ALGODÃO- EWÉ ÒWÚ

Ewé òwú / Gossypium barbadense - Algodoeiro

Gossypium barbadense- Algodoeiro

Folha indispensáve para o culto aos orixás, folha que esquenta… Ligada ao mito de Osá e ao ciclo menstrual, pertence por excelência ao grande orixá funfun, Senhor do Alá e Pai de todos os orixás. Através do algodão, pedimos saúde e proteção para o nosso orí. Que ele nunca fique descoberto e exposto aos olhos daqueles que querem nos fazer mal. Axé!!!

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Oxóssi

Para todos os meus irmão caçadores, em especial para minha caçadora favorita, minha irmã Vanessa de Odé. Te amo!

Salve a grande Adriana Moreira!

 

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ROQUE FERREIRA – OXÓSSI

 

Osóssi, Rei do povo de Ketu

Essa música é algo divino, uma flecha certeira que atinge em cheio os nossos

corações. Salve O Rei de Ketu!

Oxóssi

ROQUE FERREIRA

Composição: Roque Ferreira / Paulo César Pinheiro

Oxóssi, filho de Iemanjá
Divindade do clã de Ogum
É Ibualama, é Inlé
Que Oxum levou no rio
E nasceu Logunedé!

Sua natureza é da lua
Na lua Oxóssi é Odé

Odé-Odé, Odé-Odé
Rei de Keto Caboclo da mata Odé-Odé.

Quinta-feira é seu ossé
Axoxó, feijão preto, camarão e amendoim
Azul e verde, suas cores
Calça branca rendada
Saia curta estampada
Ojá e couraça prateada
Na mão ofá, iluquerê
Okê okê, okê arô, okê .

A jurema é a árvore sagrada
Okê arô, Oxóssi, okê okê

Na Bahia é São Jorge
No Rio, São Sebastião
Oxóssi é quem manda
Na banda do meu coração

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Acacia Jurema- Árvore da Jurema, planta sagrada do Catimbó

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=3vaqNvEL5h0]

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ESCLARECIMENTO DO AUTOR DO BLOG

EXÚ- Escultura em cerâmica: Carmem Barros (2003)

Prezado irmão Baby,
me perdoe não chamá-lo pelo seu nome, é que ainda  não sei o mesmo. Fico lisonjeado pela forma de tratamento (Babá), porém prefiro ser chamado por irmão ou amigo. Fico feliz quando consigo compartilhar com alguém o pouco conhecimento que tenho, entretanto em momento algum do meu blog escrevi que era portador de tal oye (Babálosanyin). Embora já possua meus sete anos de iniciado, não tenho meu odú ige pago. Aprendi ao longo de minha vida de iyawo, com os meus mais velhos, que tudo tem seu tempo certo. Um médico não pode clinicar antes de ter terminado a sua faculdade. Etapas não devem ser quebradas, portanto jamais poderia receber um cargo sem ter antes passado pela cerimônia do Deka. Sabemos que, para muitos hoje em dia isso não é mais de grande importância, porém eu acredito em um Candomblé sério e responsável. Se quisermos manter essa religião viva devemos aprender a respeitar o que nos foi ensinado pelos que vieram antes de nós.

Quando comecei a escrever o blog nunca tive a pretensão de dizer às pessoas o que era certo ou errado, da mesma forma não pretendo dar consultas on line ou explanar sobre fundamentos de axé. Acredito que isso deve ser aprendido na sua casa, na vivência, no dia a dia com o seu zelador e irmãos. A idéia que eu tenho é sim, trocar informações que ajudem a entender algumas questões que envolvem a cultura em que estamos inseridos. FUNDAMENTO SE APRENDE NA SUA CASA DE CULTO! Tudo que escrevo no blog é resultado de um processo de diferentes vivências e fruto de muita pesquisa. Graças a meu Pai Ogun tive (e tenho) a oportunidade de aprender com pessoas extremamente competentes e conhecedoras da nossa religião. Como um bom filho do Senhor dos Caminhos, não sou de ficar esperando que as informações caiam de pára-quedas e vou atrás do conhecimento.

Outra coisa que a vivência no Candomblé me ensinou, é que não é de bom tom ficar perguntando demais, devemos estar sempre atentos e saber ler nas entrelinhas. Talvez seja por isso que dizem que nós, filhos de Ogún, adoramos “catar” as informações… Entendo que o conhecimento é como o axé, não pode ficar estático, tem que estar em constante movimento, circulando. Obviamente devemos respeitar o awo (segredo), a que estamos sujeitados enquanto iniciados, porém determinadas informações não devem ser exclusividade de uns poucos. Cada um de nós deve procurar conhecer e estudar a religião que pratica, se todos fizéssemos isso com certeza determinadas loucuras não seriam mais realizadas por aí. Quando entendemos realmente algo, fica mais fácil aprender a respeitar. Também não gosto de ficar sentado falando mal dos outros, procuro fazer algo que possa ser útil para alguém, por isso escrevo…

Você me pergunta duas coisas, sobre a existência de um korin ewé para a folha da colônia (toto) e sobre o nome do blog. Pois bem, no momento não me recordo de um korin ewé para essa folha, talvez alguém que venha a ler esse tópico possa nos passar esse cântico. O nome Gunfaremí, embora muitos possam pensar, não é o meu orukó de iniciado. Posso dizer que seja um apelido carinhoso, que ganhei de uma pessoa muito especial, após a minha iniciação. Embora acredite que não seria nenhum problema torná-lo público, uma vez que Ogún gritou bem alto para que todos o ouvissem na Festa do Nome, sigo as regras que o meu axé me impõe. Portanto, não costumamos nos chamar pelo orukó.

No email você cita Okaran, odú agbá, que tenho muito respeito e admiração, pois o mesmo rege a comunicação. Ora, não poderia estar escrevendo e me comunicando se okaran não me permitisse. Posso dizer que graças a Esú, Senhor da Comunicação, e que freqüentemente caminha por esse odú, as informações que procuro sempre chegam até mim. Por isso vou postar aqui um itan ligado a esse odú:

“Conta a lenda que Olodumare permitiu que Obatalá criasse o homem. Esse primeiro ser recebeu o nome de Iselé. Entretanto Iselé se sentia muito só e foi pedir a Obatalá que lhe concedesse uma esposa. Obatalá então pediu que um eborá ajudasse Iselé a realizar o seu desejo. O eborá porém não aceitou a ordem de Obatalá e se revoltou. O Senhor dos Panos Brancos, diante da desobediência do eborá enviou o mesmo para o interior da terra, que arrastou consigo toda a sua revolta. Quando o mesmo lá chegou, encontrou uma pedra vermelha (laterita) e alimentou a mesma com um akasá pupa (vermelho). Ali nasceu Okaran, parido da insubordinação e da desobediência.”

Okanran ki kara ko ma fonja ki ma fikan iya kosi kan.

Saudemos Okaran, Eu me perdi num local onde imperam a falsidade e a traição, Más agora parto em busca de um lugar melhor, Onde exista apenas sinceridade.

Vamos aprender com Okaran, que nos ensina que o desrespeito e a falsidade não nos leva a lugar nenhum. Somos todos irmãos, nossa caminhada deve acontecer juntos. Asé! Asé! Asé!

Ogún- Escultura em cerâmica: Carmem Barros (2003)

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DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Ose - Machado ritualístico de Xangô, o orixá da justiça. Acervo do Ilè Asé Omí (Cachoeiras de Macacú)

Ontem, 20 de Novembro de 2010, foi o Dia Nacional da Consciência Negra. Dia em devemos parar para refletir sobre questões importantes, como: o que é ser afrodescendente em um país como o Brasil? Por que muitos iniciados e adeptos das religiões de matriz negra, ainda hoje, preferem se esconder e ocultarem suas práticas religiosas? Que caminhos devemos seguir para que nossos direiros sejam assegurados e respeitados? É um dia para exaltarmos a memória de nossos hérois negros, homens e mulheres que deixaram o seu nome marcado em nossa História, em decorrencia de sua luta pela igualdade de direitos. A exemplo, Zumbi dos Palmares, Luiza Mahin, Dandara, Luiz Gama, Mestre Bimba e Mãe Senhora. O blog costuma falar principalmente sobre folhas sagradas, porém só podemos continuar fazendo uso desse conhecimento hoje porque esses heróis mantiveram essa chama acesa, nos deixando esse incrível legado cultural. Como eu costumo dizer sempre, só seremos reamente fortes quando entendermos e respeitarmos nossas raízes. Ter consciência de quem fomos é a certeza de sabermos para onde poderemos caminhar no presente de forma a intervir em nosso futuro. Mesmo que a árvore caia, se a raíz estiver forte, com certeza brotará.

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TÈTÈ- Folha de caruru (PARTE II)

Segundo alguns estudiosos, o caruru era um prato indígena, consistindo de um refogado da folha acompanhado de peixe ou carne. Com o processo de trocas culturais o prato teria sido levado para a África e depois retornado ao Brasil, sendo a folha de bredo substituída pelo quiabo (ilá- Hibiscus esculentus).

Nas casas de Candomblé o caruru também apresenta uma posição de destaque, sendo conhecida como ewé tètè. Junto com a folha òdúndún (Kalanchoe brasiliensis) é uma folha fria ou ewé eró (folha que acalma), considerada uma das principais folhas de Osalá. Por pertencer ao orixá da criação é utilizada por todos os demais orixás, o que a torna fundamental no preparo do àgbo orisá. Dois orixás que também costumam ser associados a essa folha são Ogún e Odé.

Na santeria cubana é uma das folhas chefe de Obatalá, recebendo o nome de Kalalu. Existe uma história que relata a utilização de kalalu pelos orixás:

Orixá Oba- Ile Asé Omí

“ Oba foi a primeira esposa de Xangô, no entanto o rei gostava muito de Oxum por causa de sua beleza, sexualidade e habilidades culinárias. Oya era muito amiga de Oba, mas sabia do interesse da mesma em agradar seu rei. Oya também queria Xangô. Ela elaborou um plano de traição, convencendo Oxum a mentir e dizer para Oba que o segredo para preparar amalá, prato favorito de Xangô, era usar folha de kalalu (teté). No lugar da carne ela deveria substituí-la por sua orelha esquerda, no lugar do óleo de dendê ela substituiria pelo seu próprio sangue. Dessa forma, Xangô sempre iria ouvi-la. Ela e Xangô estariam sempre ligados. Assim Oba imediatamente foi para casa e cortou a orelha preparando o prato. Quando ela deu a seu amado, Xangô comeu e cuspiu. Ele perguntou o que era aquilo e quando descobriu o que Oba fizera a impediu de retornar ao seu palácio. Obá se exilou em uma caverna para viver uma vida solitária, longe de todos. Oya tornou-se então esposa de Xango.”

Orixá Osún- Ile Asé Omí (Cachoeiras de Macacu)

Orixá Osún- Ile Asé Omí (Cachoeiras de Macacu)

Uma cantiga cubana de xangô que relembra esse mito é a seguinte:

Amala , Kalalu mala mala

Amala , Kalalu mala mala

Obinsa fun Shango mala, mala Kalalu

Inhame cozido com Kalalu, ensopado de inhame

As mulheres servem a Xangô amalá feito com Kalalu

É interessante notar a semelhança desse cântico com outro recitado em algumas casas de Candomblé, e com a mesma finalidade: Mala mala, mala do bi, mala do bi. Mala mala, mala do o, mala do bi.

No Brasil, tètè é saudada durante o ritual de sasányìn com os seguintes korín ewé (com algumas variações):

Tètè kó mó tèé o

Tani ju Onílé

Tètè não pode perder sua estima

Quem pode mais do que o Dono da terra?

 

Tètè kó mó tèé o

Awa ni ‘jo n’ilé

Tètè nunca deixará de ser a primeira.

Nós temos o conhecimento da terra

 

Tètè kó mó tèé o

Ta ni só Onilé,

Tètè kó mó tèé o

Ta ni só Onilé,

Eron kó mara o

Tètè não pode perder sua estima

Quem conversa com o senhor da terra

Tètè não pode perder sua estima

Carne que constrói nosso corpo

 

Tètè ki ìtè L’àwùjo èfò

Tètè não perde seu lugar entre as plantas

Xangô e suas esposas (Obá, Oxum e Oyá)

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TÈTÈ- Folha de caruru (PARTE I)

Ewé tètè (caruru)- Amaranthus viridis

Vamos falar sobre o caruru? Quem observa essa planta que é considerada para muitos uma erva daninha, pois cresce de forma espontânea em terrenos abandonados e no meio de nossos jardins, nem imagina que ela pode ter diversas utilidades. O caruru (Amaranthus viridis), também conhecido como bredo, caruru de porco ou caruru de mancha seria uma planta nativa das Américas, embora alguns autores indiquem que sua origem seja a Jamaica. Segundo relatos, os europeus tiveram seu primeiro contato com essa planta através do povo Maia, que habitava terras mexicanas.

Embora seja tida como uma espécie invasora, estando bem adaptada às condições climáticas brasileiras, o caruru é um ótimo indicador de qualidade do solo. Isso porque sua presença indica solo rico em potássio (K), elemento mineral que confere certo grau de fertilidade a terra.

Devido a sua constituição bioquímica o caruru é extremamente valorizado em relação aos seus aspectos nutricionais e medicinais. Todas as partes da planta são comestíveis (folhas, sementes e raiz), sendo um alimento rico em potássio (K), ferro (Fe), cálcio (Ca) e vitaminas A, B1, B2 e C. É indicado nos casos de anemia, desnutrição infantil e durante o aleitamento materno, uma vez que possui propriedade lactígena (favorece a produção de leite). É importante ressaltar que gestantes e lactantes deveriam evitar o consumo de suas flores, fazendo uso apenas das folhas.

As folhas do caruru são ricas em flavonóides, principalmente quercetina e rutina. Esses dois compostos possuem diversos efeitos bioquímicos como inibição de enzimas, papel regulador sobre diferentes hormônios e atividades farmacológicas como: ação antioxidante, antimicrobiana, anti câncer, anti hepatotóxica e proteção do sistema cardio vascular. Todas essas propriedades fazem com que o nosso querido caruru seja utilizado no tratamento de processos inflamatórios (infecções), eczemas, bronquite, constipação intestinal (prisão de ventre), problemas de digestão e hepáticos (fígado) e hanseníase (lepra).

Na culinária suas sementes podem ser consumidas torradas, misturadas com diferentes alimentos como pães e saladas. O nome da folha também é utilizado para denominar um prato muito apreciado pela culinária baiana, o caruru. De acordo com Guilherme Piso, médico e naturalista que participou de uma expedição nos anos 1637 – 1644 para o Brasil, com patrocínio do conde Maurício de Nassau, o caruru seria de origem indígena. Ele a designava como uma erva de uso medicinal e alimentício. Guilherme Piso, que estudava doenças tropicais e terapias indígenas relata em sua obra, Historia Naturalis Brasiliae: “come-se este bredo (nome como é conhecida a folha na Bahia) como legume e cozinha-se em lugar de espinafre…

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Itan Osogyian

Motumbá amigos, acabei de ler essa história em um blog e achei muito legal.

“Oxaguiã, também é conhecido como Ajagunã, é o conflito que antecede a paz; a revolução que antecede as transformações profunda

Bambusa vulgaris (Bambu) Dankó- Planta ligada ao culto de Idankó Ezó

s; a instabilidade necessária ao dinamismo da vida e da sociedade e a busca do conhecimento. Por isso é compreendido como Oxalá moço, enquanto a paz, a tranqüilidade, a estabilidade, a sabedoria são compreendidos como Oxalá velho, Oxalufã. Ele é também guerreiro, e sente prazer em destruir para que o novo se estabeleça.

 

Um dos mitos diz que Oxaguiã nasceu apenas de Obatalá. Não teve mãe. Nasceu dentro de uma concha de caramujo. E quando nasceu, não tinha cabeça, por isso perambulava pelo mundo, sem sentido. Um dia encontrou Ori numa estrada e este lhe deu uma cabeça feita de inhame pilado, branca. Apesar de feliz com sua cabeça, ela esquentava muito, e quando esquentava Oxaguiã criava mais conflitos. E sofria muito. Foi quando um dia encontrou Iku (a morte), que lhe ofereceu uma cabeça fria. Apesar do medo que sentia, o calor era insuportável, e ele acabou aceitando a cabeça preta que a morte lhe deu. Mas essa cabeça era dolorida e fria demais. Oxaguiã ficou triste, porque a morte, com sua frieza, estava o tempo todo acompanhando o orixá. Foi então que Ogum apareceu e deu sua espada para Oxaguiã, que espantou Iku. Ogum também tentou arrancar a cabeça preta de cima da cabeça de inhame, mas tanto apertou que as duas se fundiram e Oxaguiã ficou com a cabeça azul, agora equilibrada e sem problemas.

A partir deste dia ele e Ogum andam juntos transformando o mundo. Oxaguiã depositando o conflito de idéias e valores que mudam o mundo e Ogum fornecendo os meios para a transformação, seja a tecnologia ou a guerra.”

FONTE: http://catiacmam-tuosobreanaonag.blogspot.com/2009_09_01_archive.html

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“Mesmo que a árvore caia, se a raiz estiver viva, com certeza brotará”


Bryophyllum sp. ( Kalanchoe Laetivirens ) Folha da Fortuna/ orelha de burro

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Folhas e Iya Mí Eleyé

Atioró- Tockus fasciatus (sin. Buceros fasciatus)

Um itan, revelado por um dos Odú-Ifá demonstra bem a natureza de Iya Mi e sua relação com as árvores, nos lembrando que ela não deve ser encarada como uma figura maligna. Em três árvores que elas pousaram trouxeram infortúnios, entretanto em outras três trouxeram coisas boas. Apenas uma dessas sete árvores traz consigo infortúnio e alegria juntos. Esse itan deixa bem claro que Iya Mi apresenta ambos os lados, a visualização vai depender do que cada um de nós traz em seu coração. Os membros das Sociedades Gueledé, Ogboni e da Irmandade da Boa Morte sabiam (sabem) muito bem disso.

Quando falamos de folhas utilizadas para Iya Mi, não podemos esquecer que, na verdade, toda Iyagbá (orisá obirin) é considerada uma Iya Mi, representação coletiva do poder feminino, e por isso não devemos nos assustar quando determinada folha de Osun é utilizada no culto a Iya Mi, por exemplo. Verger em seu livro Ewé, cita uma infinidade de ervas utilizadas para incitar e apaziguar Iyá Mi (Minha Mãe), não gosto de utilizar o termo Ajé (bruxa), pois tem um tom pejorativo.

Acho muito importante ressaltar a relação entre Iyá Mi e Osanyìn. Elas são chamadas Eleyé (Portadoras do Pássaro), pois se transformam em aves (Agbibgó, Elúlú, Atioro, Osoronga). Ora, o grande símbolo do poder de Osanyìn é Eyé, seu pássaro, presente em todas as suas ferramentas. Não é à toa que sem folha não se faz filho de santo. O poder de Iyá Mi está presente em cada uma das folhas que utilizamos, mesmo aquelas que não são diretamente ligadas a elas. Iyá Mi é o grande útero que povoa a Terra, toda mulher é considerada uma Iyá Mi em potencial. Imaginem se todas as mulheres se recusassem a ter filhos, a humanidade acabaria e os orixás não teriam mais quem os cultuassem.

Atioró - Calau preto, Bico de Serra preto. Encontrada desde a Nigéria, Angola, Zaire até Uganda.

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O pássaro Òpèré

Assim cantamos:

Òsanyín

Òpeèré Òsányìn ìn s’ibú

Kúrú ìde akàkà

Òpeèré Òsányìn ìn s’ibú Bàbá

Kúrú ìde akàkà

Operé de Ossanhe voa profundo

O pequeno não muda a natureza

Operé de Ossanhe voa profundo, Pai

O pequeno não muda a natureza

 

 

Pycnonotus barbatus – Pássaro Operé

Ave da família Pycnonotidae, predominantemente encontrada em território africano, sendo abundante em Marrocos. É considerada a ave símbolo da Libéria, sendo chamada de engole malagueta ou pimentinha. A Libéria (ex Costa da Pimenta) foi o primeiro país africano a instituir uma República e também o primeiro a ter um chefe de Estado Feminino. É uma ave onívora, se alimentando de frutas, grãos, néctar de flores e de insetos. Costuma voar por cima das copas de árvores e arbustos. Que Operé voe cada vez mais alto e nos traga a vitória sempre! Nós saudamos Eyé, o Pássaro!!! Ewé O!!!

Pycnonotus barbatus - Pimentinha, Tuta Negra

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SALVE AS FOLHAS – Maria Bethania e Sandra de Sá

Ferramenta de Òsanyín

A nossa MPB também saúda o Pai das Folhas. Eu gosto muito dessa interpretação, nas vozes de Bethania e Sandra de Sá. Preste atenção no vídeo, ele trás um dos maiores símbolos de Òsányìn: Eye, seu mensageiro e representante de seu poder. Ele está presente em sua ferramenta, cercado por diversas hastes de ferro, em formato de leque.

 

 

 

 

 

 

 

Salve As Folhas

(Gerônimo / Ildásio Tavares)

Sem folha não tem sonho

Sem folha não tem vida

Sem folha não tem nada

Quem é você e o que faz por aqui

Eu guardo a luz das estrelas

A alma de cada folha

Sou Aroni

Kosi euê

Kosi orixá

Euê ô

Euê ô orixá

Sem folha não tem sonho

Sem folha não tem festa

Sem folha não tem vida

Sem folha não tem nada

Eu guardo a luz das estrelas

A alma de cada folha

Sou aroni

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Dica de Leitura (O SEGREDO DAS FOLHAS- JOSÉ FLAVIO PESSOA DE BARROS)

José Flávio Pessoa de Barros

Para quem se interessa pelo assunto indico a leitura do livro de meu pai Flávio: O segredo das folhas- Sistema de classificação de vegetais no Candomblé Jêje-Nagô do Brasil. José Flávio Pessoa de Barros. Editora Pallas. O autor é filho de nossa saudosa Iya Nitinha de Osún (Engenho Velho) e também Òlósányn. Motumbá irmãos!

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Folhas Sagradas, há espaço para inovações? Parte II

 

Ceiba pentendra- Àràbà (Ioruba), Gédé hunsu (Mahí)/ sumaúna

 

Devemos lembrar que muitos desses nomes tem origem Ioruba e acabaram se tornando aceitos por outros grupos aqui instalados, como os, genericamente denominados, Jeje e Angola. Entretanto muitos de seus componentes ainda guardam suas nomenclaturas nativas, a exemplo: 1-Àràbà (Ioruba), Gédé hunsu (Mahí)- Ceiba pentendra, de nome popular sumaúna; 2-Akòko (Ioruba), Ahoho (Mahí) e Hunmatin (Mina)- Newboldia l aevis, de nome popular akokô; 3- Obì (Ioruba), Ví (Fon)- Cola acuminata, de nome popular noz de cola. Daí surge a pergunta. Será que todos esses nomes foram trazidos realmente da África? Acredito eu que não. Isso porque muitas dessas espécies não existiam em território africano, seus nomes surgiram aqui, no Brasil. Como esses nomes surgiram? Provavelmente a partir da observação atenta dessas plantas e utilizando como ferramentas alguns dos critérios apresentados aqui. Devemos nos lembrar também que embora essa religião possua matriz africana, o conjunto de suas práticas foi moldado a partir da releitura desses povos em solo brasileiro. Isso possibilitou a modificação e criação de novas formas de linguagem, alguns nomes se preservaram, outros foram reformulados e outros simplesmente esquecidos. Embora o Candomblé seja baseado na preservação das tradições, não sendo muito permitido grandes modificações, a língua, assim como o asé, é um elemento dinâmico, que sofre alterações constantes e vai sendo moldada de acordo com as diferentes situações apresentadas. Isso explica porque hoje em dia podemos ouvir tantos nomes de folhas novos e até orin orisá que antes não existiam. O Candomblé não é uma religião de improvisos e nem de invenções, daí a importância de se ter uma origem, ter a referência de um mais velho, alguém que recebeu o conhecimento acumulado pelos nossos ancestrais. Quando utilizamos uma determinada folha em um ritual, não a utilizamos simplesmente pela nossa intuição, esse conhecimento nos foi transmitido a partir de nossa vivência e merecimento. Entretanto, esse “conhecimento ancestral” pode ser resgatado, a partir de um sonho ou através de uma determinada entidade, incorporada ou não. Por exemplo, quem dá o orúko do iyawo? Sabemos que existem algumas formas de se chegar a esse nome, porém a mais freqüente é que o próprio orisá o revele. E quem ensinou ao iyawo???

 

Cola acuminata- Obì (Ioruba), Ví (Fon)/ noz de cola

 

Outro aspecto que deve ser levado em consideração, quando falamos em nomenclatura de folhas sagradas: o que é mais importante, o nome que damos à folha ou como fazemos uso da mesma? Se eu quiser agradar, Osalá pedindo saúde e paz, utilizando a folha da costa e denominar a mesma por ewé eró, e não por òdúndún, será que o meu pedido não vai ser entendido pelo orisá? Esse fato demonstra como é importante conhecer a natureza da folha e a partir daí se chegar ao seu nome, que pode ser mais de um. Desvelar essa natureza que se esconde por detrás de cada folha não é tarefa das mais fáceis. Segundo Paracelso, muitas vezes essa “assinatura” deixada pela natureza é invisível aos nossos olhos. Para enxergar é necessário um olhar especial, o de um iniciado. Os Ioruba possuem um ditado que vai de encontro ao pensamento de Paracelso: “Ògbèri nko mo màriwò”. Ou seja, aquele que não passou pela iniciação jamais irá entender o segredo que se esconde por detrás do Màrìwo (folha nova do dendezeiro/ Elaeis guineensis). Nesse ponto cabe ressaltar um fato: Quando falamos em folhas sagradas nos reportamos automaticamente a Ósányn, e ser iniciado no culto a orisá, somente, não é condição que garanta a qualquer um entender a natureza de Babá Igbo, o Pai das Folhas. Para tal, é necessário ter nascido portador de um Oye (cargo) que permita ter acesso, por direito, a esse conhecimento. Esse cargo é representado pela figura do Bàbálósányn ou Òlósányn, aquele a quem Orunmilá permitiu ver o que para muitos está invisível. Segundo relatos de mais velhos, essa figura era fundamental nas casas de Candomblé antigas, nada se fazia sem ele. Com o tempo, e o aumento exagerado das casas de culto, seu posto foi sendo exercido pelo Babalorisá e pela Iyalorisá. Isso levou a uma perda considerável em relação ao saber ligado as folhas, já que os mesmos não foram preparados para assumirem essa função. Será que não vem daí também uma das explicações para termos tantos nomes novos para as folhas? Para o Òlósányn conhecer o nome correto da folha é fundamental, pois esse nome muitas vezes está ligado ao ofó (encantamento) que deve ser pronunciado junto com a mesma. Recitar o nome corretamente é o que irá garantir a liberação da magia contida nesse ewé. O poder da palavra detona o asé. Consciente disso tudo, eu acredito que inovações irão continuar surgindo dentro da nossa religião, porém também acredito que o respeito às tradições herdadas de nossos ancestrais deve ser preservado ao máximo. Muitos morreram e foram massacrados para manterem viva essa cultura, não acho que a religião tenha que se adaptar as minhas vontades. Nossos ancestrais plantaram as sementes, ela germinou, cresceu, deu frutos saborosos, será que deixaremos a árvore secar por falta de zelo e amor?

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Folhas Sagradas, há espaço para inovações? Parte I

Realmente o assunto é bem controverso e gera alguns questionamentos.


Urera baccifera- Ewé ájòfà/ urtiga

É fato que de

sde os primórdios da humanidade o homem utiliza as plantas com fins não apenas alimentares, mas também

curativos e religiosos. Em cada local

essas plantas receberam den

ominações diferentes, o que muitas vezes gerava dificuldades na sua identificação e utilização por outros grupos. Com o intuito de facilitar esse processo fo

ram criados diversos sistemas de classificação botânica. Por exemplo: Aristóteles, Teofrastus e Plinius dividiram o reino vegetal em três grandes grupos: ervas, arbustos e árvores. Este sistema foi aceito amplamente durante a maior parte da Idade Média.

Paracelso, médico suíço e grande alquimista, difundiu a “

Teoria dos Sinais” ou “Doutrina das Assinaturas”. Segundo Paracelso, tudo o que é criado pela natureza reproduz a imagem da virtude a que lhe é atribuída trazendo consigo traços visíveis ou invisíveis de similitude. É interessante ressaltar que essa teoria baseava-se em um antigo provérbio: “similia similibus curantur“, ou seja, “o semelhante cura o semelhante”. Dentro dessa perspectiva um fruto com formato semelhante a um fígado traria consigo a “assinatura” de sua utilidade para problemas hepáticos, assim como outro com a aparência de um coração seria indicado para doenças cardíacas. Por exemplo, as nozes, cuja aparência lembraria um cérebro, seriam empregadas em doenças do sistema nervoso. Embora esse sistema de classificação não seja mais amplamente aceito, ainda podemos observar sua utilização por partes de alguns naturalistas, até porque Paracelso é considerado o Pai da Medicina Naturalista.

Atualmente, o sistema oficial de classificação botânica é o criado pelo também naturalista sueco Carolus Linnaeus. Cada vegetal é identificado de forma binominal, onde o primeiro nome indica uma característica geral (gênero) enquanto o segundo identifica o seu aspecto específico (espécie). Desta forma podemos citar: Citrus aurantium (laranja), Citrus limonia (limão) e Citrus nobilis (tangerina).

Sabemos que cada orixá, vodun, inkicie, guia ou encantado pode estar associado a um conjunto de determinadas folhas que poderão ser utilizadas no seu culto. Essas folhas, entretanto, não são escolhidas ao acaso, existem critérios ligados à crença religiosa de cada um desses grupos que compõem as religiões de matriz africana.

O sistema de classificação Jeje-Nago se baseia em diversos aspectos, como seu caráter elemental (Terra-Ewé Ilè, Fogo-Ewé Inon, Água-Ewé Omí e Ar-Ewé Aféfé), sua natureza (Macho-Ewé Okunrin/Fêmea-Ewé Obirin) e seu porte (Igi- árvores; Kekere- plantas rasteiras ou arbustivos; Afomã- trepadeiras e parasitas). Dessa forma, quando dizemos que Esú aprecia ewé ájòfà (urtiga/ Urera baccifera) estamos nos rementendo à ligação que este orisá tem com o elemento fogo, uma vez que essa folha tem a capacidade de provocar queimaduras na pele. Da mesma forma ewé òdúndún () é usada para Osalá, pois é uma folha úmida (elemento água), quando passada na pele queimada refresca.

Kalanchoe brasiliensis- ewé òdúndún/ folha da costa (saião)

A nomenclatura dessas plantas pelos povos de origem ioruba também se baseia nesse critério de classificação. Existem nomes que podem ser utilizados de forma genérica ou específica, de acordo com as características apresentadas: Há folhas que qualificam alguma ação (Akoko = a que dá saúde e inteligência ; Banjoko = vigia o caminho ); que trazem o nome de animais, invocando assim as suas qualidades (Ejá omodé – peixe criança; Ewé akunkó – crista de galo); que nos remetem aos sentidos (Ewé kukunduku = folha doce ate morrer; Ewé nilá = perfume bom) e ainda que se referem a algo que procuramos obter (Amújé = estanca sangue , são folhas que tem ação anti coagulante; Dágunró = são todas as folhas que tem espinhos e podem ser utilizadas para vencer os inimigos).

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