Obí/ Ví- Cola acuminata (Noz de cola)

Cola acuminata-Obí

Flor do obí

Esse é o fruto predileto dos orixás. Aquele que oferecemos para que possamos ser ouvidos, quando queremos vida próspera, saúde e paz. Nunca é comido sozinho, sempre compartilhado. Por isso pedimos:

OBÍ KOSI IKÚ
Obí para que não tenhamos morte
OBÍ KOSI ÀRÙN
Obí para que não tenhamos doenças
OBÍ KOSI ÒFÒ
Obí para que não tenhamos perdas
OBI KOSI ÈJÉ
Obí para que não tenhamos derramamento de sangue
OBÍ KOSI FÌTÍBÒ
Obí para que não tenhamos desentendimentos
OBI KOSI ARÁ IKÚ BÀBÀWA
Obí para que a morte não nos veja

 

 

OBÍ SE
O Obí vai agir
OBÍ REE O ORÍ
Orí o Obí será cordial (será bom) para você. Asé! Asé!Asé!

Categories: Orixá | Leave a comment

Ewé Ápèjé – Dormideira/Sensitiva (Mimosa pudica)

Mimosa pudica - Ewé ápéjè (dormideira)

Essa planta me lembra a minha infância, quando eu ficava batendo nas suas folhas pra elas se fecharem. Seu nome científico é Mimosa pudica, Mimosa porque suas folhas são bem pequeninas, aparentando um aspecto frágil. Pudica por que elas se fecham e se escondem a qualquer toque, como se fossem uma virgem assustada. Suas flores são rosa e muito delicadas.

Um dos seus nomes nas terras iorubás é ewé ápèjé, que pode significar folha de axé/força. Esse aspecto pode ser constatado em um dos seus nomes populares sensitiva.. Por isso costuma ser utilizada para aumentar a sensibilidade de médiuns, ou ainda, para induzir o transe e permitir a chegada do orixá.

Costuma ser associada a Senhora das Tempestades (Oyá) e Iyewá a Senhora dos Disfarces. É interessante observarmos que, quando associada a Oyá, costuma ser utilizada em trabalhos amorosos (de amarração), não devemos esquecer que Oyá é a Senhora das Paixões, aquela que chega colocando fogo nos nossos corações.

Mimosa pudica

Sua ligação com Iewá pode ser evidenciada a partir da personalidade desse orixá, que está ligada a tudo que ainda não foi utilizado, a virgindade, ao mistério. Lembram do seu nome, pudica?..  Outro nome popular dessa planta é “não me toque”. Iyewá também não costuma se mostrar para qualquer um, e também é capaz de turvar a nossa visão quando não deseja ser vista.

Iyewá- Peça exposta na Marina da Gloria (2007)

Como folha de força é utilizada para o Senhor Elegbará (possuidor do poder (agbará)), fato que justifica sua utilização nos assentamentos desse orixá. Um fato interessante é que em algumas cidades do México costuma ser utilizada seca e fumada como um substituto para a maconha. Segundo relatos ela seria confundida com outra espécie muito parecida (Mimosa hostilis), que nós aqui conhecemos como folha da Jurema. Foi observado que seu uso embora não necessariamente provoque alucinações, pode promover sonolência. O que já é o suficiente para classificá-la como ewé eró.

Quem observa as flores e folhas da dormideira não deve se enganar com relação a sua fragilidade aparente.. É uma planta extremamente resistente, suportando altas temperaturas e condições de solo nem sempre favoráveis. Seu caule esconde espinhos que cortam e ferem a pele dos desavisados.

Assim como a natureza de  Iyewá, não adianta chegar e pegar um galho ou arrancar um pé na rua para plantar em casa, geralmente ela seca e morre. Seu cultivo é fácil, mas costuma dar mais certo quando são utilizadas suas sementes. É até engraçado, pois é considerada uma planta invasora.

Esú - Peça exposta na Marina da Gloria (2007)

A dormideira é uma planta de porte arbustivo originária da América Tropical (regiões quentes), pertencente à família das Leguminosas (Mimosacea), mesma do tento/wérénjéjé (Abrus precatorius). Outros nomes que recebe são: malícia-da-mulheres, morre-joão, kiri-kerê, dorminhoco e jequiri-rasteiro.

Foram isolados de suas folhas e raízes um alcalóide tóxico, a mimosina, além de tanino, cristais de oxalato de cálcio, galactose, manose e uma substancia semelhante a adrenalina. Sua utilização na medicina popular é feita em casos de dores de cabeça e dor de dente. Alguns estudos clínicos indicam a utilização do extrato aquoso das raízes em distúrbios uterinos, muito freqüentes nas filhas de Oyá…

 

 

TEXTO ESCRITO POR GUNFAREMIM

Categories: Ewe Orixá, Fitoterapia, Medicina tradicional | Tags: , , , , | 9 Comments

MINHA EXPERIÊNCIA RELIGIOSA

O fé ire, o fé ire, o fé ire,

Iyo s’opé olóre,

O fé.

Queremos tudo de bom,

felicidades, gratidão aos amigos.

Minha casa, meu ilé

Motumbá meu mais velhos e meus mais novos,

Quando ouvimos o chamado dos orixás e, cada um ao seu modo, resolve se entregar a essa força maravilhosa deixamos esse mundo para em seguida renascermos. Esse renascimento é cercado de sacrifícios, às vezes, passamos por algumas dificuldades, uns mais outros menos.. Renascemos iyawo, nossos olhos despertam para o mistério (awo). Nossa maneira de encarar a vida se modifica, não somos mais os mesmos. A partir desse momento temos a certeza que jamais estaremos sozinhos, pois dentro de cada um de nós se faz a morada de nosso Deus pessoal, nosso Pai, nossa Mãe espiritual. Só quem passou pelo “segredo” sabe o que estou dizendo. Existe um ditado, que gosto muito, e que traduz bem essa filosofia: “Biri biri bó won loju, ogberi nko mo mariwo”. Trevas cubram seus olhos, os não iniciados não podem conhecer os segredos do mariô.

Ser iyawo nem sempre é tarefa fácil, pois exige de nós disciplina, paciência, atenção, humildade e acima de tudo amor ao orixá. Somos a todo tempo testados em nossos limites. Saber ouvir muito e falar pouco, perguntar demais então, não é visto com bons olhos. Para mim, como bom filho de Ogún, nem sempre isso foi tarefa fácil, rsrs. Saber respeitar os mais velhos, mesmo que essa diferença fosse de alguns dias..  Saber colocar a vaidade de lado e respeitar sempre a hierarquia da casa.. Mas acredito que consegui superar minhas limitações e respeitar o tempo, afinal, a tradição assim nos impõem suas regras. Regras essas que fortificaram essa religião e a fizeram permanecer viva até os dias de hoje. Se não fui eu quem criei como posso querer modificá-las?

Meu Odú Éje

E dessa forma os anos foram se passando, busquei aprender sempre com cada irmão e irmã. Com alguns aprendi mais com outros menos, entretanto nenhum deles deixou de me ensinar alguma coisa. Espero poder aprender muito ainda. Mas o tempo não para não é mesmo: um, três, cinco e eis que de repente chegamos aos sete. Número difícil, cercado de simbolismos e expectativas. Segundo os esotéricos é o número do autoconhecimento, da espiritualidade. Para nós do Candomblé representa o final de nossa iniciação, momento em que o elo que nos liga a nosso orixá fica mais apertado, mais estreito. A responsabilidade a cerca de nossas ações fica evidente, nossa educação de axé está moldada. Posso dizer com toda certeza que chego aos meus sete anos com a mais completa convicção que trilhei o caminho correto, não desrespeitando ninguém, procurando ajudar sempre que possível, respeitando o meu tempo, e também o tempo dos outros. Realmente valeu a pena.

Certa vez conversando com Pai Flávio disse a ele que estava muito feliz, ele prontamente me perguntou o porquê da alegria. Na hora não soube responder especificamente o motivo, mas na verdade hoje sei. Quando fazemos o que é certo e nos doamos realmente para nossos orixás, eles nos dão o que há de melhor. E para mim a melhor coisa que recebi nesses quase oito anos de iniciado é a paz de espírito, de não carregar mágoas no coração, de ver o mundo com olhos de esperança, de procurar a beleza que se esconde, às vezes, atrás de uma cara fechada, por que não?

Agradeço muito a Pai Flávio e ao Ilé Asé Omí Iwín Odara, pois nessa casa eu consegui encontrar o meu caminho. Esse caminho tem sido de muitas vitórias e conquistas, alguns tropeços é claro, mas que também foram importantes, pois me fizeram crescer e lutar com mais força para atingir os meus objetivos. Quando cheguei no Ilé, fui recebido por uma grande árvore ornada com lindos presentes, Pai Flávio conhece a história. Pois é, que ela continue lá, alta e majestosa, protegendo a todos nós, os seus filhos.

Idanko Gboyá

Talvez alguns achem que estou escrevendo muito, mas achei importante dividir com os meus irmãos a minha experiência religiosa. Nem sempre temos tempo de trocar nossas impressões uns com os outros, mas digo, principalmente aos mais novos: Ser iyawo é maravilhoso, saibam respeitar o seu tempo, tenham amor ao seu orixá, confiem em sua casa de culto. O axé que ela possui é fantástico, problemas são normais em todo lugar, só o paraíso é perfeito. E nunca devemos esquecer que o sucesso de uma casa de santo está intimamente ligada a capacidade dos seus membros vencerem JUNTOS as dificuldades e se manterem unidos. De acordo com a filosofia que herdamos de nossos ancestrais, o coletivo é sempre mais importante que o individual, não por um indivíduo ser menos importante que o outro, mas pelo fato de ninguém conseguir sobreviver bem, por muito tempo isolado. Os galhos de Danko (bambusal) são fortes por que um sustenta o outro, o vento passa mas ele nunca é destruído. Por isso cantamos após o orixá dar o seu nome, ou em ocasiões especiais e de festividade:

“F’ara imóra Olúwo, F’ara imóra

Arakétu wúre, Fara imóra

Olóore salare, A mu’ ra dìde

Olóore salare, Omo Araketu ‘wure”

“Usamos o corpo para nos abraçar

Nós nos abraçamos

Somos todos filhos do Povo de Kétu

E pedimos abenção. Unidos em um só corpo.”

Categories: Orixá | Leave a comment

Jardim Botânico do Rio de Janeiro

Orixá Ossanyin - Orixá das Folhas

Essa semana visitei um dos meus lugares preferidos aqui no Rio, o Jardim Botânico. Ele fica localizado em um dos locais de maior movimento da Zona Sul da cidade, representando um verdadeiro paraíso no meio da agitação. Segundo registros é póssível encontrar cerca de 6.200 espécies diferentes de vegetais nativas e exóticas, sendo muitas em extinção. Sua área é extimada em 1.370.000 m2 e está dividida em dois setores: o do Jardim propriamente dito e o do Horto Florestal, ao norte do Jardim, que se estende até os limites da Floresta da Tijuca. O local é cortado pelo Riacho Iglesias e o Rio dos Macacos, vindos do Maciço da Tijuca e que desaguam na Lagoa Rodrigo de Freitas.

Jardim Botânico do Rio de Janeiro

Esse oásis tem origem a partir do séc. XIX, com a chegada da Família Imperial ao Rio de Janeiro. Inicialmente seu espaço havia sido projetado para abrigar uma fábrica de Pólvora e uma fundição de peças de artilharia, posteriormente foi criado nessa mesma área o Jardim de Aclimatação.  A idéia era ter um lugar onde diversas espécies de especiarias das índias Orientais  e outras terras asiáticas pudessem ser aclimatadas, tendo em vista as longas viagens e os perigos enfrentados pelas embarcações portuguesas. Alguns meses depois, a 11 de outubro de 1808, o Jardim recebe o nome de Horto Real. A partir daí o jardim começou a receber grande quantidade de sementes e mudas, que incluiram abacateiros, cravo da índia, canelas, chá, sagu, coração de negro, fruta pão e cajá.

Atualmente o Jardim Botânico do Rio de Janeiro é um importante centro de pesquisas, além de servir como local de refúgio para inúmeras espécies de insetos, animais e aves. Um dos meus locais preferidos é próximo a escultura de Ossayin, do artista plástico Tati Moreno (criador das esculturas dos orixás do Dique do Tororó, na Bahia). Ao lado existe um pé de oriká-cajá mirim (Spondias Lutea) fantástico.

Ewé o!!!

Escultura de Tati Moreno - Jardim Botânico do Rio de Janeiro



Categories: Orixá | Leave a comment

ALGODÃO- EWÉ ÒWÚ

Ewé òwú / Gossypium barbadense - Algodoeiro

Gossypium barbadense- Algodoeiro

Folha indispensáve para o culto aos orixás, folha que esquenta… Ligada ao mito de Osá e ao ciclo menstrual, pertence por excelência ao grande orixá funfun, Senhor do Alá e Pai de todos os orixás. Através do algodão, pedimos saúde e proteção para o nosso orí. Que ele nunca fique descoberto e exposto aos olhos daqueles que querem nos fazer mal. Axé!!!

Categories: Orixá | Leave a comment

Oxóssi

Para todos os meus irmão caçadores, em especial para minha caçadora favorita, minha irmã Vanessa de Odé. Te amo!

Salve a grande Adriana Moreira!

 

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=UCZBqA8Ky3c][youtube=http://www.youtube.com/watch?v=KUVep5TEaEQ&NR=1]

Categories: Orixá | Leave a comment

ROQUE FERREIRA – OXÓSSI

 

Osóssi, Rei do povo de Ketu

Essa música é algo divino, uma flecha certeira que atinge em cheio os nossos

corações. Salve O Rei de Ketu!

Oxóssi

ROQUE FERREIRA

Composição: Roque Ferreira / Paulo César Pinheiro

Oxóssi, filho de Iemanjá
Divindade do clã de Ogum
É Ibualama, é Inlé
Que Oxum levou no rio
E nasceu Logunedé!

Sua natureza é da lua
Na lua Oxóssi é Odé

Odé-Odé, Odé-Odé
Rei de Keto Caboclo da mata Odé-Odé.

Quinta-feira é seu ossé
Axoxó, feijão preto, camarão e amendoim
Azul e verde, suas cores
Calça branca rendada
Saia curta estampada
Ojá e couraça prateada
Na mão ofá, iluquerê
Okê okê, okê arô, okê .

A jurema é a árvore sagrada
Okê arô, Oxóssi, okê okê

Na Bahia é São Jorge
No Rio, São Sebastião
Oxóssi é quem manda
Na banda do meu coração

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=UyAi2VoUfv0&feature=related]

Acacia Jurema- Árvore da Jurema, planta sagrada do Catimbó

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=3vaqNvEL5h0]

Categories: Orixá | 1 Comment

ESCLARECIMENTO DO AUTOR DO BLOG

EXÚ- Escultura em cerâmica: Carmem Barros (2003)

Prezado irmão Baby,
me perdoe não chamá-lo pelo seu nome, é que ainda  não sei o mesmo. Fico lisonjeado pela forma de tratamento (Babá), porém prefiro ser chamado por irmão ou amigo. Fico feliz quando consigo compartilhar com alguém o pouco conhecimento que tenho, entretanto em momento algum do meu blog escrevi que era portador de tal oye (Babálosanyin). Embora já possua meus sete anos de iniciado, não tenho meu odú ige pago. Aprendi ao longo de minha vida de iyawo, com os meus mais velhos, que tudo tem seu tempo certo. Um médico não pode clinicar antes de ter terminado a sua faculdade. Etapas não devem ser quebradas, portanto jamais poderia receber um cargo sem ter antes passado pela cerimônia do Deka. Sabemos que, para muitos hoje em dia isso não é mais de grande importância, porém eu acredito em um Candomblé sério e responsável. Se quisermos manter essa religião viva devemos aprender a respeitar o que nos foi ensinado pelos que vieram antes de nós.

Quando comecei a escrever o blog nunca tive a pretensão de dizer às pessoas o que era certo ou errado, da mesma forma não pretendo dar consultas on line ou explanar sobre fundamentos de axé. Acredito que isso deve ser aprendido na sua casa, na vivência, no dia a dia com o seu zelador e irmãos. A idéia que eu tenho é sim, trocar informações que ajudem a entender algumas questões que envolvem a cultura em que estamos inseridos. FUNDAMENTO SE APRENDE NA SUA CASA DE CULTO! Tudo que escrevo no blog é resultado de um processo de diferentes vivências e fruto de muita pesquisa. Graças a meu Pai Ogun tive (e tenho) a oportunidade de aprender com pessoas extremamente competentes e conhecedoras da nossa religião. Como um bom filho do Senhor dos Caminhos, não sou de ficar esperando que as informações caiam de pára-quedas e vou atrás do conhecimento.

Outra coisa que a vivência no Candomblé me ensinou, é que não é de bom tom ficar perguntando demais, devemos estar sempre atentos e saber ler nas entrelinhas. Talvez seja por isso que dizem que nós, filhos de Ogún, adoramos “catar” as informações… Entendo que o conhecimento é como o axé, não pode ficar estático, tem que estar em constante movimento, circulando. Obviamente devemos respeitar o awo (segredo), a que estamos sujeitados enquanto iniciados, porém determinadas informações não devem ser exclusividade de uns poucos. Cada um de nós deve procurar conhecer e estudar a religião que pratica, se todos fizéssemos isso com certeza determinadas loucuras não seriam mais realizadas por aí. Quando entendemos realmente algo, fica mais fácil aprender a respeitar. Também não gosto de ficar sentado falando mal dos outros, procuro fazer algo que possa ser útil para alguém, por isso escrevo…

Você me pergunta duas coisas, sobre a existência de um korin ewé para a folha da colônia (toto) e sobre o nome do blog. Pois bem, no momento não me recordo de um korin ewé para essa folha, talvez alguém que venha a ler esse tópico possa nos passar esse cântico. O nome Gunfaremí, embora muitos possam pensar, não é o meu orukó de iniciado. Posso dizer que seja um apelido carinhoso, que ganhei de uma pessoa muito especial, após a minha iniciação. Embora acredite que não seria nenhum problema torná-lo público, uma vez que Ogún gritou bem alto para que todos o ouvissem na Festa do Nome, sigo as regras que o meu axé me impõe. Portanto, não costumamos nos chamar pelo orukó.

No email você cita Okaran, odú agbá, que tenho muito respeito e admiração, pois o mesmo rege a comunicação. Ora, não poderia estar escrevendo e me comunicando se okaran não me permitisse. Posso dizer que graças a Esú, Senhor da Comunicação, e que freqüentemente caminha por esse odú, as informações que procuro sempre chegam até mim. Por isso vou postar aqui um itan ligado a esse odú:

“Conta a lenda que Olodumare permitiu que Obatalá criasse o homem. Esse primeiro ser recebeu o nome de Iselé. Entretanto Iselé se sentia muito só e foi pedir a Obatalá que lhe concedesse uma esposa. Obatalá então pediu que um eborá ajudasse Iselé a realizar o seu desejo. O eborá porém não aceitou a ordem de Obatalá e se revoltou. O Senhor dos Panos Brancos, diante da desobediência do eborá enviou o mesmo para o interior da terra, que arrastou consigo toda a sua revolta. Quando o mesmo lá chegou, encontrou uma pedra vermelha (laterita) e alimentou a mesma com um akasá pupa (vermelho). Ali nasceu Okaran, parido da insubordinação e da desobediência.”

Okanran ki kara ko ma fonja ki ma fikan iya kosi kan.

Saudemos Okaran, Eu me perdi num local onde imperam a falsidade e a traição, Más agora parto em busca de um lugar melhor, Onde exista apenas sinceridade.

Vamos aprender com Okaran, que nos ensina que o desrespeito e a falsidade não nos leva a lugar nenhum. Somos todos irmãos, nossa caminhada deve acontecer juntos. Asé! Asé! Asé!

Ogún- Escultura em cerâmica: Carmem Barros (2003)

Categories: Orixá | Leave a comment

DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Ose - Machado ritualístico de Xangô, o orixá da justiça. Acervo do Ilè Asé Omí (Cachoeiras de Macacú)

Ontem, 20 de Novembro de 2010, foi o Dia Nacional da Consciência Negra. Dia em devemos parar para refletir sobre questões importantes, como: o que é ser afrodescendente em um país como o Brasil? Por que muitos iniciados e adeptos das religiões de matriz negra, ainda hoje, preferem se esconder e ocultarem suas práticas religiosas? Que caminhos devemos seguir para que nossos direiros sejam assegurados e respeitados? É um dia para exaltarmos a memória de nossos hérois negros, homens e mulheres que deixaram o seu nome marcado em nossa História, em decorrencia de sua luta pela igualdade de direitos. A exemplo, Zumbi dos Palmares, Luiza Mahin, Dandara, Luiz Gama, Mestre Bimba e Mãe Senhora. O blog costuma falar principalmente sobre folhas sagradas, porém só podemos continuar fazendo uso desse conhecimento hoje porque esses heróis mantiveram essa chama acesa, nos deixando esse incrível legado cultural. Como eu costumo dizer sempre, só seremos reamente fortes quando entendermos e respeitarmos nossas raízes. Ter consciência de quem fomos é a certeza de sabermos para onde poderemos caminhar no presente de forma a intervir em nosso futuro. Mesmo que a árvore caia, se a raíz estiver forte, com certeza brotará.

Categories: Orixá | Leave a comment

TÈTÈ- Folha de caruru (PARTE II)

Segundo alguns estudiosos, o caruru era um prato indígena, consistindo de um refogado da folha acompanhado de peixe ou carne. Com o processo de trocas culturais o prato teria sido levado para a África e depois retornado ao Brasil, sendo a folha de bredo substituída pelo quiabo (ilá- Hibiscus esculentus).

Nas casas de Candomblé o caruru também apresenta uma posição de destaque, sendo conhecida como ewé tètè. Junto com a folha òdúndún (Kalanchoe brasiliensis) é uma folha fria ou ewé eró (folha que acalma), considerada uma das principais folhas de Osalá. Por pertencer ao orixá da criação é utilizada por todos os demais orixás, o que a torna fundamental no preparo do àgbo orisá. Dois orixás que também costumam ser associados a essa folha são Ogún e Odé.

Na santeria cubana é uma das folhas chefe de Obatalá, recebendo o nome de Kalalu. Existe uma história que relata a utilização de kalalu pelos orixás:

Orixá Oba- Ile Asé Omí

“ Oba foi a primeira esposa de Xangô, no entanto o rei gostava muito de Oxum por causa de sua beleza, sexualidade e habilidades culinárias. Oya era muito amiga de Oba, mas sabia do interesse da mesma em agradar seu rei. Oya também queria Xangô. Ela elaborou um plano de traição, convencendo Oxum a mentir e dizer para Oba que o segredo para preparar amalá, prato favorito de Xangô, era usar folha de kalalu (teté). No lugar da carne ela deveria substituí-la por sua orelha esquerda, no lugar do óleo de dendê ela substituiria pelo seu próprio sangue. Dessa forma, Xangô sempre iria ouvi-la. Ela e Xangô estariam sempre ligados. Assim Oba imediatamente foi para casa e cortou a orelha preparando o prato. Quando ela deu a seu amado, Xangô comeu e cuspiu. Ele perguntou o que era aquilo e quando descobriu o que Oba fizera a impediu de retornar ao seu palácio. Obá se exilou em uma caverna para viver uma vida solitária, longe de todos. Oya tornou-se então esposa de Xango.”

Orixá Osún- Ile Asé Omí (Cachoeiras de Macacu)

Orixá Osún- Ile Asé Omí (Cachoeiras de Macacu)

Uma cantiga cubana de xangô que relembra esse mito é a seguinte:

Amala , Kalalu mala mala

Amala , Kalalu mala mala

Obinsa fun Shango mala, mala Kalalu

Inhame cozido com Kalalu, ensopado de inhame

As mulheres servem a Xangô amalá feito com Kalalu

É interessante notar a semelhança desse cântico com outro recitado em algumas casas de Candomblé, e com a mesma finalidade: Mala mala, mala do bi, mala do bi. Mala mala, mala do o, mala do bi.

No Brasil, tètè é saudada durante o ritual de sasányìn com os seguintes korín ewé (com algumas variações):

Tètè kó mó tèé o

Tani ju Onílé

Tètè não pode perder sua estima

Quem pode mais do que o Dono da terra?

 

Tètè kó mó tèé o

Awa ni ‘jo n’ilé

Tètè nunca deixará de ser a primeira.

Nós temos o conhecimento da terra

 

Tètè kó mó tèé o

Ta ni só Onilé,

Tètè kó mó tèé o

Ta ni só Onilé,

Eron kó mara o

Tètè não pode perder sua estima

Quem conversa com o senhor da terra

Tètè não pode perder sua estima

Carne que constrói nosso corpo

 

Tètè ki ìtè L’àwùjo èfò

Tètè não perde seu lugar entre as plantas

Xangô e suas esposas (Obá, Oxum e Oyá)

Categories: Candomblé, Cantigas, Ewe Orixá, Orin ewé, Orixá, Sasányìn | Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Leave a comment

TÈTÈ- Folha de caruru (PARTE I)

Ewé tètè (caruru)- Amaranthus viridis

Vamos falar sobre o caruru? Quem observa essa planta que é considerada para muitos uma erva daninha, pois cresce de forma espontânea em terrenos abandonados e no meio de nossos jardins, nem imagina que ela pode ter diversas utilidades. O caruru (Amaranthus viridis), também conhecido como bredo, caruru de porco ou caruru de mancha seria uma planta nativa das Américas, embora alguns autores indiquem que sua origem seja a Jamaica. Segundo relatos, os europeus tiveram seu primeiro contato com essa planta através do povo Maia, que habitava terras mexicanas.

Embora seja tida como uma espécie invasora, estando bem adaptada às condições climáticas brasileiras, o caruru é um ótimo indicador de qualidade do solo. Isso porque sua presença indica solo rico em potássio (K), elemento mineral que confere certo grau de fertilidade a terra.

Devido a sua constituição bioquímica o caruru é extremamente valorizado em relação aos seus aspectos nutricionais e medicinais. Todas as partes da planta são comestíveis (folhas, sementes e raiz), sendo um alimento rico em potássio (K), ferro (Fe), cálcio (Ca) e vitaminas A, B1, B2 e C. É indicado nos casos de anemia, desnutrição infantil e durante o aleitamento materno, uma vez que possui propriedade lactígena (favorece a produção de leite). É importante ressaltar que gestantes e lactantes deveriam evitar o consumo de suas flores, fazendo uso apenas das folhas.

As folhas do caruru são ricas em flavonóides, principalmente quercetina e rutina. Esses dois compostos possuem diversos efeitos bioquímicos como inibição de enzimas, papel regulador sobre diferentes hormônios e atividades farmacológicas como: ação antioxidante, antimicrobiana, anti câncer, anti hepatotóxica e proteção do sistema cardio vascular. Todas essas propriedades fazem com que o nosso querido caruru seja utilizado no tratamento de processos inflamatórios (infecções), eczemas, bronquite, constipação intestinal (prisão de ventre), problemas de digestão e hepáticos (fígado) e hanseníase (lepra).

Na culinária suas sementes podem ser consumidas torradas, misturadas com diferentes alimentos como pães e saladas. O nome da folha também é utilizado para denominar um prato muito apreciado pela culinária baiana, o caruru. De acordo com Guilherme Piso, médico e naturalista que participou de uma expedição nos anos 1637 – 1644 para o Brasil, com patrocínio do conde Maurício de Nassau, o caruru seria de origem indígena. Ele a designava como uma erva de uso medicinal e alimentício. Guilherme Piso, que estudava doenças tropicais e terapias indígenas relata em sua obra, Historia Naturalis Brasiliae: “come-se este bredo (nome como é conhecida a folha na Bahia) como legume e cozinha-se em lugar de espinafre…

Categories: Orixá | 6 Comments

Itan Osogyian

Motumbá amigos, acabei de ler essa história em um blog e achei muito legal.

“Oxaguiã, também é conhecido como Ajagunã, é o conflito que antecede a paz; a revolução que antecede as transformações profunda

Bambusa vulgaris (Bambu) Dankó- Planta ligada ao culto de Idankó Ezó

s; a instabilidade necessária ao dinamismo da vida e da sociedade e a busca do conhecimento. Por isso é compreendido como Oxalá moço, enquanto a paz, a tranqüilidade, a estabilidade, a sabedoria são compreendidos como Oxalá velho, Oxalufã. Ele é também guerreiro, e sente prazer em destruir para que o novo se estabeleça.

 

Um dos mitos diz que Oxaguiã nasceu apenas de Obatalá. Não teve mãe. Nasceu dentro de uma concha de caramujo. E quando nasceu, não tinha cabeça, por isso perambulava pelo mundo, sem sentido. Um dia encontrou Ori numa estrada e este lhe deu uma cabeça feita de inhame pilado, branca. Apesar de feliz com sua cabeça, ela esquentava muito, e quando esquentava Oxaguiã criava mais conflitos. E sofria muito. Foi quando um dia encontrou Iku (a morte), que lhe ofereceu uma cabeça fria. Apesar do medo que sentia, o calor era insuportável, e ele acabou aceitando a cabeça preta que a morte lhe deu. Mas essa cabeça era dolorida e fria demais. Oxaguiã ficou triste, porque a morte, com sua frieza, estava o tempo todo acompanhando o orixá. Foi então que Ogum apareceu e deu sua espada para Oxaguiã, que espantou Iku. Ogum também tentou arrancar a cabeça preta de cima da cabeça de inhame, mas tanto apertou que as duas se fundiram e Oxaguiã ficou com a cabeça azul, agora equilibrada e sem problemas.

A partir deste dia ele e Ogum andam juntos transformando o mundo. Oxaguiã depositando o conflito de idéias e valores que mudam o mundo e Ogum fornecendo os meios para a transformação, seja a tecnologia ou a guerra.”

FONTE: http://catiacmam-tuosobreanaonag.blogspot.com/2009_09_01_archive.html

Categories: Orixá | Leave a comment

“Mesmo que a árvore caia, se a raiz estiver viva, com certeza brotará”


Bryophyllum sp. ( Kalanchoe Laetivirens ) Folha da Fortuna/ orelha de burro

Categories: Conhecimento ancestral, Orixá | Tags: , , , | Leave a comment

Folhas e Iya Mí Eleyé

Atioró- Tockus fasciatus (sin. Buceros fasciatus)

Um itan, revelado por um dos Odú-Ifá demonstra bem a natureza de Iya Mi e sua relação com as árvores, nos lembrando que ela não deve ser encarada como uma figura maligna. Em três árvores que elas pousaram trouxeram infortúnios, entretanto em outras três trouxeram coisas boas. Apenas uma dessas sete árvores traz consigo infortúnio e alegria juntos. Esse itan deixa bem claro que Iya Mi apresenta ambos os lados, a visualização vai depender do que cada um de nós traz em seu coração. Os membros das Sociedades Gueledé, Ogboni e da Irmandade da Boa Morte sabiam (sabem) muito bem disso.

Quando falamos de folhas utilizadas para Iya Mi, não podemos esquecer que, na verdade, toda Iyagbá (orisá obirin) é considerada uma Iya Mi, representação coletiva do poder feminino, e por isso não devemos nos assustar quando determinada folha de Osun é utilizada no culto a Iya Mi, por exemplo. Verger em seu livro Ewé, cita uma infinidade de ervas utilizadas para incitar e apaziguar Iyá Mi (Minha Mãe), não gosto de utilizar o termo Ajé (bruxa), pois tem um tom pejorativo.

Acho muito importante ressaltar a relação entre Iyá Mi e Osanyìn. Elas são chamadas Eleyé (Portadoras do Pássaro), pois se transformam em aves (Agbibgó, Elúlú, Atioro, Osoronga). Ora, o grande símbolo do poder de Osanyìn é Eyé, seu pássaro, presente em todas as suas ferramentas. Não é à toa que sem folha não se faz filho de santo. O poder de Iyá Mi está presente em cada uma das folhas que utilizamos, mesmo aquelas que não são diretamente ligadas a elas. Iyá Mi é o grande útero que povoa a Terra, toda mulher é considerada uma Iyá Mi em potencial. Imaginem se todas as mulheres se recusassem a ter filhos, a humanidade acabaria e os orixás não teriam mais quem os cultuassem.

Atioró - Calau preto, Bico de Serra preto. Encontrada desde a Nigéria, Angola, Zaire até Uganda.

Categories: Orixá | 2 Comments

O pássaro Òpèré

Assim cantamos:

Òsanyín

Òpeèré Òsányìn ìn s’ibú

Kúrú ìde akàkà

Òpeèré Òsányìn ìn s’ibú Bàbá

Kúrú ìde akàkà

Operé de Ossanhe voa profundo

O pequeno não muda a natureza

Operé de Ossanhe voa profundo, Pai

O pequeno não muda a natureza

 

 

Pycnonotus barbatus – Pássaro Operé

Ave da família Pycnonotidae, predominantemente encontrada em território africano, sendo abundante em Marrocos. É considerada a ave símbolo da Libéria, sendo chamada de engole malagueta ou pimentinha. A Libéria (ex Costa da Pimenta) foi o primeiro país africano a instituir uma República e também o primeiro a ter um chefe de Estado Feminino. É uma ave onívora, se alimentando de frutas, grãos, néctar de flores e de insetos. Costuma voar por cima das copas de árvores e arbustos. Que Operé voe cada vez mais alto e nos traga a vitória sempre! Nós saudamos Eyé, o Pássaro!!! Ewé O!!!

Pycnonotus barbatus - Pimentinha, Tuta Negra

Categories: Orixá | 3 Comments