalmente se lembrarmos que o conhecimento para se chegar a esse cosmético provavelmente veio de nossas comunidades tradicionais.. Quando iremos acordar hein?

Bánjókó (Acmella brasiliensis)

Dentro da culinária da Amazônia e do Pará essa folha é muito apreciada, servindo como base para diversos pratos, como o pato no tucupi e o tacacá. Ambos são herança de nossos povos indígenas. O tucupi é um caldo retirado da raiz de mandioca brava, e que leva horas para ficar pronto, tempo necessário para que perca todo o ácido cianídrico, extremamente tóxico. Já o tacacá é um prato composto com o tucupi bem quente e misturado com farinha de tapioca, camarão e folhas de jambú. Quando se come essa iguaria é normal que a língua fique dormente e os lábios comecem a tremer, fato que justifica o outro nome dessa folha “treme treme”.

Outro fato interessante em relação a esse ewé é a sua utilização em pomadas para aumentar a libido feminina, servindo

Spilanthes acmella (Jambú)

assim como estimulante sexual para mulheres. Essa ação se daria principalmente através do aumento da contração (peristaltismo) da região genital feminina.

Um estudo realizado pela Universidade Federal do Ceará constatou que a pomada de jambú utilizada em um grupo de homens e mulheres conseguiu aumentar significativamente o desejo sexual e a excitação feminina, assim como o desejo e a satisfação sexual masculina durante a atividade sexual. Mais um fato que comprova que nossos mais velhos sabiam muito bem o porquê da sua utilização.

Vocês se recordam do início do texto? Exú/ Oxum/Oxalá (Procriação/Fertilização/Criação)..

Embora muitos considerem essa folha como eró (que apazigua) o awùrépépé também pode ser considerada uma folha gún (que acorda, desperta). Folha poderosa, que cantamos na sassayin:

Ti éwerépepe

Omi pére pe

Éwerépepe

Okò ni pere pe

Éwerépepe

Omi pére pe

Éwerépepe

Ewerepepe

Água na dosagem certa

Eurepepe

Você não tem na dose certa

Eurepepe

Água na dose certa

Você não tem na dose certa

Ou ainda:

Awùrépépé pèlépèlé beó

Awùrépépé

Aurepepe sensatamente nos abençoe

E também:

Òsányìn Aláwo wa

Sawùrépépé orisá ewé

Òsányìn, Guardião de nosso culto

Suplicamos sua benção, orixá das folhas

Spilanthes acmella (Jambú)

SAIBA MAIS:

Efeito do jambu (acmella oleracea) sobre a função sexual masculina e Feminina

Mestrando: Rommel Prata Regadas

Jambú amazonense agora é patene americana

Blog: Jornal Repórter

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FESTA DE SARA KALI, NA FRANÇA

Santa Sara Kali

O TEXTO A SEGUIR FOI RETIRADO DO SITE ARCANO MAIOR: Notem que, mesmo entre os ciganos a prática da incorporação também existe, sendo, de certa forma, aceita.

“Sua imagem é coberta de lenços, sendo ela uma protetora da maternidade. Mulheres (romi) que não conseguem engravidar e mulheres que pedem por um bom parto, ao terem seus pedidos atendidos, depositam aos seus pés um lenço (diklô). Centenas de lenços se acumulam aos seus pés.

A imagem de Santa Sara Kali

O corpo da estátua é coberto por inúmeros mantos e jóias em sinal de devoção, respeito e veneração. Sobre eles, vê-se apenas o rosto de uma beleza juvenil. A expressão dos traços é de grande delicadeza.

Um receptáculo de madeira, que recebe os pedidos e as preces escritas dos fiéis, é a principal testemunha do fervor e da devoção que os ciganos têm por sua padroeira.

A imagem, desgastada pelo tempo, tem sempre a face exibindo falhas na pintura. Isso acontece porque os ciganos abraçam e beijam Sara.

O calor da cripta que abriga a imagem é intenso, devido ao enorme número de velas que queimam ali e o que acontece lá é emocionante. Alguns depositam cartas e oferendas num receptáculo de madeira, outros deixam objetos como muletas; outros, abraçados à imagem como se tivessem reencontrado alguém muito querido, choram copiosamente entre murmúrios quase incompreensíveis. Há aqueles que motivados pela fé, conversam com Santa Sara, fazem pedidos, enchem de beijos o rosto da imagem.

Na vigília de 24 de maio, é comum ver ciganos em transe. Manifestam-se as entidades dos antepassados, mesmo dentro de uma igreja católica.

No Brasil cada vez mais Santa Sara é cultuada. Dificilmente a Santa é encontrada

Santa Sara Kali- A Virgem Negra

em igrejas, mas há um número de imagens espalhadas em grutas, praças, pequenas capelas, centros e comércio em geral, uma vez que a Sara caiu nas graças populares.

Peregrinação do Mês de Maio

Na manhã do dia 24 de maio é celebrada uma missa de abertura das peregrinações. Saintes-Maries-de-La-Mer (França) se torna verdadeiramente a terra dos ciganos, a beleza das carroças antigas, decoradas com belas pinturas e amuletos, os fabulosos traillers, o colorido das roupas… tudo ritimado por rezas, cantos, danças e o som dos instrumentos ciganos mais populares: címbalos, guitarras, acordeóns e violinos.

Após o meio dia acontece a descida dos relicários das Santas Marias, depois vem o momento tão esperado. Sara é carregada por quatro ciganos e é levada até o mar. As mãos tentam alcançar os mantos, levantam-se crianças, pedindo para elas a proteção de Santa Sara.

Os ciganos cantam, rezam e aclamam a sua padroeira, gritando “Viva Santa Sara”. Sara é, assim, escoltada até o mar mediterrâneo, onde, segundo a história, desembarcou com os santos amigos de Jesus. Depois, lentamente e sempre debaixo de aclamações, Sara é devolvida à cripta.”

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DIA 24 DE MAIO – DIA DE SANTA SARA KALI

Nos dias 24 e 25 de maio, centenas de ciganos de todo o mundo festejam o dia de Santa Sara Kali, a Virgem Negra. Os leitores desse blog podem estar se perguntando. O que essa Santa e os ciganos têm haver com as religiões de matriz africana e com o culto as folhas? A primeira vista e com um olhar desatento, poderíamos supor que não haveria qualquer tipo de relação.

Entretanto devemos nos lembrar que a cultura dos povos ciganos está fundamentada em práticas religiosas muito antigas, onde a relação entre o homem e a Natureza se fazia naturalmente. O cigano aprende, desde a mais tenra idade, a ler os sinais deixados pelos seres elementais: A chama de uma fogueira ou de uma vela, o movimento das folhas que balançam ao vento, as águas de um rio correndo e que brincam aos nossos olhos.. Essa integração com a natureza que os cerca fez com que esse povo se tornasse grande conhecedor das ervas e de seus mistérios. Assim como os povos africanos.

Não foi por acaso que algumas dessas práticas tenham sido incorporadas aos cultos de matriz africana, no caso específico a Umbanda. Nessa vertente religiosa, não só são realizados sortilégios e encantamentos, baseados na cultura desse povo, como existe ainda a possibilidade de incorporação de espíritos ciganos, que chegam trazendo alegria e ensinamentos para aqueles que os procuram. É interessante percebermos que tudo isso acontece dentro dos terreiros de Umbanda, na maior integração. Embora não seja muito comum, é possível vermos ciganas “trabalhando” ao lado de pombas-giras. Isso é fantástico, uma vez que as religiões de matriz africana possuem essa forte capacidade de agregar, reunir e redefinir.

Sou iniciado no Candomblé, porém tenho extrema devoção e adoração por esse povo, que assim como Ogún (meu Pai) está sempre a procura de novos caminhos, buscando o novo e aprendendo com o desconhecido. Por isso, e muito mais, fiz essa postagem, em homenagem a Virgem Negra, vinda das águas. Sara Kali.

SALVE SARA KALI! SALVE O POVO CIGANO!

Dica de leitura: Magia Cigana (encantamentos, ervas mágicas e advinhação)- Charles Godfrey Leland/ Editora Bertrand Brasil, 1992.

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ORIXÁS Mitologia e história contadas pela música brasileira

Esta série de 12 programas de rádio busca desvelar o universo das crenças, mitos e conceitos das religiões brasileiras de matriz africana ao mesmo tempo em que as relaciona com a diversidade da música brasileira. Através de lendas, relatos, toques e cantigas, o entedimento de mundo contido na religiosidade afro-brasileira apresenta-se como um conhecimento oral e colaborativo, construído por sucessivas gerações e por uma diversidade de vozes e influências. O rádio é, portanto, um meio ideal para que esta oralidade se multiplique. A música, elemento fundamental, seja nos rituais por sua dimensão sagrada, ou como síntese das influências culturais no cancioneiro popular, é o elemento que une as práticas religiosas ao cotidiano, contextualizando para os ouvintes versos tão conhecidos e servindo de ponte para um entendimento maior da influência da cultura africana no Brasil. Cada episódio é focado em um orixá específico, suas especificidades, histórias e mitos, que se desdobram em questões fundamentais para esta cultura. Seria impossível que esta série buscasse dar conta da imensa diversidade contida nos universos de matriz africana, de suas diferentes nações, de suas diferentes influências regionais que no Brasil enriqueceram-se umas as outras. Por isso, cada programa se propõe a oferecer um despretensioso retrato sonoro dessas imponentes personagens já tão enraizadas na cultura e na música brasileira.

http://orixas.hotglue.me/

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CORAL IYUN ASÉ ORIN- OFURUFU

CANTAMOS PARA O SENHOR DE NOSSOS ORIS, AR FONTE DA VIDA, AQUELE QUE NOS COBRE COM O GRANDE ALÁ. EPÁ BABÁ!!!

UFURUFU

UFURUFÚ

PARTICIPAÇÃO BAILARINO DÁRIO FIRMINO DA COMPANHIA DE ARUANDA.

VEJA TAMBÉM: IYUN ASÉ ORIN

Companhia de Aruanda

 

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AgbedeIfáloyanmi (Ferreiro)

Ferramenta de Ossaiyn- Ferreiro AgbedeIfáloyanmi

Ferramenta de Ossaiyn- Ferreiro AgbedeIfáloyanmi

Ferramenta de Ossaiyn- Ferreiro AgbedeIfáloyanmi

Ser ferreiro e trabalhar com o fogo, transformando o ferro e o aço dando forma a imaginação, é um dom divino. Dom que Ogun transmitiu a poucos. AgbedeIfáloyanmi é com certeza um dos agraciados pelo Senhor dos Caminhos. Que suas ferramentas possam continuar sendo utilizadas para nos ligar a essa força divina que cultuamos em nossas casas de Candomblé:

O AUTOR POR ELE MESMO:

Sou OGÃ de OYA e OLOSAYN na casa da minha YALORIXÁ OMINDAREWÁ no ILÊ AXÉ YA ATARAMAGBA localizado em Stª Cruz da Serra. AWO IFÁ no ILÊ AJAGUNMALE, iniciado pelo BABALAWÔ AFISI AKINSOLA IFÁMUYIWÁ..

Ferramenta de Ossaiyn- Ferreiro AgbedeIfáloyanmi

Ferramenta de Ossaiyn- Ferreiro AgbedeIfáloyanmi

O meu ofício é agbedé (ferreiro), e como tal faço ferramentas e todo o tipo de utensílios para o culto aos Orixas. Entre meus amigos sou conhecido como ferramenteiro de orixá. Forneço materiais para o culto a ORUMILÁ.  Estou pronto para atende-los.

Ferramenta de Ossaiyn- Ferreiro AgbedeIfáloyanmi

Ferramenta de Ossaiyn- Ferreiro AgbedeIfáloyanmi

Ferramenta de Ossaiyn- Ferreiro AgbedeIfáloyanmi

Ferramenta de Ossaiyn- Ferreiro AgbedeIfáloyanmi

TELEFONES DE CONTATO: 2675-8017 / 93410502.

CLICKE NA IMAGEM PARA AMPLIAR.

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GLOBO ECOLOGIA- FLORESTA E CULTURA

Prof. José Flávio Pessoa de Barros

O programa fala sobre a relação existente entre os povos da floresta e a cultura que herdamos dos mesmos. Em destaque, meu pai José Flávio Pessoa de Barros, que expoem alguns dos aspectos da cultura africana. Vale a pena dar uma olhada.

http://redeglobo.globo.com/videos/globoecologia/v/a-floresta-e-a-cultura/1503036/

Veja também:

O Segredo das Folhas:

Ewé Òrìsà- Uso litúrgico e terapêutico dos vegetais nas casas de candomblé jêje-nagô:

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ÌPESÁN- Guarea guidonia (bilreiro, carrapeteira)

Jardim Botânico do Rio de Janeiro

De nome científico Guarea guidonia, essa espécie pode ser encontrada em quase todo o território brasileiro. Recebe muitos nomes: cura-madre, jitó, carrapeta, pau-bala, marinheiro, cedrão, rosa-branca, bilreiro e carrapeteira. É uma árvore de grande porte, podendo chegar a mais de 25 metros de altura. Sua casca costuma ser utilizada como laxante, vermífugo e para baixar febre (antipirético ou antitérmico). Alguns estudos demonstraram a presença de diversos  Sesquiterpenos e esteróides na casca do tronco de Guarea guidonia. Também é interessante ressaltar que alguns estudos demonstraram que extratos obtidos a partir de sua casca também teriam ação inseticida, podendo representar uma arma no extermínio de triatomíneos (mosquitos vetores da Doença de Chagas) e também do Aedes aegypti (Dengue). Costuma dar dezenas flores pequeninas, brancas, que depois são substituídas por diversos frutinhos de casca vermelha e de polpa branca, cores do orixá do fogo.

Guarea guidonia (Flores)
Ìpesán- Frutos

Folha de extrema importância no culto aos orixás, onde recebe o nome ìpesán, pois nos protege de todo tipo de feitiço. É folha do orixá do fogo e da justiça, Xangô. Contra o fogo não existe queimação nem demanda que nos atinja, uma vez que ìpesan nos guarda. Como é uma folha do Rei, também pode ser usada para que Ele compartilhe sua prosperidade conosco. Costuma ser usada em banhos, sacudimentos ou na forma de pós. Cantamos para essa folha a seguinte canção:

Ìpesán elewa

Èiyé t’alo ké mo mase so

Lindo Ìpesán

Que ave te impediu de dar frutos?

Essa cantiga nos lembra uma conhecida itan, em que as Iya Mí Agbá (Eleiyé), na forma de passaro, resolveram pousar em algumas árvores. Segundo a itan, ìpesán foi uma das árvores que se recusou a continuar dando frutos. Como viram que não teriam como se alimentar os pássaros foram procurar abrigo em outras árvores. Por isso pedimos sempre a proteção das suas folhas, que são repletas de axé! Que o pássaro do infortúnio e da tristeza nunca pouse sobre nossas cabeças! Asé! Asé! Asé! Ewé o!!! Asá!!!

 

SAIBA MAIS:

Sesquiterpenos e esteróides da casca do tronco de Guarea guidonia (L.) Sleumer (Meliaceae)

Atividade inseticida de extratos de plantas do cerrado em Rhodnius milesi Carcavallo, Rocha, Galvão & Jurberg (Hemiptera: Reduviidae), em condições de laboratório

Atividade Larvicida de Extratos Vegetais sobre Aedes aegypti

Ìpesán (Jardim Botânico Rio de Janeiro)

 

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QUE MUNDO DESEJAMOS?

Ewé Aferé- A folha da amizade

Nosso país está chocado com o fato ocorrido ontem, em uma escola da rede municipal de ensino, em Realengo. Conversando com uma ekeji da minha casa, pessoa que muito respeito e tenho um carinho especial, debatemos o porquê de Deus permitir que um fato desses ocorre-se, afinal as crianças deveriam estar resguardadas de todo mal. Ela se questionava que Deus é esse, que permite que isso aconteça? Que diabo de livre arbítrio é esse?

Acredito ser realmente um momento difícil e de muita dor e comoção, entretanto Deus não tem nada haver com isso.. Nós homens temos o nosso livre arbítrio, dado pelo Criador, para fazermos as nossas escolhas. Se essas escolhas nos levam para o caminho do bem ou do mal é culpa nossa. Deus está sempre com cada um de nós, mas isso não impede que soframos acidentes, fiquemos doentes ou soframos uma fatalidade (como o ocorrido). Devemos aprender com Ele, como passar por essas situações e sobreviver da melhor maneira possível. A todo o momento ele nos dá prova disso, não só nos momentos mais difíceis da nossa vida, mas também nos de alegria. Infelizmente, muitas vezes não nos damos conta disso. As mortes foram trágicas? Foram. Mas pra quem acredita realmente em algo Maior (Deus) também consegue obter certo conforto, por saber que o Criador saberá cuidar muito bem desses seres inocentes, onde eles se encontram nesse momento. Aprender a ter fé, em qualquer momento, é um dos caminhos para superar os inúmeros obstáculos que a Vida nos impõe, e realmente não são poucos. Deus está no controle, só que as mãos que estão atuando são as nossas..

Quando pensamos no livre arbítrio ofertado por Deus (Olorun) não podemos nos esquecer que cada ação que escolhemos não interfere apenas nas nossas vidas. Quando faço uma má escolha é certo que a mesma pode atingir outros, que mesmo não tendo optado como eu, serão influenciados direta ou indiretamente. Daí a importância de se pensar bem suas ações. Dentro do ocultismo existe uma Lei que nos demonstra isso claramente, é a Lei Triplicie: “Tudo que fazeres de bem, virá 3 vezes para você e o que fizeres de mal, também”. Deus nos deu essa RESPONSABILIDADE quando nos concedeu o livre arbítrio.

Quando alguém decide matar alguém, não quer dizer que o outro escolheu morrer. A vida é um presente dado por Deus, ninguém tem o direito de tirá-la. No momento que essa “má escolha” acontece, o Universo sempre reage. Essa reação pode ser entendida por nós de forma rápida ou não. Não podemos esquecer que o tempo Dele não é exatamente o nosso. Existem várias maneiras de se tentar explicar (o inexplicável) a tragédia: através da psicologia, do kardecismo e até através dos ensinamentos do Candomblé (Sim do Candomblé), entretanto nenhuma delas conseguiria acabar com a dor de quem perdeu um ente querido de forma tão trágica e desumana, incluindo as mães.

Acho que momentos como esse não são para se questionar “onde Deus estava que não viu isso”, mas sim, de nos questionarmos se nós também não temos uma parcela de culpa em tudo isso. Pode até gerar polêmica o que eu vou falar, mas eu me sinto tão chocado com as mortes que ocorreram nessa escola quanto com as mortes que acontecem diariamente em nosso país e no mundo. Todas as semanas centenas de crianças são mutiladas, violentadas e mortas. A sociedade só consegue se comover e se indignar quando a mídia entra em cena. Pois é, para essas OUTRAS crianças Deus não existe.. Será que a vida ganha mais valor quando é matéria de jornal? Acredito eu que NÃO. O crime de Realengo choca? SIM. Porém não mais que a de uma aluna minha que foi estuprada e dilacerada pelo tio. A sociedade como um todo está doente, está fazendo escolhas ruins que acabam se refletindo em TODOS. Vivemos em uma sociedade que permite que uns destratem e agridam os outros, sem qualquer motivo, e as pessoas preferem se omitir ou passar panos frios, como se nada tivesse acontecido. Ser violento com o outro, é justificável. Agir com deslealdade, é justificável. Ser preconceituoso, é justificável. Agredir quem trabalha com a gente, é justificável.. Ou seja, tudo pode ser justificado, até a falta de caráter. É só dar uma olhada nos “ídolos” do BBB, do futebol, na nossa política (Bolssonaro), ou mais perto, no nosso ambiente de trabalho.

Como educador, observo diariamente os reflexos dessa promiscuidade de valores em meus alunos, e também entre os colegas. Quando somos educados e tentamos agir de forma acertada somos logo estigmatizados: o certinho, o chato, o cricri, o difícil.. O mundo está tão louco que quando você tenta caminhar do lado “certo” você se torna o “errado”. Embora os fatores que levaram a esse crime bárbaro não sejam apenas sociais, mas também psicológicos, se não mudarmos nossa forma de PENSAR e AGIR com o outro estaremos contribuindo para que casos como esse sejam cada vez mais freqüentes. E DEUS NÃO VAI TER NADA HAVER COM ISSO.

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(Jenipapo) Lenda do índio Xnhangá

Arte indígena Kusiwa (Aramari, a grande jibóia)

Essa lenda conta como os índios descobriram o nosso querido jenipapo, é muito bonita, e nos ensina como podemos viver melhor com os nossos irmãos e com tudo que Olorum nos oferece. Realizei algumas adaptações e a reescrevi, de forma a torná-la ainda mais rica:

Conta uma lenda que em uma aldeia, abrigada no interior da floresta, morava um guerreiro muito valente e destemido, famoso por sua astúcia e inteligência, que o levavam a vencer diversas batalhas e conquistar muitas aldeias. Seu nome era Xhangá, e por sua causa sua aldeia era muito prospera, uma vez que possuíam terras cercadas de rios e com muita caça. Isso atraia a atenção de diversas outras tribos do entorno, que tentavam se apossar dos recursos que dispunha a tribo de Xnhangá, uma delas era a dos Prinhan.

A tribo de Xnhangá ficou sabendo que os Prinhan iriam tentar invadir as suas terras e começou a se preparar para a guerra, pintando seus corpos com cores intensas, como vermelho, verde e azul, de forma a intimidar os adversários. Xnhangá era um formidável guerreiro, porém também possuía um extremo censo de justiça. Sabia que a guerra gerava muita dor, muitas perdas de vidas, por isso rezou a Tupã, o Grande Deus, nas margens da lagoa.

Tupã atendeu sua oração e conversou com Xnhangá, na beira da lagoa. Em um momento da conversa Tupã foi à direção de uma árvore e retirou um fruto verde, que entregou nas mãos de Xnhangá:

-Xnhangá, você é sábio e possui a astúcia de Acauã (ave grande que ataca serpentes), amasse essa fruta e pinte o seu corpo com ela. Vá à frente do seu povo, pois ela os protegerá da guerra. Diga aos Xnhangá que a Natureza, que eu criei, é para todos! A riqueza da terra deve ser dividida. Jururá Açú mandará chuvas para fertilizar a terra e Sumá (deusa da agricultura) garantirá colheita farta para todos. Cada vez que minha esposa, Jaci (a Lua) brilhar no Céu e uma fêmea estiver dando a luz, os homens terão sempre carne farta para sua alimentação. Mas nunca esqueçam que Caapora (protetor dos animais) e Curupira (protetor das matas) devem ser sempre reverenciados. Os rios e lagoas de Iyara sempre serão abundantes em peixes. Icatú (deus da beleza) e Rudá (deus do amor) farão com que os homens se apaixonem e que a aldeia cresça.

Xnhangá ouviu atentamente o conselho de Tupã. No dia da grande batalha pintou seu corpo com o sumo da fruta dada por Tupã e transmitiu a todos o que o Grande Deus havia lhe dito. Todos acataram o ensinamento, e a guerra entre as tribos teve fim, a morte e a tristeza se afastara do povo de Xnhangá. Todos dividiam os recursos que lhes fora ofertado pela Natureza. A tranqüilidade foi tanta que a filha do cacique da tribo de Xnhangá se casou com o filho do cacique da tribo Prinhan, fazendo assim com que as duas tribos se tornassem uma. Descobriram depois, que a fruta ofertada por Tupã servia para curar doenças e para a alimentação. Resolveram então chamá-la jenipapo, “fruta que faz tinta preta”.

A Arte Kusiwa é uma técnica de pintura e arte gráfica própria da população indígena Wajãpi, do Amapá

 

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BUJÈ II- JENIPAPO

Bujè- Jenipapeiro

Entre as populações indígenas o corante extraído de seus frutos e da madeira há muitos séculos é utilizado em diversas cerimônias, junto com urucum e a tabatinga. O habito de pintar o corpo é uma das principais características culturais de cerca de 200 sociedades indígenas existentes no país. Entre os índios Wajãpi (Amapá) essas pinturas recebem a denominação de kusiwa, representado criaturas míticas ou animais. Segundo os Wajãpi, a tinta do jenipapo teria o poder de chamar a atenção dos espíritos da floresta e dos mortos, enquanto o cheiro e a coloração avermelhada do urucum os protegeria dessas entidades. É interessante observar que em crianças recém-nascidas e pessoas muito doentes o padrão kusiwa seria evitado, afim de não exporem os mesmos a essas forças sobrenaturais, o que poderia representar um risco para os mesmos. Isso me faz lembrar alguns casos do Candomblé, onde também evitamos que determinadas pessoas passem por certos tipos de rituais.. É o caso dos abikú, que ao se iniciarem não podem passar pelos mesmos rituais de pessoas “normais” exatamente para evitar que os espíritos que os acompanham possam colocar em risco a vida dessas pessoas. Nesse caso, as pinturas no corpo também desempenham um papel importantíssimo..

Na região do Xingu e Tocantins habitam os Assurinis, que utilizam as mãos ou talos de madeira para aplicarem a tintura de jenipapo e urucum em seus corpos. Alguns motivos mais elaborados podem ser feitos a partir de “carimbos”, feitos com o caroço da fruta inajá (Maximiliana maripa) partida ao meio e mergulhados na tintura. Já entre os Xicrim (subgrupo Caiapó) o jenipapo mastigado e misturado com água e carvão, é aplicado entre as mulheres e nos seus filhos. Os Bakairi (Mato Grosso) também se pintam com o extrato do jenipapo durante diversas cerimônias.

Era costume entre as mulheres Yorubá enfeitar os corpos e o rosto com pinturas e cortes, um dos principais corantes utilizados era a tinta de uma árvore conhecida como bùje. As pinturas feitas com esse corante demoravam pra sair da pele, embelezando por vários dias essas mulheres, que eram muito vaidosas. O nome dessas pinturas era ínábùje.

Nas casas de Candomblé o jenipapeiro é conhecido como Bùjé, sendo uma das principais folhas do orò de Obaluaye e

Jardim Botânico do Rio de Janeiro

Omolú. É considerada por muitos, indispensável, tanto nos rituais de iniciação como em obrigações dos filhos deste orixá, sendo uma das principais folhas utilizadas no àgbo dos mesmos. Sua relação estreita com esse vodun/orixá nos permite classificá-la como uma folha da terra (ewé ile), o que justifica a sua utilização em trabalhos para curar ataques epiléticos, doença geralmente associada ao referido orixá. Alguns desses trabalhos são feitos em baixo do pé de jenipapo, onde são dados golpes de faca na árvore, e pede-se que a doença seja levada embora. Esse mesmo trabalho também costuma ser destinado ao inkicie Kitembo (Tempo) e também ao vodun Loko. No ritual Angola são feitos determinados trabalhos onde animais são pendurados (e mumificados), preferencialmente nos galhos do jenipapeiro, iroko ou da cajazeira, que devem estar próximas ao assentamento desse inkicie. Isso demonstra ainda mais a importância dessa folha, uma vez que pode substituir duas árvores consideradas de grande poder dentro do Candomblé: a cajazeira e iroko. Suas folhas também servem para forrar a vasilha em que é servido o doburú do “velho”.

Obaluaye- Arte de Patrick de Ayrá (Ogba Silé)

O jenipapo possui grande prestígio no Candomblé, pois segundo um itan narrado em Ejionile (Ejiogbé), foi utilizado para salvar um homem de Ikú (a morte). Esse homem passou a tinta do Bujé no corpo e não foi reconhecido por Ikú. Nunca devemos esquecer que esse Odú Agbá carrega consigo o segredo da vida e da morte, por detrás do pano branco se esconde também um pano negro.. É por isso que essa folha costuma ser muito empregada nos rituais de retirada de mão de zelador falecido (Mão de Vumbe) e em banhos de limpeza.  Na Santeria Cubana se costuma afirmar que a fumaça da madeira dessa árvore é ótima para afugentar os feitiços, pois ela é capaz de deixar os olhos dos feiticeiros totalmente confusos.

Salve a fruta da minha infância, viva a folha Bujé!!! Atoto!!!

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Bujè- Jenipapo I

Genipa brasilienses

O jenipapeiro (Genipa americana) é uma árvore nativa, tendo origem na América Central e América do Sul, estando presente na região Amazônica e na Mata Atlântica. Costuma ter um porte elevado, chegando a 20 metros de altura e com copa vistosa. Pertence a família das rubiáceas, mesma do café. Sua madeira é macia e elástica, rachando com facilidade. É utilizada em marcenaria de luxo, construção civil e naval, em tanoaria e xilogravura.

Seu fruto é conhecido como jenipapo, nome de origem tupi-guarani que significa “fruta que mancha”, ou ainda, “fruta que serve para pintar”. Isso porque era hábito muito comum em diversos grupos indígenas utilizar o fruto do jenipapo para cobrirem seus corpos, um dos motivos era que protegia a pele contra insetos, durando por vários dias. É interessante observar que as pinturas eram feitas com o fruto ainda verde, que tinha suas sementes retiradas e produzia um suco, inicialmente incolor, e que em contato com o ar sofria oxidação e se tornava azul escuro, quase preto.

Essa coloração se deve a presença de uma substância corante denominada genipina, que perde sua ação corante com o amadurecimento do fruto. Por isso quanto mais verde for o fruto, mais escura será a coloração do suco, que adquire a consistência do nanquim. Esse corante também pode ser utilizado para tingir tecidos, peças de cerâmica e tatuagens (que desaparecem após algumas semanas).

Ainda com relação ao seu nome, segundo Nei Lopes (Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana) o termo jenipapo se refere também a uma mancha escura que alguns recém-nascidos mestiços teriam na sua região glútea ou quadris, indicando assim sua origem africana.

O jenipapo é um fruto rústico de aroma forte e extremamente ácido, quando consumido ao natural. Para ser aproveitado deve ser colhido no momento certo, apresentando um sabor extremamente acentuado, e que costuma agradar a poucos. É muito apreciado no Nordeste, onde costuma servir como matéria-prima na confecção de doces, xaropes, licores e vinhos. Minha mãe, que era do Amazonas, adorava licor de jenipapo, me recordo que tinha um aroma maravilhoso.. Depois que ela foi iniciada no Candomblé foi proibida de comer a fruta.

Além da genipina, o jenipapo é rico em ferro, cálcio, vitaminas B1, B2, B5, C e carboidratos, o que justifica a sua utilização em casos de anemia e como fortificante. Também é muito empregado como estimulante do apetite e no tratamento de doenças do baço e fígado.

Jenipapo- Jardim Botânico do Rio de Janeiro

 

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OBRIGADO CRIADOR!!!

Os anos passam, mas a nossa essência nunca muda. Somos o que somos..

Hoje comemoro mais uma ano de vida! Isso é muito bom e deve ser sempre festejado! Obrigado meu Criador, por permitir que nesse dia eu tenha chegado aqui no Aye (mundo), nesse dia. Obrigado meu Orí, por ter me acompanhado até aqui, no Aye. Obrigado meu Orixá, por me proteger e cuidar de mim em cada dia da minha vida.

Adupe Olorun! Adupé Orí! Adupé Orisá! Asé! Asé! Asé!

Na minha religião comemoramos sempre orando, cantando, comendo e dançando, por isso tinha que postar três orins (rezas) que iniciaram o meu dia de hoje, e que sempre me acompanham:

Orin Eledawa

Awa na re Eleedawa

Mo wa dupe ore ati Odun modun,

Mo wa dupe ore ati Osu mosu,

Mo wa dupe ore iba gbogbo,

Awa na re Eleedawa

Reza do Criador

Nós estamos felizes, nosso Criador,

Nós estamos felizes, nosso Criador,

Eu estou agradecido pela dádiva de anos e mais anos,

Eu estou feliz por conhecer Osu, a essência do ser Criador,

Eu estou feliz, meus respeitos à todos,

Nós estamos felizes, nosso Criador

Orin  Oluwa

Gba ope mi Oluwa Oluwa o

Gba ope mi Oluwa Oluwa o

Salare na re o!

Bo ti nse pelu mi, ni ko mase,

Bo ti nse pelu mi, ni ko mase!

Pade mi lonon iyanun Oluwa

Pade mi lonon iyanun Oluwa!

Ma je wa La son nse mi lalaiyo loni,

Ma je wa La son nse mi lalaiyo loni!

Pade mi lonon iyanun Oluwa

Pade mi lonon iyanun Oluwa!

Reza para Oluwa (Senhor)

Os meus agradecimentos Senhor

Os meus agradecimentos Senhor

Pelos meses felizes que tive a vossa proteção

Dando a mim muito mais,

Dando a mim muito mais!

Não permita que meus caminhos se fechem Senhor,

Encontre-me no caminho com sua boca aberta, Senhor

Encontre-me no caminho com sua boca aberta, Senhor

Orin Orí

Orí ení kini sàka ení

Orí ení kini sàka yan

Orí olóore ori jè o

A saka yìn ki ya n’to lo ko

A saka yìn ki ègbón mi gbè

Ìta nù mo bo orí o.

Reza da Cabeça

Cabeça que está purificada na esteira

Cabeça que está purificada na esteira caminha soberbamente

A cabeça do vencedor vencerá

A cabeça limpa que louvamos, mãe permita que façam uso dela

A cabeça limpa que louvamos meu mais velho conduzirá

Ar livre e limpo oferecido a cabeça.

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Como podemos ser mais felizes..

Amigos queridos..

Hoje escrevi esse texto na comunidade FOLHAS SAGRADAS (Orkut), para dar uma palavra de amizade e força para uma pessoa que se achava muito só e gostaria de saber que folhas poderia utilizar para encantar as pessoas e fazê-las ficar mais próximas. Aprendi, durante a minha ainda curta caminhada, que jamais devemos deixar de estender a mão para alguém. É possível que um minuto de atenção seja o suficiente para modificar todo um dia:

Existem diversas folhas que utilizamos no Candomblé com a finalidade de atrair pessoas, fortalecer amizades, e até promover paixões.. Entretanto cada caso é um caso.. Eu acredito que não estaria sendo honesto com você, indicando esta ou aquela folha. As vezes o melhor remédio para as nossas inquietações é ter a palavra de um amigo. A gente não se conhece, mas somos todos irmãos, unidos pela mesma fé. Você diz que se sente só, pelas pessoas passarem pelo seu caminho e não permanecerem. Tente fazer uma breve auto-reflexão ..

Como você costuma se relacionar com as pessoas? Você é atenciosa, solicita, trata a todos com simpatia, não é a dona da verdade, sabe ouvir também.. o que você espera das pessoas é o que você também se predispõem a dar em troca? A amizade é isso, dar e receber. Procure ser honesta consigo, não tenha medo. Junto com essas indagações se questione que tipos de pessoas costumam fazer parte do seu círculo de amizades, ás vezes a gente se cerca de pessoas erradas… Será que essas pessoas terão chance de estar em sintonia com você? Sei que achar todas essas respostas não é tarefa fácil, mas devemos nos indagar de como nos mostramos para o mundo e como o mundo se mostra para nós.. Quando não pensamos assim a chance de cometermos equívocos em relação a nossa vida aumenta, e com isso surgem diversos problemas.

Uma coisa importantíssima: SE VALORIZE SEMPRE! Tenha orgulho de ser quem você é, procure aprender e melhorar sempre, mas nunca vá contra a sua essência. Olorun nos fez diferentes uns dos outros, seja feliz por ser quem você é. Você é única, olha que beleza! A cada nascer do Sol agradeça a Ele.

Lembre-se que para nós, iniciados ou não, nunca estaremos sós. Quando chegamos aqui no Ayé (mundo dos vivos) trazemos conosco nosso orí e nosso orixá (nossa porção divina). Nosso orí nunca nos deixa só, ele sempre nos acompanha. Procure fortalecer o seu orí, uma cabeça forte sempre consegue se destacar entre as demais. Converse com o seu orixá, lembre que as pessoas podem te decepcionar, mas que o seu Pai ou (e) Mãe Espiritual JAMAIS se esquecerá de você. Procure ouvir essa voz que fala com você nos diferentes momentos da sua vida, fique atenta aos pequenos sinais..

Busque entender a natureza do seu orixá, pois ela é a sua natureza. O melhor caminho para A SUA FELICIDADE. Quando você conseguir entender isso terá o maior encantamento que pode existir, mais poderoso que qualquer sabão ou banho. Quando estamos felizes com nós mesmos fica mais fácil ser feliz com o outro.. Tem uma cantiga de Ossaim que nos ensina exatamente isso: “Opè èré Òsányin s’ibu (Bàba), kuru ide akàkà”. Ou seja, Operé de Ossaim (Pai) voa rápido, mas nunca muda a sua natureza (http://gunfaremim.wordpress.com/2010/10/23/281/). O máximo que a folha pode fazer é potencializar aquilo que já existe dentro de você, sua natureza individual. Por isso tudo irmãzinha, SEJA MUITO FELIZ!!! Motumbá.

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