(Jenipapo) Lenda do índio Xnhangá

Arte indígena Kusiwa (Aramari, a grande jibóia)

Essa lenda conta como os índios descobriram o nosso querido jenipapo, é muito bonita, e nos ensina como podemos viver melhor com os nossos irmãos e com tudo que Olorum nos oferece. Realizei algumas adaptações e a reescrevi, de forma a torná-la ainda mais rica:

Conta uma lenda que em uma aldeia, abrigada no interior da floresta, morava um guerreiro muito valente e destemido, famoso por sua astúcia e inteligência, que o levavam a vencer diversas batalhas e conquistar muitas aldeias. Seu nome era Xhangá, e por sua causa sua aldeia era muito prospera, uma vez que possuíam terras cercadas de rios e com muita caça. Isso atraia a atenção de diversas outras tribos do entorno, que tentavam se apossar dos recursos que dispunha a tribo de Xnhangá, uma delas era a dos Prinhan.

A tribo de Xnhangá ficou sabendo que os Prinhan iriam tentar invadir as suas terras e começou a se preparar para a guerra, pintando seus corpos com cores intensas, como vermelho, verde e azul, de forma a intimidar os adversários. Xnhangá era um formidável guerreiro, porém também possuía um extremo censo de justiça. Sabia que a guerra gerava muita dor, muitas perdas de vidas, por isso rezou a Tupã, o Grande Deus, nas margens da lagoa.

Tupã atendeu sua oração e conversou com Xnhangá, na beira da lagoa. Em um momento da conversa Tupã foi à direção de uma árvore e retirou um fruto verde, que entregou nas mãos de Xnhangá:

-Xnhangá, você é sábio e possui a astúcia de Acauã (ave grande que ataca serpentes), amasse essa fruta e pinte o seu corpo com ela. Vá à frente do seu povo, pois ela os protegerá da guerra. Diga aos Xnhangá que a Natureza, que eu criei, é para todos! A riqueza da terra deve ser dividida. Jururá Açú mandará chuvas para fertilizar a terra e Sumá (deusa da agricultura) garantirá colheita farta para todos. Cada vez que minha esposa, Jaci (a Lua) brilhar no Céu e uma fêmea estiver dando a luz, os homens terão sempre carne farta para sua alimentação. Mas nunca esqueçam que Caapora (protetor dos animais) e Curupira (protetor das matas) devem ser sempre reverenciados. Os rios e lagoas de Iyara sempre serão abundantes em peixes. Icatú (deus da beleza) e Rudá (deus do amor) farão com que os homens se apaixonem e que a aldeia cresça.

Xnhangá ouviu atentamente o conselho de Tupã. No dia da grande batalha pintou seu corpo com o sumo da fruta dada por Tupã e transmitiu a todos o que o Grande Deus havia lhe dito. Todos acataram o ensinamento, e a guerra entre as tribos teve fim, a morte e a tristeza se afastara do povo de Xnhangá. Todos dividiam os recursos que lhes fora ofertado pela Natureza. A tranqüilidade foi tanta que a filha do cacique da tribo de Xnhangá se casou com o filho do cacique da tribo Prinhan, fazendo assim com que as duas tribos se tornassem uma. Descobriram depois, que a fruta ofertada por Tupã servia para curar doenças e para a alimentação. Resolveram então chamá-la jenipapo, “fruta que faz tinta preta”.

A Arte Kusiwa é uma técnica de pintura e arte gráfica própria da população indígena Wajãpi, do Amapá

 

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BUJÈ II- JENIPAPO

Bujè- Jenipapeiro

Entre as populações indígenas o corante extraído de seus frutos e da madeira há muitos séculos é utilizado em diversas cerimônias, junto com urucum e a tabatinga. O habito de pintar o corpo é uma das principais características culturais de cerca de 200 sociedades indígenas existentes no país. Entre os índios Wajãpi (Amapá) essas pinturas recebem a denominação de kusiwa, representado criaturas míticas ou animais. Segundo os Wajãpi, a tinta do jenipapo teria o poder de chamar a atenção dos espíritos da floresta e dos mortos, enquanto o cheiro e a coloração avermelhada do urucum os protegeria dessas entidades. É interessante observar que em crianças recém-nascidas e pessoas muito doentes o padrão kusiwa seria evitado, afim de não exporem os mesmos a essas forças sobrenaturais, o que poderia representar um risco para os mesmos. Isso me faz lembrar alguns casos do Candomblé, onde também evitamos que determinadas pessoas passem por certos tipos de rituais.. É o caso dos abikú, que ao se iniciarem não podem passar pelos mesmos rituais de pessoas “normais” exatamente para evitar que os espíritos que os acompanham possam colocar em risco a vida dessas pessoas. Nesse caso, as pinturas no corpo também desempenham um papel importantíssimo..

Na região do Xingu e Tocantins habitam os Assurinis, que utilizam as mãos ou talos de madeira para aplicarem a tintura de jenipapo e urucum em seus corpos. Alguns motivos mais elaborados podem ser feitos a partir de “carimbos”, feitos com o caroço da fruta inajá (Maximiliana maripa) partida ao meio e mergulhados na tintura. Já entre os Xicrim (subgrupo Caiapó) o jenipapo mastigado e misturado com água e carvão, é aplicado entre as mulheres e nos seus filhos. Os Bakairi (Mato Grosso) também se pintam com o extrato do jenipapo durante diversas cerimônias.

Era costume entre as mulheres Yorubá enfeitar os corpos e o rosto com pinturas e cortes, um dos principais corantes utilizados era a tinta de uma árvore conhecida como bùje. As pinturas feitas com esse corante demoravam pra sair da pele, embelezando por vários dias essas mulheres, que eram muito vaidosas. O nome dessas pinturas era ínábùje.

Nas casas de Candomblé o jenipapeiro é conhecido como Bùjé, sendo uma das principais folhas do orò de Obaluaye e

Jardim Botânico do Rio de Janeiro

Omolú. É considerada por muitos, indispensável, tanto nos rituais de iniciação como em obrigações dos filhos deste orixá, sendo uma das principais folhas utilizadas no àgbo dos mesmos. Sua relação estreita com esse vodun/orixá nos permite classificá-la como uma folha da terra (ewé ile), o que justifica a sua utilização em trabalhos para curar ataques epiléticos, doença geralmente associada ao referido orixá. Alguns desses trabalhos são feitos em baixo do pé de jenipapo, onde são dados golpes de faca na árvore, e pede-se que a doença seja levada embora. Esse mesmo trabalho também costuma ser destinado ao inkicie Kitembo (Tempo) e também ao vodun Loko. No ritual Angola são feitos determinados trabalhos onde animais são pendurados (e mumificados), preferencialmente nos galhos do jenipapeiro, iroko ou da cajazeira, que devem estar próximas ao assentamento desse inkicie. Isso demonstra ainda mais a importância dessa folha, uma vez que pode substituir duas árvores consideradas de grande poder dentro do Candomblé: a cajazeira e iroko. Suas folhas também servem para forrar a vasilha em que é servido o doburú do “velho”.

Obaluaye- Arte de Patrick de Ayrá (Ogba Silé)

O jenipapo possui grande prestígio no Candomblé, pois segundo um itan narrado em Ejionile (Ejiogbé), foi utilizado para salvar um homem de Ikú (a morte). Esse homem passou a tinta do Bujé no corpo e não foi reconhecido por Ikú. Nunca devemos esquecer que esse Odú Agbá carrega consigo o segredo da vida e da morte, por detrás do pano branco se esconde também um pano negro.. É por isso que essa folha costuma ser muito empregada nos rituais de retirada de mão de zelador falecido (Mão de Vumbe) e em banhos de limpeza.  Na Santeria Cubana se costuma afirmar que a fumaça da madeira dessa árvore é ótima para afugentar os feitiços, pois ela é capaz de deixar os olhos dos feiticeiros totalmente confusos.

Salve a fruta da minha infância, viva a folha Bujé!!! Atoto!!!

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Bujè- Jenipapo I

Genipa brasilienses

O jenipapeiro (Genipa americana) é uma árvore nativa, tendo origem na América Central e América do Sul, estando presente na região Amazônica e na Mata Atlântica. Costuma ter um porte elevado, chegando a 20 metros de altura e com copa vistosa. Pertence a família das rubiáceas, mesma do café. Sua madeira é macia e elástica, rachando com facilidade. É utilizada em marcenaria de luxo, construção civil e naval, em tanoaria e xilogravura.

Seu fruto é conhecido como jenipapo, nome de origem tupi-guarani que significa “fruta que mancha”, ou ainda, “fruta que serve para pintar”. Isso porque era hábito muito comum em diversos grupos indígenas utilizar o fruto do jenipapo para cobrirem seus corpos, um dos motivos era que protegia a pele contra insetos, durando por vários dias. É interessante observar que as pinturas eram feitas com o fruto ainda verde, que tinha suas sementes retiradas e produzia um suco, inicialmente incolor, e que em contato com o ar sofria oxidação e se tornava azul escuro, quase preto.

Essa coloração se deve a presença de uma substância corante denominada genipina, que perde sua ação corante com o amadurecimento do fruto. Por isso quanto mais verde for o fruto, mais escura será a coloração do suco, que adquire a consistência do nanquim. Esse corante também pode ser utilizado para tingir tecidos, peças de cerâmica e tatuagens (que desaparecem após algumas semanas).

Ainda com relação ao seu nome, segundo Nei Lopes (Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana) o termo jenipapo se refere também a uma mancha escura que alguns recém-nascidos mestiços teriam na sua região glútea ou quadris, indicando assim sua origem africana.

O jenipapo é um fruto rústico de aroma forte e extremamente ácido, quando consumido ao natural. Para ser aproveitado deve ser colhido no momento certo, apresentando um sabor extremamente acentuado, e que costuma agradar a poucos. É muito apreciado no Nordeste, onde costuma servir como matéria-prima na confecção de doces, xaropes, licores e vinhos. Minha mãe, que era do Amazonas, adorava licor de jenipapo, me recordo que tinha um aroma maravilhoso.. Depois que ela foi iniciada no Candomblé foi proibida de comer a fruta.

Além da genipina, o jenipapo é rico em ferro, cálcio, vitaminas B1, B2, B5, C e carboidratos, o que justifica a sua utilização em casos de anemia e como fortificante. Também é muito empregado como estimulante do apetite e no tratamento de doenças do baço e fígado.

Jenipapo- Jardim Botânico do Rio de Janeiro

 

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OBRIGADO CRIADOR!!!

Os anos passam, mas a nossa essência nunca muda. Somos o que somos..

Hoje comemoro mais uma ano de vida! Isso é muito bom e deve ser sempre festejado! Obrigado meu Criador, por permitir que nesse dia eu tenha chegado aqui no Aye (mundo), nesse dia. Obrigado meu Orí, por ter me acompanhado até aqui, no Aye. Obrigado meu Orixá, por me proteger e cuidar de mim em cada dia da minha vida.

Adupe Olorun! Adupé Orí! Adupé Orisá! Asé! Asé! Asé!

Na minha religião comemoramos sempre orando, cantando, comendo e dançando, por isso tinha que postar três orins (rezas) que iniciaram o meu dia de hoje, e que sempre me acompanham:

Orin Eledawa

Awa na re Eleedawa

Mo wa dupe ore ati Odun modun,

Mo wa dupe ore ati Osu mosu,

Mo wa dupe ore iba gbogbo,

Awa na re Eleedawa

Reza do Criador

Nós estamos felizes, nosso Criador,

Nós estamos felizes, nosso Criador,

Eu estou agradecido pela dádiva de anos e mais anos,

Eu estou feliz por conhecer Osu, a essência do ser Criador,

Eu estou feliz, meus respeitos à todos,

Nós estamos felizes, nosso Criador

Orin  Oluwa

Gba ope mi Oluwa Oluwa o

Gba ope mi Oluwa Oluwa o

Salare na re o!

Bo ti nse pelu mi, ni ko mase,

Bo ti nse pelu mi, ni ko mase!

Pade mi lonon iyanun Oluwa

Pade mi lonon iyanun Oluwa!

Ma je wa La son nse mi lalaiyo loni,

Ma je wa La son nse mi lalaiyo loni!

Pade mi lonon iyanun Oluwa

Pade mi lonon iyanun Oluwa!

Reza para Oluwa (Senhor)

Os meus agradecimentos Senhor

Os meus agradecimentos Senhor

Pelos meses felizes que tive a vossa proteção

Dando a mim muito mais,

Dando a mim muito mais!

Não permita que meus caminhos se fechem Senhor,

Encontre-me no caminho com sua boca aberta, Senhor

Encontre-me no caminho com sua boca aberta, Senhor

Orin Orí

Orí ení kini sàka ení

Orí ení kini sàka yan

Orí olóore ori jè o

A saka yìn ki ya n’to lo ko

A saka yìn ki ègbón mi gbè

Ìta nù mo bo orí o.

Reza da Cabeça

Cabeça que está purificada na esteira

Cabeça que está purificada na esteira caminha soberbamente

A cabeça do vencedor vencerá

A cabeça limpa que louvamos, mãe permita que façam uso dela

A cabeça limpa que louvamos meu mais velho conduzirá

Ar livre e limpo oferecido a cabeça.

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Como podemos ser mais felizes..

Amigos queridos..

Hoje escrevi esse texto na comunidade FOLHAS SAGRADAS (Orkut), para dar uma palavra de amizade e força para uma pessoa que se achava muito só e gostaria de saber que folhas poderia utilizar para encantar as pessoas e fazê-las ficar mais próximas. Aprendi, durante a minha ainda curta caminhada, que jamais devemos deixar de estender a mão para alguém. É possível que um minuto de atenção seja o suficiente para modificar todo um dia:

Existem diversas folhas que utilizamos no Candomblé com a finalidade de atrair pessoas, fortalecer amizades, e até promover paixões.. Entretanto cada caso é um caso.. Eu acredito que não estaria sendo honesto com você, indicando esta ou aquela folha. As vezes o melhor remédio para as nossas inquietações é ter a palavra de um amigo. A gente não se conhece, mas somos todos irmãos, unidos pela mesma fé. Você diz que se sente só, pelas pessoas passarem pelo seu caminho e não permanecerem. Tente fazer uma breve auto-reflexão ..

Como você costuma se relacionar com as pessoas? Você é atenciosa, solicita, trata a todos com simpatia, não é a dona da verdade, sabe ouvir também.. o que você espera das pessoas é o que você também se predispõem a dar em troca? A amizade é isso, dar e receber. Procure ser honesta consigo, não tenha medo. Junto com essas indagações se questione que tipos de pessoas costumam fazer parte do seu círculo de amizades, ás vezes a gente se cerca de pessoas erradas… Será que essas pessoas terão chance de estar em sintonia com você? Sei que achar todas essas respostas não é tarefa fácil, mas devemos nos indagar de como nos mostramos para o mundo e como o mundo se mostra para nós.. Quando não pensamos assim a chance de cometermos equívocos em relação a nossa vida aumenta, e com isso surgem diversos problemas.

Uma coisa importantíssima: SE VALORIZE SEMPRE! Tenha orgulho de ser quem você é, procure aprender e melhorar sempre, mas nunca vá contra a sua essência. Olorun nos fez diferentes uns dos outros, seja feliz por ser quem você é. Você é única, olha que beleza! A cada nascer do Sol agradeça a Ele.

Lembre-se que para nós, iniciados ou não, nunca estaremos sós. Quando chegamos aqui no Ayé (mundo dos vivos) trazemos conosco nosso orí e nosso orixá (nossa porção divina). Nosso orí nunca nos deixa só, ele sempre nos acompanha. Procure fortalecer o seu orí, uma cabeça forte sempre consegue se destacar entre as demais. Converse com o seu orixá, lembre que as pessoas podem te decepcionar, mas que o seu Pai ou (e) Mãe Espiritual JAMAIS se esquecerá de você. Procure ouvir essa voz que fala com você nos diferentes momentos da sua vida, fique atenta aos pequenos sinais..

Busque entender a natureza do seu orixá, pois ela é a sua natureza. O melhor caminho para A SUA FELICIDADE. Quando você conseguir entender isso terá o maior encantamento que pode existir, mais poderoso que qualquer sabão ou banho. Quando estamos felizes com nós mesmos fica mais fácil ser feliz com o outro.. Tem uma cantiga de Ossaim que nos ensina exatamente isso: “Opè èré Òsányin s’ibu (Bàba), kuru ide akàkà”. Ou seja, Operé de Ossaim (Pai) voa rápido, mas nunca muda a sua natureza (http://gunfaremim.wordpress.com/2010/10/23/281/). O máximo que a folha pode fazer é potencializar aquilo que já existe dentro de você, sua natureza individual. Por isso tudo irmãzinha, SEJA MUITO FELIZ!!! Motumbá.

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IYUN ASÉ ORIN – CORAL DE CÂNTICOS SAGRADOS

Ofurufú

SOLO

Ofurufú é Aláyê o Ajalá

Babá ki yèyè Eleejigbô

Ilé Ifá ki ojú ê babá

Ejigbo ré é mo júba awo

É um ayê

CORO

É ma awo é ma awo ala isê

SOLO

Elémówo Babá Sirê ô

CORO

É ma awo é ma awo ala isê SOLO

Elémówo alá si okan babá CORO

E babá, é babá efum irê

SOLO

Ofurufú é Alayê o Ajalá

Babá ki yèyè Eleejigbô

CORO

Ilé Ifá ki ojú ê babá

Ejigbo ré é mo júba awo

É um ayê, é ma awo é ma awo ala isê

SOLO

Elémówo babá sirê ô

CORO

É ma awo é ma awo ala isê

SOLO

Elémówo alá si okan babá

CORO

E babá é babá efum irê

 

Ofurú furú fú bê     SOLO

Babá odê    CORO

 

“Ar fonte da vida, sois aquele que nos conduz, aquele que molda nossos orí. Pai que sobreviveu e tornou-se o Senhor de Ejigbo, terra feliz que pôde vê-lo.

Vos pedimos que abençoe o nosso culto. Senhor que conheceis os segredos e nossos corações.

Ar que respiramos (sopro da vida), Pai do Céu.”

Imagem de Amostra do You Tube

 

ESSE É O CORAL QUE EU FAÇO PARTE… CANTAMOS AOS NOSSOS ANCESTRAIS, NAS DIFERENTES LÍNGUAS QUE NOS FORAM TRANSMITIDAS POR ELES.

SAUDAMOS O AR, O FOGO, A TERRA, O VENTO, AS ÁGUAS.. ENFIM SAUDAMOS A VIDA NO SEU SENTIDO MAIS PRIMORDIAL.

Contatos: Lucinha Pessoa (21) 8167-4779 — lucinhapessoa@gmail.com

Aduni Benton (21) 9482-6863 — abenton21@yahoo.com.br

Flávio Rocha (21) 9680-4040 — flaviorocha96804040@gmail.com

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Iyun Ase Orin


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A utilização das plantas medicinais


Aristolochia cymbifera (Cipó mil homens/ Akonijé)

Nas últimas décadas observamos um aumento da utilização e comércio de plantas, fato que pode ser justificado pela grande quantidade de pessoas que buscam na Fitoterapia auxílio ao tratamento de doenças, manutenção e recuperação da saúde, além de uma melhor qualidade de vida. Outra justificativa para sua utilização são os efeitos adversos que os medicamentos alopáticos tradicionais podem causar ao organismo. No Brasil, a prática de utilizar plantas para recuperação da saúde é crescente, uma vez que os órgãos públicos de saúde frequentemente carecem de recursos que assegurem de forma adequada o bem-estar da população.

O uso de plantas medicinais e rituais no país é uma prática comum, resultante da forte influência cultural dos diversos grupos indígenas que se mesclaram as tradições africanas e a cultura dos colonizadores europeus. Nesse contexto, a comercialização de plantas adquire não só uma função fitoterapêutica, mas também um aspecto religioso fortíssimo. Segundo os preceitos religiosos, os poderes das plantas não se devem apenas aos componentes químicos que encerram, mas também aos poderes que as divindades lhes atribuem (BARROS, 1993).

Ervas que induzem a visões e previsões, que combatem o cansaço e a insônia, que estimulam ou anulam o apetite sexual, e ainda, que provocam depressão e euforia já são há muito conhecidas. Em 1838, foi isolado pela primeira vez um princípio ativo de vegetal, o ácido salicílico, extraído das cascas do salgueiro chorão (Salix babilônica) e utilizado até hoje como analgésico. Ainda existem ervas que aumentam a contração da parede do útero, levando ao aborto, a exemplo do cipó-mil-homens (Aristolochia sp.) e do aperta-ruão (Piper mollicomum). Uma espécie que foi muito utilizada nos conventos e seminários é o lótus (Nymphaea lotus), devido a sua ação anafrodisíaca (inibe o apetite sexual). Outras vão ser fundamentais em rituais religiosos, como o nativo (Dracaena fragans), usada em casas de Candomblé para estimular o transe.

Os princípios ativos contidos nas plantas são absorvidos pelo organismo por diferentes meios, tais como: Ingestão; uso tópico através de aplicações na pele ou por meio

Piper aduncum (Aperta ruão/ìyèyé)

de banhos; inalação e aspiração na forma de charutos, cachimbos ou na forma de pó (CAMARGO, 2006). Existem diversas formas de preparo de plantas medicinais, as técnicas mais comuns são:

A-A maceração consiste na imersão da planta (que pode ser amassada, em água fria, álcool ou azeite) durante 10 a 24 horas de forma que os constituintes solúveis sejam liberados.

B-A infusão consiste em verter água fervente sobre a planta, cobrindo o recipiente de forma a preservar as essências voláteis deixando-a repousar por mais ou menos dez minutos. Esta técnica é ideal para usar as partes mais delicadas da planta: folhas, flores e caules mais tenros.

C-Na decocção a planta é fervida em água entre 15 e 30 minutos. Este método é indicado para preparar partes duras das plantas como raízes, cascas, sementes e rizomas, que necessitam se manter em ebulição, a fim de liberarem seus princípios ativos. Entretanto tem como desvantagem a perda de algumas vitaminas devido à ação do calor.

D-Os ungüentos são uma forma bem interessante de utilização de plantas medicinais, onde extratos vegetais (que podem estar associados a gorduras animais ou resíduos minerais) são aplicados sobre alguma parte do corpo dolorida ou inflamada.

Salix babilonica (Salgueiro chorão)

E-A técnica da Fumegação, muito utilizada pela medicina oriental, está baseada no uso de fumaça ou vapor proveniente de soluções compostas por ervas com princípios ativos voláteis. Uma forma de aplicação da fumegação consiste em dispor as ervas em água e ferver por aproximadamente 15 minutos, em seguida se aproxima a parte afetada para que entre em contato com o vapor.

A fumegação também costuma ser promovida na forma de incensos e em rituais de pajelança, onde a fumaça é aplicada sobre o indivíduo muitas vezes na forma de charutos ou cachimbos. Essa técnica está intimamente ligada com a Aromaterapia, uma vez que também utiliza o sentido do olfato para atingir a cura.

O uso adequado dessas preparações pode trazer uma série de benefícios para a saúde humana auxiliando no combate a doenças infecciosas, alérgicas e disfunções metabólicas. Associado às suas atividades terapêuticas está o seu baixo custo; a grande disponibilidade de matéria-prima e a cultura favorável relacionada ao seu uso. Isso torna a prática da fitoterapia uma realidade que se difunde amplamente nos diferentes grupos que compõem a nossa população.

BIBLIOGRAFIA

BARROS, José Flávio Pessoa de. O SEGREDO DAS FOLHAS: Sistema de Classificação de Vegetais no Candomblé Jêje-Nagô do Brasil. Rio de Janeiro, Editora Pallas, 1993.

CAMARGO, Maria Thereza Lemos de Arruda. OS PODERES DAS PLANTAS SAGRADAS NUMA ABORDAGEM ETNOFARMACOBOTÂNICA. Revista do Museu de Arquelogia e Etnologia,15. Universidade de São Paulo, 2006.

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Só quem soube respeitar Tempo sabe o valor que Ktembo tem..

Mãe Aninha (Obá Biyi)

Assisti a esse vídeo e não tive como deixar de postá-lo aqui. O mesmo foi realizado pelos membros do Ilé Asé Opo Afonjá para comemorar os Cem Anos de Iniciação (Ógorún Ódun Óbadéyi) de Mãe Agripina de Aganjú (Obá Deyi). A história dessa sacerdotiza se confunde com a história dessa casa centenária. Obá Deyi foi iniciada por Mãe Aninha (Obá Biyi), filha da Casa Branca do Engenho Velho e fundadora do Ilé Asé Opo Afonjá no Rio de Janeiro (1895) e em Salvador (1910). Mãe Aninha foi sucessora do Asé no Rio de Janeiro (Coelho da Rocha).

 

O que mais me chamou a atenção no vídeo é a forma com a qual os membros do axé se reportam a sua Matriarca. Observamos na fala de cada um muitos sentimentos: amor, carinho, respeito, gratidão, orgulho, saudade.. É impossível não se emocionar com os seus depoimentos e relatos. Tive que chorar.. Mas foram lágrimas de felicidade, de saber que essas senhoras existem. Que a memória de nossos ancestrais ainda é respeitada e louvada. É realmente reconfortante.

 

 

 

Digo isso, pois, hoje em dia, se percebe no discurso das pessoas muito descaso com relação aos mais velhos, aqueles que vieram bem antes de nós. Parece que tudo aquilo que eles construíram e deixaram para nós não tem valor. Às vezes me sinto errado no meio de tantos “certos”, que insistem em menosprezar o tempo e o conhecimento acumulado.. Como eu poderia com meus poucos anos de iniciado, me comparar a essas senhoras? O que diferencia um iyawo de um egbomí, é tudo a mesma coisa? Será que a chamada “educação de axé” não é mais necessária? Devemos deixá-la de lado?

Sua memória estara sempre entre nós..

Prefiro acreditar que não! Esse vídeo é uma das indicações que me levam a acreditar que estou no caminho certo.. O bailado de cada uma dessas senhoras (e senhores) saudando Obá Aganjú com tanta intensidade e veneração não deixa dúvida alguma. Cada um deles trás na alma e no coração a força acumulada ao longo de cada ano de trabalho na sua casa de santo. Cada pena retirada, cada noite mal dormida, cada obrigação paga, cada momento de aprendizagem, perdas, vitórias, alegrias, tristezas, enfim tudo aquilo que o Tempo nos proporciona. Digo sempre: Só quem soube respeitar Tempo sabe o valor que Ktembo tem..

A força do nosso Candomblé reside aí. Esse é o verdadeiro awo (segredo) que muita gente iniciada ainda não conseguiu descobrir, e talvez nunca descubra.. Infelizmente..

INFORMAÇÃO AOS LEITORES DO BLOG: É UMA GRANDE PENA, MAS O VÍDEO ACIMA REFERIDO FOI RETIRADO DO YOUTUBE.

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Ewe Ábèbè Òsún- Erva capitão (Hydrocotyle bonariensis)

Abebê verdadeiro

Folha de Oxúm

Sei que já postei sobre essa folha em Setembro de 2009 (http://gunfaremim.wordpress.com/2009/09/30/ewe-abebe-osun-erva-capitao-hydrocotyle-bonariensis/), mas tirei fotos dela e tinha que compartilhar. Foram tiradas na Praia da Barra da Tijuca, Rio de Janeiro.

Por isso cantamos para essa folha, que dá poder para quem canta:

Ábèbè ni gbo wa 

Ábèbè ni n’bó

Ewe ábèbè

Ábèbè ni gbo wa

Ábèbè ni n’bó

Ewe ábèbè

Tradução livre 

É a folha de Abebê que iremos ouvir

Folha que cultuamos sobre a ení

Folha do Abebe

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Obí/ Ví- Cola acuminata (Noz de cola)

Cola acuminata-Obí

Flor do obí

Esse é o fruto predileto dos orixás. Aquele que oferecemos para que possamos ser ouvidos, quando queremos vida próspera, saúde e paz. Nunca é comido sozinho, sempre compartilhado. Por isso pedimos:

OBÍ KOSI IKÚ
Obí para que não tenhamos morte
OBÍ KOSI ÀRÙN
Obí para que não tenhamos doenças
OBÍ KOSI ÒFÒ
Obí para que não tenhamos perdas
OBI KOSI ÈJÉ
Obí para que não tenhamos derramamento de sangue
OBÍ KOSI FÌTÍBÒ
Obí para que não tenhamos desentendimentos
OBI KOSI ARÁ IKÚ BÀBÀWA
Obí para que a morte não nos veja

 

 

OBÍ SE
O Obí vai agir
OBÍ REE O ORÍ
Orí o Obí será cordial (será bom) para você. Asé! Asé!Asé!

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Ewé Ápèjé – Dormideira/Sensitiva (Mimosa pudica)

Mimosa pudica - Ewé ápéjè (dormideira)

Essa planta me lembra a minha infância, quando eu ficava batendo nas suas folhas pra elas se fecharem. Seu nome científico é Mimosa pudica, Mimosa porque suas folhas são bem pequeninas, aparentando um aspecto frágil. Pudica por que elas se fecham e se escondem a qualquer toque, como se fossem uma virgem assustada. Suas flores são rosa e muito delicadas.

Um dos seus nomes nas terras iorubás é ewé ápèjé, que pode significar folha de axé/força. Esse aspecto pode ser constatado em um dos seus nomes populares sensitiva.. Por isso costuma ser utilizada para aumentar a sensibilidade de médiuns, ou ainda, para induzir o transe e permitir a chegada do orixá.

Costuma ser associada a Senhora das Tempestades (Oyá) e Iyewá a Senhora dos Disfarces. É interessante observarmos que, quando associada a Oyá, costuma ser utilizada em trabalhos amorosos (de amarração), não devemos esquecer que Oyá é a Senhora das Paixões, aquela que chega colocando fogo nos nossos corações.

Mimosa pudica

Sua ligação com Iewá pode ser evidenciada a partir da personalidade desse orixá, que está ligada a tudo que ainda não foi utilizado, a virgindade, ao mistério. Lembram do seu nome, pudica?..  Outro nome popular dessa planta é “não me toque”. Iyewá também não costuma se mostrar para qualquer um, e também é capaz de turvar a nossa visão quando não deseja ser vista.

Iyewá- Peça exposta na Marina da Gloria (2007)

Como folha de força é utilizada para o Senhor Elegbará (possuidor do poder (agbará)), fato que justifica sua utilização nos assentamentos desse orixá. Um fato interessante é que em algumas cidades do México costuma ser utilizada seca e fumada como um substituto para a maconha. Segundo relatos ela seria confundida com outra espécie muito parecida (Mimosa hostilis), que nós aqui conhecemos como folha da Jurema. Foi observado que seu uso embora não necessariamente provoque alucinações, pode promover sonolência. O que já é o suficiente para classificá-la como ewé eró.

Quem observa as flores e folhas da dormideira não deve se enganar com relação a sua fragilidade aparente.. É uma planta extremamente resistente, suportando altas temperaturas e condições de solo nem sempre favoráveis. Seu caule esconde espinhos que cortam e ferem a pele dos desavisados.

Assim como a natureza de  Iyewá, não adianta chegar e pegar um galho ou arrancar um pé na rua para plantar em casa, geralmente ela seca e morre. Seu cultivo é fácil, mas costuma dar mais certo quando são utilizadas suas sementes. É até engraçado, pois é considerada uma planta invasora.

Esú - Peça exposta na Marina da Gloria (2007)

A dormideira é uma planta de porte arbustivo originária da América Tropical (regiões quentes), pertencente à família das Leguminosas (Mimosacea), mesma do tento/wérénjéjé (Abrus precatorius). Outros nomes que recebe são: malícia-da-mulheres, morre-joão, kiri-kerê, dorminhoco e jequiri-rasteiro.

Foram isolados de suas folhas e raízes um alcalóide tóxico, a mimosina, além de tanino, cristais de oxalato de cálcio, galactose, manose e uma substancia semelhante a adrenalina. Sua utilização na medicina popular é feita em casos de dores de cabeça e dor de dente. Alguns estudos clínicos indicam a utilização do extrato aquoso das raízes em distúrbios uterinos, muito freqüentes nas filhas de Oyá…

 

 

TEXTO ESCRITO POR GUNFAREMIM

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MINHA EXPERIÊNCIA RELIGIOSA

O fé ire, o fé ire, o fé ire,

Iyo s’opé olóre,

O fé.

Queremos tudo de bom,

felicidades, gratidão aos amigos.

Minha casa, meu ilé

Motumbá meu mais velhos e meus mais novos,

Quando ouvimos o chamado dos orixás e, cada um ao seu modo, resolve se entregar a essa força maravilhosa deixamos esse mundo para em seguida renascermos. Esse renascimento é cercado de sacrifícios, às vezes, passamos por algumas dificuldades, uns mais outros menos.. Renascemos iyawo, nossos olhos despertam para o mistério (awo). Nossa maneira de encarar a vida se modifica, não somos mais os mesmos. A partir desse momento temos a certeza que jamais estaremos sozinhos, pois dentro de cada um de nós se faz a morada de nosso Deus pessoal, nosso Pai, nossa Mãe espiritual. Só quem passou pelo “segredo” sabe o que estou dizendo. Existe um ditado, que gosto muito, e que traduz bem essa filosofia: “Biri biri bó won loju, ogberi nko mo mariwo”. Trevas cubram seus olhos, os não iniciados não podem conhecer os segredos do mariô.

Ser iyawo nem sempre é tarefa fácil, pois exige de nós disciplina, paciência, atenção, humildade e acima de tudo amor ao orixá. Somos a todo tempo testados em nossos limites. Saber ouvir muito e falar pouco, perguntar demais então, não é visto com bons olhos. Para mim, como bom filho de Ogún, nem sempre isso foi tarefa fácil, rsrs. Saber respeitar os mais velhos, mesmo que essa diferença fosse de alguns dias..  Saber colocar a vaidade de lado e respeitar sempre a hierarquia da casa.. Mas acredito que consegui superar minhas limitações e respeitar o tempo, afinal, a tradição assim nos impõem suas regras. Regras essas que fortificaram essa religião e a fizeram permanecer viva até os dias de hoje. Se não fui eu quem criei como posso querer modificá-las?

Meu Odú Éje

E dessa forma os anos foram se passando, busquei aprender sempre com cada irmão e irmã. Com alguns aprendi mais com outros menos, entretanto nenhum deles deixou de me ensinar alguma coisa. Espero poder aprender muito ainda. Mas o tempo não para não é mesmo: um, três, cinco e eis que de repente chegamos aos sete. Número difícil, cercado de simbolismos e expectativas. Segundo os esotéricos é o número do autoconhecimento, da espiritualidade. Para nós do Candomblé representa o final de nossa iniciação, momento em que o elo que nos liga a nosso orixá fica mais apertado, mais estreito. A responsabilidade a cerca de nossas ações fica evidente, nossa educação de axé está moldada. Posso dizer com toda certeza que chego aos meus sete anos com a mais completa convicção que trilhei o caminho correto, não desrespeitando ninguém, procurando ajudar sempre que possível, respeitando o meu tempo, e também o tempo dos outros. Realmente valeu a pena.

Certa vez conversando com Pai Flávio disse a ele que estava muito feliz, ele prontamente me perguntou o porquê da alegria. Na hora não soube responder especificamente o motivo, mas na verdade hoje sei. Quando fazemos o que é certo e nos doamos realmente para nossos orixás, eles nos dão o que há de melhor. E para mim a melhor coisa que recebi nesses quase oito anos de iniciado é a paz de espírito, de não carregar mágoas no coração, de ver o mundo com olhos de esperança, de procurar a beleza que se esconde, às vezes, atrás de uma cara fechada, por que não?

Agradeço muito a Pai Flávio e ao Ilé Asé Omí Iwín Odara, pois nessa casa eu consegui encontrar o meu caminho. Esse caminho tem sido de muitas vitórias e conquistas, alguns tropeços é claro, mas que também foram importantes, pois me fizeram crescer e lutar com mais força para atingir os meus objetivos. Quando cheguei no Ilé, fui recebido por uma grande árvore ornada com lindos presentes, Pai Flávio conhece a história. Pois é, que ela continue lá, alta e majestosa, protegendo a todos nós, os seus filhos.

Idanko Gboyá

Talvez alguns achem que estou escrevendo muito, mas achei importante dividir com os meus irmãos a minha experiência religiosa. Nem sempre temos tempo de trocar nossas impressões uns com os outros, mas digo, principalmente aos mais novos: Ser iyawo é maravilhoso, saibam respeitar o seu tempo, tenham amor ao seu orixá, confiem em sua casa de culto. O axé que ela possui é fantástico, problemas são normais em todo lugar, só o paraíso é perfeito. E nunca devemos esquecer que o sucesso de uma casa de santo está intimamente ligada a capacidade dos seus membros vencerem JUNTOS as dificuldades e se manterem unidos. De acordo com a filosofia que herdamos de nossos ancestrais, o coletivo é sempre mais importante que o individual, não por um indivíduo ser menos importante que o outro, mas pelo fato de ninguém conseguir sobreviver bem, por muito tempo isolado. Os galhos de Danko (bambusal) são fortes por que um sustenta o outro, o vento passa mas ele nunca é destruído. Por isso cantamos após o orixá dar o seu nome, ou em ocasiões especiais e de festividade:

“F’ara imóra Olúwo, F’ara imóra

Arakétu wúre, Fara imóra

Olóore salare, A mu’ ra dìde

Olóore salare, Omo Araketu ‘wure”

“Usamos o corpo para nos abraçar

Nós nos abraçamos

Somos todos filhos do Povo de Kétu

E pedimos abenção. Unidos em um só corpo.”

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Jardim Botânico do Rio de Janeiro

Orixá Ossanyin - Orixá das Folhas

Essa semana visitei um dos meus lugares preferidos aqui no Rio, o Jardim Botânico. Ele fica localizado em um dos locais de maior movimento da Zona Sul da cidade, representando um verdadeiro paraíso no meio da agitação. Segundo registros é póssível encontrar cerca de 6.200 espécies diferentes de vegetais nativas e exóticas, sendo muitas em extinção. Sua área é extimada em 1.370.000 m2 e está dividida em dois setores: o do Jardim propriamente dito e o do Horto Florestal, ao norte do Jardim, que se estende até os limites da Floresta da Tijuca. O local é cortado pelo Riacho Iglesias e o Rio dos Macacos, vindos do Maciço da Tijuca e que desaguam na Lagoa Rodrigo de Freitas.

Jardim Botânico do Rio de Janeiro

Esse oásis tem origem a partir do séc. XIX, com a chegada da Família Imperial ao Rio de Janeiro. Inicialmente seu espaço havia sido projetado para abrigar uma fábrica de Pólvora e uma fundição de peças de artilharia, posteriormente foi criado nessa mesma área o Jardim de Aclimatação.  A idéia era ter um lugar onde diversas espécies de especiarias das índias Orientais  e outras terras asiáticas pudessem ser aclimatadas, tendo em vista as longas viagens e os perigos enfrentados pelas embarcações portuguesas. Alguns meses depois, a 11 de outubro de 1808, o Jardim recebe o nome de Horto Real. A partir daí o jardim começou a receber grande quantidade de sementes e mudas, que incluiram abacateiros, cravo da índia, canelas, chá, sagu, coração de negro, fruta pão e cajá.

Atualmente o Jardim Botânico do Rio de Janeiro é um importante centro de pesquisas, além de servir como local de refúgio para inúmeras espécies de insetos, animais e aves. Um dos meus locais preferidos é próximo a escultura de Ossayin, do artista plástico Tati Moreno (criador das esculturas dos orixás do Dique do Tororó, na Bahia). Ao lado existe um pé de oriká-cajá mirim (Spondias Lutea) fantástico.

Ewé o!!!

Escultura de Tati Moreno - Jardim Botânico do Rio de Janeiro



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ALGODÃO- EWÉ ÒWÚ

Ewé òwú / Gossypium barbadense - Algodoeiro

Gossypium barbadense- Algodoeiro

Folha indispensáve para o culto aos orixás, folha que esquenta… Ligada ao mito de Osá e ao ciclo menstrual, pertence por excelência ao grande orixá funfun, Senhor do Alá e Pai de todos os orixás. Através do algodão, pedimos saúde e proteção para o nosso orí. Que ele nunca fique descoberto e exposto aos olhos daqueles que querem nos fazer mal. Axé!!!

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Oxóssi

Para todos os meus irmão caçadores, em especial para minha caçadora favorita, minha irmã Vanessa de Odé. Te amo!

Salve a grande Adriana Moreira!

 

Imagem de Amostra do You Tube[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=KUVep5TEaEQ&NR=1]
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