VODUN AGUE

Tillandsia usneoides

Tillandsia usneoides

Os voduns costumam ser divididos em famílias, de acordo com o grau de descendência que os mesmos guardam entre si. Assim fazem parte da Família de Ágüe os seguintes voduns: Aguê, Aroní, Lôko, Ekún Walê, Neossum, Gága Otolu e Igbó. Todos são considerados vodúns dos encantos, possuindo estreita ligação com as folhas e matas. Segundo a cultura Jeje, esses voduns costumam trazer muita fartura consigo. É interessante observar que, embora alguns desses voduns carreguem diversas semelhanças com algumas divindades iorubas (principalmente na sua denominação), a forma com que são cultuados dentro do Kwe (Ilê) pode diferir bastante das casas de culto aos orixás.

Ágüe é o vodun das matas, florestas e dos segredos das folhas, por isso confundido com Ossayin. Por ser um excelente caçador também pode ser confundido com a figura de Odé. Entretanto Ágüe não é Ossayin e nem tão pouco Odé. É um vodun que guarda muitos mistérios, sendo por isso considerado encantado. Ágüe é tido como o chefe de todos os aziza, espíritos das florestas. Seu dia de culto é a quinta-feira, as suas cores são o azul turquesa, o verde e também o branco. Trás consigo grande ligação com seu pai Lissa, devendo por isso os seus filhos sempre se vestirem com roupas claras. Agué possui uma dança muito bonita e cadenciada, com movimentos lentos. Também aprecia bastante a Vamunha, na sua vestimenta jamais pode faltar iko (palha da costa) e vários búzios..

Hounxê Aguê Mí!!! Àrobô bô yi!!!

Cantigas de Agué

Ki tipo alé riko
Para ki sodan ki tipo

Nito Kossun
Arrunsejé
Nito kossun,
Agué run derè

Agué benadô e um ô
ê ê ê e um ô
ê ê ê e um ô
Di mina ê

Sobojô

Aê Sogbó jo,

Aê Sogbó jò,

Aê Sogbó  jò, Ague

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FOLHA É VIDA

Cabaça Esú

Motumbá irmãos de fé. Acho extremamente oportuno esse tópico, uma vez que nada mais ligado à Ossayin e suas folhas sagradas que a preservação da Natureza. Nossa religião nos ensina que devemos respeitar tudo aquilo que Olorun nos forneceu, de graça. Todo orixá está ligado a pelo menos um aspecto da Natureza. Temos os orixá Igbo (das matas), os orixás Omim/Odo (das águas), Aféfe (ar, ventos), Inan (fogo) e os Onilé (Senhores da terra). Observamos assim que cada elemento primordial está devidamente representado e deve ser reverenciado por nós, omo orixá. Quando jogamos uma garrafa de vidro ou plástico nas águas dos rios ou mares, estamos desrespeitando as grandes Senhoras (Mães das Águas). Ao provocarmos um incêndio nas matas pela falta de cuidado ao acendermos nossas velas, enfraquecemos o asé de Ossayin, consequentemente enfraquecendo o nosso asé individual, uma vez que nada se faz no nosso culto sem essa energia.
Sou extremamente a favor da substituição de vasilhas de louça, e outros materiais não biodegradáveis, por folhas. Uma folha ótima é a ewe lara funfun (mamona) que pode ser utilizado por todos os orixás e naturalmente irá se decompor. Lembre-se cada orixá possui o seu conjunto de folhas sagradas, utilize-as. Folha não é só pra ser posta no agbó orixá ou para omim eró. Sua presença é fundamental em todas as situações.
Ossayin nos ensina que quando for colher folhas no igbo nunca retire todas que encontrar, sempre deixe algumas, assim sempre haverá mais. Podemos chamar isso de SUSTENTABILIDADE, conceito moderno, mas que nossos antigos há muito já conhecem e utilizam.

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Iroko, aquele que me ouve e sempre me indica o caminho certo a seguir..

Nossa amada Gameleira
Iroko Africano
Éspécies onde Iroko é cultuado
Erò Irokò izò

Erò Irokò esín ilè


A calma é de iroko que quebra o vento

A calma é de iroko que cultuamos em nossa casa
Na minha casa..  Ile Asé Omim

Jovem Iroko..
Que seus galhos cresçam e nos carreguem cada vez mais alto!
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Lenda Ejionile

ACABEI DE LER ESSA HISTÓRIA E ACHEI MUITO LEGAL! NÃO SEI A AUTORIA MAS VOU POSTAR AQUI, SE ALGUÉM SOUBER QUEM ESCREVEU, MANDA UM RECADO!

Um dia, Olufã, Rei de Efá, teve que se ausentar de seu reino deixando seu filho caçula (que atendia pelo nome de Kabiesí) no trono. Este que era muito ambicioso sentia-se incomodado com a presença dos Orixás Funfuns, por impedirem todas as novas leis e determinações criadas pelo filho do Rei.
Kabiesé sentia-se constrangido e incomodado com os Obás e começou a jogar uns contra os outros fazendo intrigas, inventando historias e armando ciladas, criando assim uma grande guerra e levando a cidade de Efá à ruína.
Quando não sabia mais o que fazer pela grande situação que causou, Kabiesí procurou seu amigo que era Babalawô de nome Ojise Bó Iká ou Orô Jinse e que costumava chamar Kabiesi de Orixá Iyan que significa “Orixá Comedor de Inhame”.
O Babalawô penalizou Kabiesí:
- Todas as intrigas que criastes voltarão contra ti, pois seu pai é sábio e saberá apurar os fatos de todo o acontecido.
- Vá e reúna-se com todos os ministros que hoje estão separados.
Kabiesí se viu preocupado, mas sentia-se seguro. Ele acreditava que nunca mais os ministros se reuniriam pelo tamanho da intriga que ele mesmo havia causado.
E disse mais o Babalawô:
- O pai que tens é o Senhor da Verdade e sua cor é o branco. Por menor que seja a sujeira ela sempre aparecerá sobre o branco.
Kabiesí perguntou:
- O que devo fazer?
Babalawô respondeu:
- Faça oferendas para Ejíonilé porque este é o Odú da intriga, mas tratando-o de maneira correta poderá alcançar sucesso e prestígio.
Kabiesi perguntou:
- Como faço estas oferendas?
Babalawô respondeu:
- Deverá abrir um alá funfun e colocar sobre ele 08 pratos brancos e dentro de cada prato você deverá colocar uma vara de atorí, uma moeda prateada, uma folha da costa, uma bolinha de algodão, um acaçá e um igbin. Convidará cada ministro de seu pai e dará um prato com tudo o que colocou dentro para cada um e pedirá a todos eles “agô” por tudo que causou. Você seguirá em procissão levando em sua mão direita um pombo branco e na esquerda um pombo preto que pintarás com efun escondendo assim a sujeira que tem e deixará que Oxalufã escolha o pombo que quiser.
Todos aguardavam a chegada de Oxalufã. Kabiesí sentia-se seguro porque tinha conseguido reunir todos os ministros.
Oxalufã chegou a seu reino muito cansado, com ar de tristeza e decepção.
Junto dele tinha um distinto homem muito carinhoso e atencioso com o Rei, ele se chamava Ayrá. Toda família funfun estranhou o apego do Rei com aquele estranho homem. Em todos os locais da aldeia que ele ia, este homem estava junto. todas as comidas e bebidas ofertadas ao rei Lufã eram passadas ao estranho primeiro e este sentava-se na cadeira ao lado do Oní.
As vestes que não eram permitidas a nenhum Orixá que não fizesse parte da família funfun era permitido a Ayrá.

Este Orixá tornou-se mais íntimo do que os próprios familiares.
Após o Rei trocar de roupa e alimentar-se, caminhou até o poste central da aldeia, sentou-se em seu trono para receber os presentes dos amigos, parentes e vizinhos.
kabiesi aproximou-se do pai.
Oxalufã o olhou e disse:
- Meu filho querido, cujo meus excessos de carinho transformaram o direito em poder, não respeitando mais o direito de outras pessoas e deixando assim que só o seu desejo prevalecesse. Soltarás o pombo verdadeiramente branco e
guardarás para si o pombo preto que pintaste e terás que mantê-lo sempre branco para que as pessoas nunca descubram a verdadeira negatividade que você traz. Darei uma terra seca onde nada nasce e terás que fazer esta terra produzir e lá criarás seu próprio reino. O que vai fazer seus descendentes crescerem é a dificuldade que passarão até construir seu próprio reino. Pois será essa dificuldade que fará de ti um grande Orixá e seus filhos terão orgulho do pai que tem.
Kabiesi sentiu-se entristecido, mas ao mesmo tempo contente, pois esperava um castigo muito maior de seu pai.
Kabiesí teve ajuda de seu grande amigoOjinse que com as mãos da magia conseguiu transformar a terra seca em terra fértil. Construiu um palácio um mercado e todos os anos na colheita dos novos inhames ele levava todo o carregamento para o Ilé Ifan onde residia seu pai.
Após muito tempo, Oxalufã resolveu perdoar o filho por todos os maus atos cometidos, dando a ele o direito de vestir o branco novamente e o título de Elejibó, nome que recebeu a aldeia de Kabiesi.

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Orin Oye Ogun

E wá jale
Mo gbo ure o
Ago bo oro oro
Ajale o
Ori le
Osi nile
A ogun Alakoro
Mo bo ure
Ajale mo bo ure
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Sankofa – De olho na Memória

Sankofa é um pássaro africano de duas cabeças e segundo a filosofia africana significa aproximadamente voltar ao passado para resignificar o presente.
O pássaro tem uma cabeça voltada para o passado e outra cabeça voltada para o futuro.
Resgatar a memória para continuar fazendo história no presente.
Significado: “nunca é tarde para voltar e apanhar aquilo que ficou atrás”, ou seja, voltar às suas raízes e construir sobre elas, o progresso e a prosperidade.

Sankofa é um pássaro africano de duas cabeças e segundo a filosofia africana significa aproximadamente voltar ao passado para resignificar o presente.  O pássaro tem uma cabeça voltada para o passado e outra cabeça voltada para o futuro. Resgatar a memória para continuar fazendo história no presente.
Ou seja: “Nunca é tarde para voltar e apanhar aquilo que ficou atrás”, não só podemos como devemos retornar as nossas raízes e construir a nossa felicidade sobre elas.
Saiba mais sobre adinkra lendo o livro: 
 ADINKRA, SABEDORIA EM SIMBOLOS AFRICANOS NASCIMENTO, ELISA LARKIN – Organizador

Editora: Pallas
Numero de páginas: 204
Formato: BROCHURA
Tamanho: 13.00 x 19.00 cm.

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Ewé Òrìsà- Uso litúrgico e terapêutico dos vegetais nas casas de candomblé jêje-nagô

Ewé Òrìsà- Uso litúrgico e terapêutico dos vegetais nas casas de candomblé jêje-nagô


Autores: José Flávio Pessoa de Barros e Eduardo Napoleão
Editora: Bertrand Brasil
Nùmero de páginas: 514
Contém diversas ilustrações botânicas.
Conteúdo: Excelente livro que aborda a utilização de plantas pelas comunidades de Candomblé. Observamos não só o uso litúrgico e ritualístico, mas também sua função fitoterapêutica.  Os autores nos presenteiam também com inúmeros korin ewé (cânticos de folhas), traduzidos para o português. Leitura indispensável para quem deseja saber mais sobre as folhas e seus segredos.

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ASSIM DIZIAM OS ANTIGOS..

 Emú pá, Ejá pá…
O peixe morre pela boca.
Eu e minha amiga Dan
WALU LÈ
ILÈ WALU LÈ
JÉ KWÉ SUN WALU LÈ
MAN IYÁ HUN DÁ KÓ
ALÈ KWIN BILO SÈ
MAN IYÁ WALU BETÓ
DA JA IN SAN
WALU LÈ
MAN IYÁ HUN DÁ KÓ
WALU LÈ
 
 
Orí burukú, Kosí orisá…
Cabeça ruim não dá santo.
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Saudando Agué…

Arte realizada por Patrick de Ayrá
Aguê máa inón ó pa àdá
Aguê máa inón ó pa àdá ô
Ágüe não quer fogo nem facão que o mata
Ágüe não quer fogo nem facão que o mata

Igba nbò mi agué nì Orô
Ae ae
Igba nbò mi agué nì Orô
Ae agué
Cabaça faça-me crer em Orô
Ae ae
Cabaça faça-me crer em Orô
Ae Agué
Agué fígbó e ti móòkè
Agué figbó e ti móòkè.
Ewé ewé Agué
Isó tó adáfá
Arte realizada por Patrick de Ayrá
Itòróró Aguê tòróró sagui
Izo izo Aguê izo izo sagui

Bomgbo sé mi Aguê mirô  aê aê
Bomgbo sé mi Aguê mi rô aê Aguê.

Ago otim dun ago Agué otim dun
Ago otim dun  ago Agué olepe.

Arte realizada por Patrick de Ayrá
Ago epo ago Ague epo
Runbere ko azan 
Ago Agué olepe.

E bo iza soro soro
E bo iza soro soro
Ágüe huntó nie vodun
Bo iza soro soro
Bo iza soro soro.

Tò ró tò ró Ágüe mi emam
Tò ro tò ro Ágüe da huntó.
Agué hunde e hunde la kutaia
Agué hunde e hunde la kutaia.
Aguê marê Aguê marê
Para que sodam
Aguê marê.
Fara mi zan, zan no belo
Fara mi zan, zan no belo
Ká mi zan zan
Agué mirô aê aê.
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Milho – àgbàdo (Zea mays)

Espiga de milho

Vamos falar sobre o àgbàdo? Nosso velho e conhecido milho (Zea mays). Digo velho porque sua origem data mais de 7 mil anos, provavelmente na América Central, mais especificamente nos planaltos mexicanos. Esse vegetal era amplamente utilizado pelos povos Astecas, Maias e Incas não apenas como fonte de alimento mas também em diversos rituais religiosos.

Entre as divindades Maias não era muito comum as mesmas possuírem feições amáveis, entretanto uma se destacava das demais. Era Yuin Kax, de aparência jovem e conhecido como “Senhor dos Bosques”. Yuin Kax era cultuado como divindade da abundância e da prosperidade, entretanto também era associado a morte. Segundo o pensamento Maya, o grão de milho deveria ser enterrado como um cadáver, para que, após a morte, pudesse renascer.
Nossos índios Guarani também tinham uma crença bem parecida com relação ao milho, podendo ser entendida a partir do mito de Avaty, o caçador, que eu extraí de um texto de Noga Lubicz: “Conta uma lenda guarani que num tempo muito longínquo, cada família procurava na agricultura e na caça, os meios para subsistir. Mas dois caçadores sempre andavam juntos e o que eles conseguiam, dividiam para eles e para as outras famílias. Mas houve um tempo que todos os alimentos ficaram escassos. Os dois amigos conversavam sobre isso quando aproximou-se deles um homem dizendo ser o enviado de Nhandeyara (o grande espírito), e que ele haveria de enviar a planta que acabaria com a fome. Mas para isso, cada um dos dois amigos teria que lutar com este homem para ver qual era o mais forte. E o mais fraco teria que sacrificar-se e ser enterrado junto à cabana. Quem perdeu foi um dos amigos chamado Avaty, que foi enterrado por seu amigo, apesar do grande desgosto, como o combinado. Em um dos primeiros dias de primavera a aldeia foi surpreendida com uma bonita planta de muitas folhas verdes e espigas douradas. Viu, então, o caçador, a promessa cumprida e compreendeu a sabedoria de Nhandeyara que foi necessário sacrificar um para a salvação de vários. Desde então os guaranis chamam esta planta de avaty, em homenagem ao índio enterrado.”

Pé de milho

Dentro do Candomblé, embora não seja de origem africana, o milho apresenta uma posição de destaque. Podemos dizer que uma casa de candomblé não funciona se não tiver milho no ilé ìdáná (cozinha). Isso não é um exagero quando lembramos que alguns dos principais adimús (oferendas) são a base de milho. A exemplo, podemos citar o doburú (pipoca), o ebô (canjica), o axoxô, o eko e o akasá. Acredita em mim agora?

Pois é, existem dois tipos de àgbàdo: o funfun (branco) e o pupa (vermelho). Com cada um deles podemos preparar diversas iguarias, que são apreciadas pelos mais diferentes orixás: Omulú, Ogún, Odé, Ossayin, Ewá, e por aí vai… Ndandalunda, inkicie ligada ao cultivo das raízes e ao ciclo lunar, cultuada nas casas de ritual Angola e muito confundida com Osun, também aprecia o àgbàdo.


Com relação ao cabelo de milho, ele costuma ser oferecido para Ode, junto com a espiga, em trabalhos para obter prosperidade e fartura. Já vi pessoas que o ofereciam para Oyá, com o mesmo objetivo. Outra forma interessante que eu já tive a oportunidade de observar é a utilização de bonecos “voodoo”, feitos com a palha e os cabelos de milho. Nesse caso o intuito era de aproximar duas pessoas. Por fim, com a palha do milho é feito um cigarro que é muito apreciado por uma entidade pertencente à Umbanda e o Catimbó, denominada Zé Pelintra. O cabelo de milho também é utilizado como um fitofármaco que auxilia nas doenças dos rins, tendo efeito diurético e ajudando a baixar a pressão arterial
Durante a Sasányìn podemos cantar esse korín ewé:

Kórè l’ewa àgbàdo
Lélè kó
Lélè kó
Rà d’o

Colha o milho que é lindo
Retire do chão
Retire do chão
Todos irão comprar de você



Cabelo do milho

Vamos aproveitar o momento e recitar um ofózinho para folha do milho dar sorte? Ofo é o termo genérico empregado pelos iorubás para designar encantamento. Pode ser definido como “a palavra falada que se acredita possuidora de força mágica ou capaz de produzir efeitos mágicos quando recitada ou cantada sobre objetos mágicos ou na ausência destes.” O ofo pode ser pronunciado em voz alta, sussurrado ou dito de forma que só você entenda.

ONÍIRE NI T’AGBÀDO.
ÀGBÀDO RÌN HÓHÒ D’ÓKO.
Ó KÓ RE BÒ WÁ LÉ.
KÍNI ÀGBÀDO Á MÚ BÒ? IGBA OMO.
KÍNI ÀGBÀDO Á MÚ BÒ? IGBA ASO.

O milho tem boa sorte
O milho vai nú para o campo.
Ele pega a boa sorte e volta para casa com ela
O que o milho traz para casa? Duzentas crianças.
O que o milho traz para casa? Duzentas roupas.



Uma variação:

Kini àgbàdo á mú bó? Igba omo.
Kini àgbàdo á mú bó? Igba asó.
Orí’re ni ti àgbàdo.
Àgbàdo rin hòhò l’óko.
O kó ‘re bó wá ‘lé.
Orí’re ni ti àgbàdo

O que o milho está trazendo de volta? Duzentas crianças.
O que o milho está trazendo de volta? Duzentas roupas.
O milho traz boa sorte.
O milho vai para o campo.
E retorna para casa com boa sorte.
O milho traz boa sorte





LEIA TAMBÉM:”Os grãos dourados do espírito”, por Noga Lubicz
www.rosanevolpatto.trd.br/lendamilho.htm

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Akòko- A folha do Reconhecimento

 

Newboldia laevis (Akòko, Ahoho, Hunmatin)
O Akòko é uma das minhas folhas preferidas, sendo que costuma ser associada sempre a prosperidade, tanto de dinheiro (owo) como de filhos (omo). Essa árvore não é uma espécie nativa do Brasil, sendo introduzida aqui pelos africanos, onde se adaptou perfeitamente.
Entre os iorubas, é considerada um sinal de prosperidade, pois seus troncos eram muito empregados nas feiras, locais onde o comércio era intenso. Era comum que, após serem utilizadas como estacas seus troncos brotassem, gerando novas árvores. Dentro das casas de Candomblé Ketu costuma estar associada principalmente a Ogun e Ossayin, embora na verdade costume ser empregada para todos os orixás.

Já no culto Egúngun, o akòko desempenha um papel fundamental na união dos seres do Ayé (mundo dos vivos) e Orun (mundo dos espíritos). Seu tronco, que geralmente não é muito ramificado, lembra um grande opó ixé, que ligaria o Céu a Terra. Nesse caso, sua principal relação se dá com a iyagbá Oyá, Senhora dos Ventos e dos eguns, que recebe o título de Alakòko, Senhora do Akòko. Constatamos assim dois aspectos importantes dessa árvore: sua ligação com a ancestralidade e com o elemento ar.

Entre os Jeje, recebe o nome de Ahoho (pelos Mahí) e Hunmatin (pelos Mina). O ahoho é um huntingomé/jassú (árvore sagrada) consagrado ao vodún Gun (Togbo) que costuma tê-la como seu principal atín sa. Segundo a tradição Mahí os galhos do Ahoho devem ser levados junto ao corpo, em viagens longas, ou que ofereçam algum tipo de risco. Durante a execução de obrigações difíceis também. Essa medida teria como finalidade atrair a proteção de Togbô, que é um guerreiro terrível e que sempre luta pelos seus filhos.

Dizem os antigos que esse ewé está ligado ao final do ciclo da iniciação, quando uma nova etapa na vida do iniciado começará. Por isso é uma folha muito empregada durante cerimônias de festejo dos sete anos (Odu Ige) de iniciado, principalmente quando ocorre entrega de oye (cargo). Segundo alguns, nenhum rei é considerado rei se não tiver levado no seu orí a folha do akòko.

Quem quiser plantar o akóko não precisa de muito espaço, pois o seu tronco não é muito grosso, porém o seu porte é majestoso, fica bem alta. Suas flores também são bem bonitas, lembram bastante a de um ipê rosa, pois pertence a mesma família botânica (Bignoniaceae). Só cuidado, pois eu já vi gente vendendo akosí (Polyscias guilfoylei) como se fosse akòko. Salve o novo Rei! Árvore forte e imponente, esse é o akoko. Vamos cantar para ele:

Ewé ófé gbogbo akoko
Ewé ofé gbogbo akoko
Awá li li awá oro
Ewé ofé gbogbo akoko


Akoko,é a folha de todas as pessoas inteligentes
Akoko é a folhas de todas as pessoas inteligentes
Nós temos , nós somos, riquezas e saúde
Akoko é a folha de todas as pessoas inteligentes
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GBÁDÚRÁ ÒSÓNYÍN (Reza de Ossayín)

Vamos rezar um pouquinho para o nosso Pai, eu adoro essa adura:
GBÁDÚRÁ ÒSÓNYÍN

E JÌN, E JÌN EWÉ Ó, E JÌN.
E JÌN, E JÌN EWÉ Ó, E JÌN.
E JÌN MERÉ-MERÉ ÒSÓNYÌN WA OÒGÚN.
E JÌN MERÉ-MERÉ ÒSÓNYÌN WA LÉ Ó.
MÁÀ LO BÁ INÓN NÍIGBÓ TI IGBÓ A BO,
MÁÀ LO BÁ INÓN NÍIGBÓ TI IGBÓ A BO,
WA DE OMI MÁÀ DÉ INÓN.
MÁÀ LO BÁ INÓN NÍIGBÓ TI IGBÓ A BO.

Vós vestes, vós veste-se com folhas, vós vestes.
Vós vestes, vós veste-se com folhas, vós vestes.
Òsónyìn vós nos deste hábilmente a magia 

Òsónyìn vós nos deste habilmente a nossa casa
Nunca iremos com fogo às matas onde te cultuamos
Nunca iremos com fogo às matas onde te cultuamos
Nós iremos com água, nunca com fogo.
Nunca iremos com fogo às matas onde te cultuamos

ÒSÓNYÌN O! JÉ EWÉ O JÉ O. Òsónyìn! 

ÒSÓNYÌN O! JÉ OÒGÙN Ó JÉ O. Òsónyìn! 
Òsónyìn! Permita que as folhas produzam seus efeitos.
Òsónyìn! Permita que a magia e a medicina produzam seus efeitos.
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Dágunró (Chifre-de-carneiro)

 É incrível como muitas folhas, que algumas vezes passam desapercebidas por muitos, carregam consigo uma força imensa. Um exemplo é o dágunró (Acanthospermum hispidum), planta invasora muito conhecida pelo nome carrapicho-de-carneiro ou só carrapicho. Seu nome popular vem do fato das suas sementes lembrarem muito um chifre de carneiro (àgbò/agutan). Outro nome que recebe é o de chifre-de-veado. Esses dois nomes nos remetem a dois animais ligados a orixás que costumam apreciar esse ewé: Sangó e Odé.

O dágunró é uma folha quente, ligada a guerra, a confusão, ao lorogún. Seu nome em iorubá já diz tudo, significando “para guerra”. Daí algumas vezes ser utilizada para esquentar Ogún contra alguém.. Entretanto da mesma forma que ela pode trazer o calor da briga e a ela que podemos recorrer para amenizar a confusão e as cabeças quentes. Dizem que funciona muito bem com o povo iniciado para Afonjá, que é confusão na certa e cujo chifre do carneiro (agutan) é um de seus símbolos.

Outra coisa boa é que, como todo bom carrapicho, também pode ser usado para vários tipos de amarração. Isso é bom, pois quem faz amor não faz guerra. Só precisa ter cuidado com a hora de apanhar… Na medicina popular suas folhas são ótimas para tratar pessoas com sérios problemas pulmonares, pois possuem propriedades broncodilatadoras. Motumbá irmãos!

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Obá Ibarú e o quiabo


Diziam os antigos que Ibarú foi um obá (rei) muito destemido e que adorava fazer emboscadas e conquistar novos reinos. Todos temiam a sua presença, pois o mesmo possuía um temperamento muito instável e agressivo, e qualquer coisa o deixava furioso. Diziam até que era louco e que não merecia estar usando a coroa de rei. Em uma de suas batalhas conquistou a cidade de Sobo, no reino do antigo Dahomé. Ao chegar vitorioso seu povo gritou alegremente:

- Ibarú de sobo ada,se ké èré,se ké èré de Sobo ada! Barú faz emboscada em Sobô com seu facão. Faz gritar e é vitorioso!
Ibarú adorava mesmo era um bom amalá quente e regado com epó pupa (azeite de dendê). Porém, toda vez que lhe era servido esse prato ficava com um cansaço que lhe deixava com muito sono. Seus inimigos logo descobriram sua fraqueza e sempre que queriam levar vantagem sobre o seu reino mandavam que alguém lhe oferecesse um amalá bem bonito e com muito ilá (quiabo). Dessa forma conseguiam sair vitoriosos nas negociações, uma vez que o rei quando não estava dormindo também não conseguia raciocinar corretamente.
Um dos seus súditos mais fiéis e que sempre acompanhava Ibarú era Inã (o fogo). Preocupado com as freqüentes perdas sofridas por seu senhor e amigo resolveu procurar um oluwo (adivinho) para saber o que fazer, pois temia que o rei fosse a ruína. Chegando a casa do oluwo o mesmo informou que o motivo de tantas perdas era que Ibarú havia quebrado um de seus interditos (èèwò). Ele deveria deixar de comer ilá (quiabo), pois do contrário só sofreria perdas consecutivas.
Inã foi correndo contar a seu senhor o que o oluwo havia lhe dito. Após ouvir seu inseparável amigo atentamente Ibarú logo protestou:
-Mas Inã como posso deixar de comer o meu prato predileto, amalá bom é com ilá!
Inã que já conhecia o seu senhor sabia que ele iria contestar a ordem do oluwo, e já tinha se informado qual a melhor forma de substituir o ilá do seu amalá.
Pediu que Oyá, a maior quituteira do palácio, preparasse dois amalás diferentes substituindo o ilá pelas folhas de gburé e de óyó. Assim Oyá fez. Refogou as folhas com bastante alobaça (cebola), camarão e epo pupa. Despejou sobre a gamela forrada com ebá (pirão de farinha de mandioca) e foi correndo servir ao rei, que só gostava de comida bem quente.

Quando viu Oyá chegando com duas gamelas Ibaru ficou curioso em saber qual era o prato que Oyá havia lhe trazido. No começo achou estranho, pois nunca havia comido tal iguaria. Porém logo que provou o primeiro amalá, feito de gburé , lambeu os beiços e adorou a novidade. Como era muito guloso logo foi experimentar o segundo amalá, com as folhas de oyó. Comeu tudo. Após se fartar com as iguarias se sentiu cheio de energia, nem sinal do cansaço de outrora. Sua mente estava a mil. Dizem que desde esse dia Ibarú nunca mais comeu ilá e seu reino voltou a prosperar como nunca. Segundo alguns, o rei deixou até de ser chamado de louco, pois nunca mais perdeu a sua lucidez. Seu reinado durou longos anos, até que, cansado do trono, Ibarú abriu um grande buraco na terra e nunca mais foi visto por ninguém.

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Ewé Awedé / Ewé Alase

A Mãe lava seus ouros antes de seus filhos banhar
Se Osún você quer agradar Awedé você deve utilizar
Senhora das Águas, Mãe do Amor
Ewé Alase os dois vai juntar
Schizocentron elegans (Melastomaceae) quaresminha rasteira
Se souber como fazer a amarração vai funcionar
Awedé atrai prosperidade
Awedé irá acalmar
Aquele que for bom entendedor esse sortilégio irá guardar…
Korin ewé:

Awede ó ti móòkè kún

Awede ó ti móòkè kún

A erva usada na consagração

Foi completamente bem sucedida

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